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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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Fui à África do Sul e pensei

27.03.17

Fi 

áfrica do sul línguas oficiais

 

Passei três semanas felizes a viajar pela África do Sul. Voltei no domingo e não sei se a coisa entranhou ou se ainda estou anestesiada da euforia, mas bem que podia deixar tudo e voltar. E viver. O país é lindo e outros adjectivos mais. Na memória, tento reter a imensidão! Paisagens infinitas, terra sem fronteiras, oceanos sem terra à vista. E não é uma vastidão que nos engole, é uma imensidão que nos abraça. Aqui ficam alguns pensamentos destas últimas semanas.

 

“Do aeroporto de Cape Town ao centro: pior que favelas, bairros de lata! “

 

Da série escravidão, o Apartheid e o racismo em 2017:

“Brancos que vivem em bolhas, sempre de carro e que nem sabem dos supermercados e restaurantes que têm a cinco minutos de casa.”

“Empregadas domésticas de uniforme e que trabalham ao fim de semana. Ganham 1,10 euros à hora. Negras, obviamente!”

 

“Bo Kaap é fofinho.“

 

africa do sul destinos.jpg

 

“Uma pessoa vai à Table Mountain a pensar que é só mais uma atracção turística demasiado valorizada e sai esmagada! Incrível!“

 

Da série escravidão, o Apartheid e o racismo em 2017:

“Tantas mesquitas em Cape Town. Como é que é possível? Ah, pois, milhares de pessoas escravizadas trazidas da Indonésias pelos Holandeses.“

“Comida Indiana como na Índia em Cape Town. Como é que é possível? Ah, pois, milhares de pessoas escravizadas trazidas da Índia pelos Ingleses.“

 

De carro pela costa Oeste – e mais tarde pela Garden Route:

“Quero viver aqui. Não aqui. Esqueçam: vai ser aqui! Não, melhor aqui... ou talvez aqui”.

 

pinguins africanos.jpg

“Ele há coisas... Pinguins em África! Senhoras e senhores e Darwin: apresento-vos o Pinguins Africano!”

 

“Fui à procura do Adamastor!”

 

Cabo da Boa Esperança.jpg

“Mau! Primeiro é o Viriato que não existe, agora é a descoberta que não é no Cabo da Boa Esperança que se juntam os oceanos Atlântico e Índico, mas sim no Cabo Agulhas!”

 

“Como assim não há baleias? Como assim só podem ser vistas entre Junho e Dezembro? Eu quero baleias!”

 

Numas vinhas perto de Hermanus, depois de ser atendida por uma empregada suuuuuper simpática e já bem tocada pelo vinho, que terá bebido por causa do trabalho - ela faz mostras de vinho:

“Como é que eu nunca pensei antes em trabalhar numa vinha? Vou deixar o meu cv!”

 

No Cabo Agulhas, o vento é tanto que:

“O Adamastor existe e vive aqui!”

 

“Gosto de carne de avestruz.”

 

“Talvez pudesse mesmo deixar tudo e viver aqui!”

 

“Na África do Sul não há carne má. Nem vinho!”

 

“Mas será que cada vez que venho à praia começa o vento?!”

 

“Quatro horas armada em Lara Croft para ver focas ao longe – onde elas devem estar!”

 

“Um elefantes!! Outro!! E mais um e mais outro!! E zebras! E impalas! LINDOOOOO!”

 

Na estrada, um polícia manda-nos parar todo sorridente e depois de muito bla bla bla, diz que nos vai multar e pede-nos quase 60 euros. A conversa foi mais ou menos isto:

Polícia - "Parece-vos muito? Quanto é que vocês acham que devia ser?"

Eu - "Nós decicimos? É muito, sim, mas se tem de ser.... Como não temos dinheiro, temos de ir à esquadra pagar. Passe a multa que nós vamos lá."

Polícia - "É muito longe! Melhor pagar aqui! Quanto é que querem pagar?"

Eu - "Se é a lei nós pagamos, mas estamos mesmo sem dinheiro e teremos de ir à esquadra!"

Polícia - "Parece que é mesmo um bom dia e é o vosso dia de sorte, podem ir sem multa!

 

africa do sul turismo

“Que piroseira uma estátua de uma girafa à porta de casa! Está-se a mexer!!!! É verdadeira!!!”

 

"Viagem, viagem. Viagem, viaaaaaagee!"

 

Na costa Este, Wild Coast:

“Os contrastes e antónimos na África do Sul: branco/negro; oeste/este; litoral/interior; rico/pobre!

 

Da série escravidão, o Apartheid e o racismo em 2017:

“Meninos que vão para a escola a pé. Meninos de 5 anos que vão sozinhos pela auto-estrada para chegar à escola. Meninos que levam os livros em sacos plásticos, porque não têm mochilas. Meninos negros, obviamente!”

 

Da série escravidão, o Apartheid e o racismo em 2017, em Durban e a quase duas semanas de viagem:

“Finalmente um restaurante com brancos e negros a trabalharem e brancos e negros sentados à mesa!”

 

No Kruger, a maior reserva natural da África do Sul, onde se podem fazer safaris conduzindo o próprio carro e ver os animais no seu habitat natural:

“Raios, esta coisa é do tamanho da Bélgica!”

 

kruger park preços

“Vi leões. Vi elefantes. Vi búfalos. Vi rinocerontes. Vi UM leopardo. Vi os Big Five!”

 

“Um safari deve ser tipo ter um filho! Quando a criança nasce a alegria é tão grande que as mães se esquecem das dores, enjoos, inchaços e algumas até repetem a dose! Nos safaris todos falam da alegria de ver os bichos, mas ninguém fala que se pode estar uma hora ou mais até que algo aconteça!”

 

“Que se lixe, deixo tudo e venho viver aqui!”

