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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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Vi o documentário da Maddie na Netflix e pensei

30.03.19

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Possivelmente, cheguei tarde à festa, mas só ontem acabei o documentário sobre o desaparecimento da Maddie, da Netflix. Se em boa verdade aquilo poderia ser encurtado e ser coisinha para render uns cinco episódios,  não deixa de ser meio alucinante (acho que é esta a palavra), quando vemos a cronologia dos acontecimentos.

Além disso, há tanta, mas tanta coisa que fica por ser esclarecida! Aqui vão alguns pensamentos que tive enquanto via o documentário:

 

  • Então, o Gonçalo Amaral anda a ser investigado por má conduta no caso da Joana e ainda assim é-lhe dado mais um caso? E se não fosse pela investigação, como é que depois da salganhada que aquilo foi, o caso não foi dado a outro inspector? Ou ele é o único inspector do reino dos Algarves?

 

  • Ok, estou de acordo quando se diz que ir deixar os miúdos em casa e ir jantar é mau. Contudo, não há paciência às 23982 considerações que são feitas ao longo do documentário sobre a postura da mãe (sempre ela, obviamente!). Ora porque não chorava, ora porque não era carinhosa, ora porque os ingleses são pais do demo, sem coração! Como se a dor e tristeza se medisse e se quantificasse. Como se só as lágrimas pudessem provar a infelicidade.

 

  • Não há pachorra para os primeiros episódios com os coitadinhos dos jornalistas a queixarem-se que não sabiam de nada. 

 

  • Contudo, nada me chocou tanto como a história do ADN. Com que então, o sangue encontrado na casa nunca foi da Maddie?! Ver a própria jornalista da RTP (a Sandra Felgueiras), que anos antes declarava a pés juntos que o ADN era da menina, a dizer que afinal também ela tinha sido enganada e, mais, a assumir que a fonte dela era o Gonçalo Amaral, foi....! Obviamente que os jornalistas têm as suas fontes, mas ela e tantos outros jornalistas acreditaram nele! NELE! No Gonçalo Amaral... um investigador com um percurso pouco bonito (caso Joana, por exemplo). Ou seja, ela e tantos outros fizeram-nos acreditar (eu achava que sim), que o sangue sim, era da miúda. E a fonte? Ele! Nunca nenhum deles sequer viu o relatório na altura em que este tipo de informação era bradado aos quatro ventos e que levou tanta gente a achar que os pais estavam envolvidos!

 

  • E uma nova investigação ao caso da Joana, humm?

 

  • Sim, porque o problema não é a Maddie ter helicópteros, nem toda a atenção do mundo! O problema é as restantes crianças desaparecidas não angariarem igualmente essa mesma atenção, que isto seja muito claro! Não se pode culpar os pais da Maddie, por estarem a fazer tudo o que podem para que a filha deles não seja esquecida e que as buscas continuem. Uma pena é que outros casos não tenham a mesma influência mediática!

 

  • Outra coisa no documentário que me custou a tragar foi o mega-milionário e o filho que ajudaram, por filantropia, os pais da Maddie e que na verdade, mais pareciam dois putos novos-ricos a brincar aos detectives, sem respeito, nem consideração pelos direitos dos outros.

 

  • E se eles são maus, o que dizer do outro detective fraudulento? Pobres pais! Só lhes tocou loucos - não lhes bastava o Amaral!

 

  • Sim, porque muito do trabalho da PJ que foi feito na Praia da Luz foi de facto vergonhoso: a reconstituição do crime que nunca foi feita; o não seguir outras pistas, nem linhas de investigação, parecendo mais preocupados em provar a teoria (os pais mataram), do que outra coisa; a maneira que punham e dispunham da vida dos arguidos (19 horas a ser interrogado? Nunca indicar em qual drive teriam encontrado o "suposto material com pornografia infantil"?...). Já não é a primeira vez que a PJ é acusada de falhar em casos de crianças desaparecidas - veja-se o caso Rui Pedro e a forma terrível como a família, em particular a mãe, foi tratada pela polícia nos primeiros anos!

