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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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Violada por 2, inconsciente, mas em clima de sedução, diz o Tribunal do Porto

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Estou aqui piursa com o caso da jovem de 26, que foi alegadamente violada por 2 funcionários numa discoteca e cujo Tribunal da Relação do Porto decretou pena suspensa aos dois arguídos.
 
Ora bem, aproveitando que ela estava alcoolizada, os dois arguídos (um porteiro e outro barman), quando a discoteca já estava fechada levaram amiga a casa, enquanto o outro, levou a vítima para o WC. Segundo o relato da vítima, ela não se lembra de quase nada, tendo estado inconsciente grande parte do tempo. Fica a descrição que tirei do Diário de Notícias:
 

"altura em que [Marcos], verificando a incapacidade da ofendida de reger a sua vontade e de ter consciência dos seus atos, resolveu e com ela manteve relações sexuais de cópula vaginal completa, depois de a ter despido da cintura para baixo, mantendo-lhe a roupa a meio das pernas, só recuperando a consciência, a ofendida, e, voltando a si, ainda no mesmo local, quando deitada no chão, com a cabeça encostada à porta de entrada, sentiu um empurrão na porta, ouvindo nesse momento as vozes dos arguidos, que reconheceu, pretendendo [Paulo] entrar também na casa-de-banho.

"Momentos depois a ofendida perdeu novamente a consciência só voltando a recuperar os sentidos quando ouvindo as vozes dos dois arguidos e sentiu umas palmadas na zona dos seus glúteos (...)."

Segundo o relato do tribunal, a seguir só se lembra de acordar no sofá, já vestida, quando lhe atiraram água à cara. Seriam já nove da manhã quando o porteiro Paulo a levou a casa no seu carro. Durante o percurso, o homem pediu-lhe para esquecer o sucedido "pois não podia colocar em causa a sua vida pessoal e familiar e que lhe daria em troca o que quisesse, incluindo dinheiro."

 

A vítima foi depois ao hospital, onde lhe foram feitos vários exames e ficou registado que apresentava "várias equimoses, algumas com mais de cinco centímetros, no abdómen, nas nádegas, nas coxas, e marcas visíveis de nós de dedos e de dedos". Ainda assim o acórdão considerou que "não há danos físicos [ou são diminutos] nem violência". Oi?

 

Mas há mais!  Ao telemóvel, nas escutas, um disse coisas como "ela estava toda fodida" ou "ela estava toda desmaiada no quarto de banho"

Ainda assim, o Tribunal da Relação do Porto considerou que não houve premeditação  - o que é de bradar aos céus! Afinal, quando levam uma amiga a casa e resolvem "ficar com a vítima", isso revela o quê? Caridade?

 

O Tribunal chega mesmo a considerar que houve um "ambiente de sedução mútua".

Que é o que me deixa ainda mais zangada! Muito zangada! Então, uma mulher está mal-disposta, a vomitar, ficando depois inconsciente e ainda assim há sedução? Como, senhores, como? E já agora, mesmo que ela tivesse seduzido ANTES E QUANDO ESTVA CONSCIENTE, a partir do momento em que ela está incosciente, o acto passa a ser uma violação. Logo há crime, certo?! Ou será que por ela estar inconsciente, ela é menos vítima?! Ou o sofrimento menor?! É essa a mensagem que o Tribunal quer passar?!

 

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