 

"Quase três semanas de viagem na África do Sul e 4 046 km de carro! Por la carretera...!

 

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Em Joanesburgo no Museu do Apartheid, a confirmação:

 “O Mandela foi o maior!”

“O ser humano é mesmo estúpido!”

 

Nasceste entre 1980 e 1996? És Millennial

04.10.16

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Se nasceste entre 1980 e 1996, junta-te ao grupo! Somos agora oficialmente conhecidos como a geração Y, os Millennials.

 

O que é que nos caracteriza? A dependência da tecnologia (casa minha pode até não ter microondas, mas sem Internet é que não!). Somos também menos consumistas do que os nossos pais, isto porque damos menos valor ao luxo e a comprar casa ou carro, por exemplo. Não estamos interessados em recorrer a créditos ou a viver acima das nossas possibilidades e preocupamo-nos mais com o meio ambiente. Mais do que deixar casa, queremos deixar um planeta! Dizem também que somos mais egocêntricos - muito selfie, muito “eu”, muita “rede social”. Somos mais insatisfeitos, já que estamos habituados à rapidez e a consumir todos os produtos de uma forma instantânea. E isso, revê-se no trabalho, por exemplo. Os Millennials não estão preocupados em ter contratos indefinidos, nem em ficar no mesmo emprego até à reforma. Pelo contrário, isto dá-lhes comichões.

 

De uma forma geral, concordo com este perfil que muitos especialistas, estudiosos, intelectuais, sociólogos, jornalistas, etc. traçam da minha geração e revejo-me nele. Não me importa, nem quero “um trabalho para sempre”, nem tenho quaisquer ambições de passar 40 anos a pagar casa e pendente dos humores de um banco (e da economia) para gerir a minha vida - viagens, jantares, etc. Acredito que em algum momento, pessoas como eu vão afectar gravemente a economia e o sistema capitalista, sempre tão dependente de créditos e empréstimos e do consumo louco, para poder se manter. Ainda no outro dia, um banqueiro americano se queixava desta nova geração que não compra casa, que vive com o que tem e que (o drama e o horror) vai acabar por contribuir para o fim do capitalismo.

Em contra partida, somos mais insatisfeitos, também porque queremos cada vez mais! Assim que conquistamos algo, mascamos e já pensamos na próxima etapa. Não saboreamos. E sim, quero um salário maior e não, não quero trabalhar mais (horas) por isso. Vestir a camisola é, para mim, diferente de sacrificar a minha vida pessoal - jantares com o namorado, férias com os amigos, passeios com a família, o que seja. E não, não estou disposta a fazer isso por uma empresa que ainda por cima, não é minha.

Também não me interessa saber que sapatos usa a Lady Gaga, porque jamais poderei pagar algo assim. No entanto, o mesmo não acontece com os da minha amiga, que publicou uma fotografia com umas sapatilhas bem fofas. Este é um pequeno exemplo, mas que diz muito desta geração.

 

Obviamente, que a crise também ajudou. Comprar casa não é tão fácil como antes, quando até para se ir de férias se pedia um crédito. As redes sociais (Facebook, Twitter, etc.) tornam-nos (a nós) o foco. Não sei se somos mais egocêntricos, por isso ou se isso é resultado da educação dos nossos pais, sempre focados “no melhor para os meninos”. Eu faço parte de uma geração que brincou na rua, partiu os dentes e que fugia, depois de tocar às campainhas das portas. Por mais que valorize isso, não sei como os meus filhos poderão viver uma infância assim! Sou também parte de uma geração que não passou fome, que foi à escola, fala idiomas e teve oportunidades e isso, isso faz toda a diferença. Mesmo que signifique viver numa casa alugada e dormir no chão da cozinha de alguém quando se vai de férias!

A Jennifer Aniston está farta

15.07.16

Diz ela que não está grávida, que está farta!

Farta que lhe atribuam a milionésima gravidez, fartou-se de aparecer em capas só porque aparenta uma possível barriguinha, farta de toda esta pressão mediática, que reflecte também os valores deste mundo machista, onde se espera 837 mil coisas de uma mulher! Cada gaja sabe de si e das suas escolhas, diz a Jen. Cada mulher é livre de escolher o que é melhor para si, não precisando de um homem, de um filho, de um corpo à capa de revista para ser feliz ou sentir-se completa. Bravo Jen!

 

 

Recentemente cheguei aos 30 e com muitas amigas que chegaram ou estão em vias de, a conversa é sempre a mesma! Algumas falam até numa minidepressão, de uma pequena crise existencial. Como é que é possível? Gajas giras, confiantes, estudadas e em deprê?

Pior do que acharmos que aos 30 já deveríamos ter carro, casa, marido e com putos a caminho, é ter que responder ao mundo sobre isso. Até porque, não o queremos. E como fazer o mundo entender isso? Esta carga, esta expectativa vs realidade cansa.

E mais, quem é que quer aos 30, tudo isto?
Bla bla bla a instabilidade, o desemprego, ... não é disso que estou a falar. Sejamos práticos, alguém quer mesmo aos 30 já ter filhos, família, casa e carro para pagar? E as viagens? E beber copos? E ir jantar fora ou comer cereais no sofá ao jantar?
Eu não acho que sejamos menos ou mais maduros, mais ou menos egoístas, acredito, sim, que temos outras prioridades e/ou queremos concretizar outras coisas. Coisas essas, atenção, que não têm de ser um filho, um marido ou uma hipoteca.

Menos pressão, menos perguntas tipo "então, não te casas?", "para quando esse bebé?", "tic-tac... olha o relógio... tic tac".
Deixem a Jen em paz, deixem as gajas deste mundo em paz e sejamos todos mais felizes, sem crises, dramas ou expectativas!