 

Enfim! E no meio disto, a miúda que continua desaparecida!

Sobre o Abducted in Plain Sigh da Netflix

15.02.19

Abducted in Plain Sigh da Netflix.jpg

 

Pessoas, preciso de desabafar sobre o "Abducted in Plain Sigh" da Netflix.

Se ainda não viram, vão-se embora, VÃO-SE EMBORA, porque eu vou spoilar à força toda! Isto, porque eu preciso de desabafar e abrir o meu coração. Vi isto sozinha e ainda não digeri.

O "Abducted in Plain Sigh" é um documentário que está na Netflix, mas que não foi produzido pela própria. Na verdade, o nome original é "Forever B".

Conta a história de uma família, que vê a filha (Jan Broberg) de 12 anos, raptada duas vezes e que é violada e manipulada pelo vizinho/melhor amigo. 

A própria forma que levou o tal B. a convencer a miúda a estar calada sobre os abusos é de LOUCOS: uma invasão de aliens e ela, qual Virgem Maria, a ter que ter um filho com ele para salvar o mundo. Obviamente que até à concepção, haveria que copular MUITAS tentativas. Isto durou até aos 16 anos da Jan, a menina. E é completamente atroz. Só esta parte, já valeria o documentário. Até porque ele não se limitava a inventar a história. Ele dramatizava a coisa, com músicas, acessórios, etc. Além disso, ela era uma miúda de 12 anos e ele como um segundo pai e nos anos 70, como não acreditar nele?

Contudo, este é o detalhe mínimo da história.

Pelo meio, há dois raptos da mesma miúda, pelo mesmo homem. Sim, DOIS raptos!

Mas há mais: os pais deixaram o vizinho durante quatro ou seis meses (já nem sei ao certo), dormir no quarto da filha, quatro vezes por semana, porque "ai e tal, ele estava a fazer um tratamento"!

As bombas não terminam aqui. Ora o pai que admite que masturbou o tal B. Ora a mãe tem um caso tórrido com ele! Isto, depois de ele já ter raptado a miúda uma vez. Note-se que da primeira vez, ele levou-a para o México, onde CASOU com ela (recordo que ela aqui tinha 12 anos!!) e depois chegou a pedir aos pais uma autorização para casar com a miúda nos EUA. Mesmo depois disso (e anos depois), a mãe põe a filha num avião para ela o ir visitar - é aí que se dá o segundo rapto!!

O mais repugnante é a forma como a mãe falo do caso com o B, como se tivessem sido os melhores anos da vida dela. Aliás, ele convenceu-a a pedir o divórcio, sugerindo que ela ficasse com as filhas (óbvio!). Todavia, como o pai não lhe deu a guarda, ela recuou.

 

Mais tarde, ele acabou preso (mas por outros casos, não por este) e a mãe a escrever um livro. A menina é hoje uma mulher, é a actriz Jan Broberg - que fez até pequenos papéis em series como Criminal Minds. Ela parece bem resolvida, contudo como ela consegue sentar-se à mesa no Natal com os pais é para mim um mistério.

 

Obviamente que já andei pela Internet fora a ler mais sobre o caso e parece que a realizadora Skye Borgman é da opinião que a mãe estava mesmo com uma paixão assolapada (ou ainda estará) e que o envolvimento do pai, foi mais do que um trabalho manual. Enfim!!! LOUCOS!

Aliás, sem sem Jan Broberg, que claramente precisou de muuuuitos anos de terapia, a única pessoa saudável é o agente do FBI que segiu o caso e que nem ele parece entender o que aconteceu ali. LOUCOS!

Crimes portugueses que podiam virar series na Netflix

06.02.19

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Depois de ver "A Rede", a reportagem da Conceição Lino, na SIC (clap clap clap - que maravilha e que murro no estômago!!), dei por mim a pensar no potencial de Portugal, no que toca a histórias  eque dariam excelentes séries de crime na Netflix. Ou, numa realidade mais à portuguesa, uma nova (e interminável) telenovela da noite. Vá, pessoas do entretenimento em Portugal, ponham as mãos nisto - eu nem cobro pela ideia.

 

Caso Casa Pia

Escandaleira ao mais alto nível, com direito ao glamour do mundo de entretenimento e tudo. Contudo, isto tinha de ser uma daquelas séries da Netflix com muitos episódios. Daquelas que a cada episódio a coisa piora e nos revolta sempre mais - tipo o "Making me a murder" (eu não passei do primeiro episódio, pois aquilo estava-me a comer os nervos!)

No primeiro episódio, começava a entrevista do ex-aluno da Casa Pia à jornalista Felícia Cabrita. Depois, no segundo, um onde "ups, há mais casos". Seguindo-se pelo terceiro, com um "ah e tal, muita boa gente já sabia disso", passando aos envolvdidos e por aí fora. Sendo que se a coisa fosse sucesso, o processo em si, mereceria também a sua própria série.

 

Maddie McCann

Um documentário da Maddie na Netflix tinha o apelo de chamar muito público internacional - afinal, quem é que nunca ouviu falar deste caso? Dava para fazer altas especulações e teorias de conspiração, envolvendo Tony Balir e até uma participação especial do Papa - não deste, mas do reformado.

Uma pena que James Gandolfini (o senhor Soprano) já faleceu, porque acho que ele daria um Gonçalo Amaral (o ex-inspector da Polícia Judiciária) incrível. 

 

Caso Marquês

O Caso Marquês mais do que um documentário, teria de ser algo ao nível serie "O Mecanismo". Tudo que era actor português acabaria por entrar, porque o que não falta são papéis masculinos para ser representados. O Lima Duarte podia também fazer uma perninha, para fazer de Lula ou de Chavez. Acho que o Joaquim d' Almeida daria um bom juíz Carlos Alexandre. Difícil seria escolher quem interpretaria o Sócrates. O Diogo Infante?

 

 

Orange is the new black: O estranho caso da protagonista insuportável

12.08.18

 

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Adooooooro o Orange is the new black! È divertido, mas actual e sempre com temas contemporâneos. Fala de feminismo, racismo, privilégios e sexualidade. Conta as histórias, de forma humana, de mulheres. Umas a quem a sorte lixou a vida, outras pelas más decisões, outras pelos contextos de vida. Ou seja, de mulheres. Todas e cada uma de nós, nos podemos facilmente rever nas personagens e nas suas histórias.

Não se trata de ser coitadinhas, mas sim de explicar como, de facto, um deslize, a falta de sorte, uma má decisão e outras coisas às quais damos tão pouco valor nos podem mudar a vida. E, claro, como a vida dentro da prisão também faz mudar quem lá está.

 

Por isso, gosto tanto dos momentos em que contam o passado das personagens. Adoro que haja personagens odiosas, pois até elas têm um "quê" de humano. A última temporada foi a mais fraquinha, mas é a bater palminhas que inicio a próxima. Vou para o episódio 7, já se falou do Black Lives Matter e isto agora vai MESMO ficar interessante.

 

Ainda assim, o meu desabafo é para a Pipper, a personagem principal!

A personagem mais chata, mais fútil, mais superficial, mais desinteressante do OITNB!

Custa-me ver como nos anúncios promocionais ela é ainda apresentada como se fosse personagem principal. Como se, LITERALMENTE, todas as outras personagens não fossem mil vezes mais interessantes. A Pipper tem de ser a personagem principal mais chata da histórias das personagens principais em TV. Dá-me fastio! Cansa-me. Ponham-na em liberdade!

Amanda Knox na Netflix

04.11.16

Quando descobri o caso da Amanda Knox, foi algures em 2009, porque vi uma notícia sobre um dos julgamentos. Lembro-me de na altura ter ficado perplexa e toca a mergulhar no incrível mundo da Internet a absorver, a colher, a mastigar e a reler mil informações e comentários. O caso é macabro e bem sensacionalista, eu sei, mas na altura acho que mexeu muito comigo, porque no ano anterior estava eu a fazer Erasmus e no naquele momento, estava a estagiar e a fazer o papel inverso, a receber Erasmus. A ideia de que um período, tão feliz para mim, se pudesse converter num show de horrores, impactou-me verdadeiramente.

 

Para quem não sabe, Amanda Knox é uma norte-americana, que aos 20 anos foi fazer um intercâmbio na Itália, tipo Erasmus. Ela partilhava casa com uma estudante inglesa, Meredith Kercher. Meredith acabou morta de forma brutal e o corpo foi encontrado no quarto dela. O alarme foi dado por Amanda Knox e pelo namorado italiano, que mais tarde passaram a suspeitos de assassinato, tendo sido, inclusive considerados culpados em 2007 e tendo chegado a cumprir os primeiros anos pena. Depois de vários apelos, foram libertados, porque o tribunal considerou que as provas forenses tinham erros graves. Pelo meio, um traficante da Costa de Marfim, Rudy Guede, foi e continua preso e outro homem, que chegou a ser indevidamente acusado por Knox, que era afinal inocente. Para mais detalhes leiam AQUI, porque todo o processo é uma verdadeira telenovela.

 

Apesar do horror do homicídio, o que tornou o caso tão mediático era toda a atenção dada a Knox: branca, bonita e empática. Escrutinou-se ao mínimo a sua vida, inclusive as relações sexuais, o que vestia, os locais que frequentava, etc. O diário dela chegou à imprensa. Discutia-se porque sorria, porque usava maquilhagem, por isto e por aquilo. Exploraram-se e seguramente inventaram-se vários detalhes detalhes sórdidos sobre o caso, com historias de orgias, sexo louco, sadomasoquismo, drogas e o diabo a sete!

 

A Netflix lançou há pouco tempo, um documentário, onde alguns dos envolvidos falam o caso: um jornalista, o policia, Amanda e o, agora, ex-namorado, em separado, tecem as suas considerações sobre o caso e a contam o seu lado da historia, para a camera. Sem grandes produções ou cenários. Tudo muito cru. Os autores deram espaço a estas pessoas para falar sobre elas. O que me continua a surpreender é o pouco que se fala da vítima, de Meredith.

 

Tal como na altura, também no documentário da Netflix, é assustador o desinteresse que a vitima gera. Como se ela fosse um mero detalhe! O tema é sempre se Knox é ou não culpada, se é um “lobo em pele de cordeiro”, como ela diz; se é como nós. No documentário, o inspector da Policia Italiana é verdadeiramente vergonhoso. Cheio de constatações ridículas baseadas em Deus e na Igreja, que se baseia em conclusões ridículas para provar que Amanda é culpada! A sério, há um momento no documentário, que ele diz que ela é culpada, porque um homem jamais faria algo assim! Como? Talvez até seja, mas depois de ver as imagens do crime e os argumentos deste homem, fica muito, muito fácil de acreditar na inocência dela. E depois há um jornalista, que conta sem pudor, tudo o que escreveu e inventou e tudo o que fez, para conseguir manchetes de jornal. Houve momentos que, juro, senti nojo... e a certeza que fiz muito bem, em não seguir a via de jornalista.

 

Houve uma jovem que morreu. Pais que perderam a filha, irmãos que perderam uma irmã e, claramente, uma vida interrompida! A vida continua, mais ou menos torta, para todas estas pessoas - o namorado italiano, que ainda está em Itália, agora é tipo o Moita Flores e comenta crimes na TV Italiana. Enfim!