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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

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Se eu pudesse voltar atrás, eu….

07.08.17

Captura de ecrã 2017-08-07, às 16.01.52.png

 

Admiro as pessoas que dizem que “se voltassem atrás, não mudavam nadinha. Nem uma virgula!”. Eu, assim de repente, no sábado tinha era ficado em casa, em vez de ter passado o dia à chuva ou pelo menos tinha calçado umas sapatilhas, em vez de umas sabrinas!

Fora isso, há muitas vezes que mais devia era ter ficado calada; outras em que poderia ter dito algo mais ou pelo menos acertado quando falei.

Entendo o conceito: no geral, a vida vai boa, corre bem e somos felizes, mas se vamos ao particular, nem a vida é sempre boa, nem todos os minutos correm bem, nem somos sempre felizes. Temos momentos. Por isso, parece-me também natural, ter arrependimentos.

 

Este fim-de-semana dei por mim a pensar e a reforçar a ideia de que se tivesse hoje 18 anos teria feito muita coisa diferente. Por exemplo? Não me tinha logo enfiado na universidade. Tinha parado um aninho para crescer e me fazer à vida: 6 meses trabalhava e poupava e nos outros seis, viajava. Assim, livre e solta e fresca e fofa.

Em Portugal, não há o conceito de Gap Year, um ano de paragem, de autodescoberta e de viagem. O Gap Year ou ano sabático é muito comum nos Estados Unidos, Canadá, na Alemanha ou noutros países do norte da Europa. Aqui os pais não vivem tão deslumbrados com o canudo, nem cheios de vontade em enfiar os filhos na universidade! Valorizam-se outras coisas.

 

Viajar, sobretudo, uma viagem de meses, de mochila às costas e pouca coisa planeada é do melhor que há para se sair da zona de conforto e crescer! Explorar o mundos conhecer outras pessoas, viver diferentes culturas, experimentar comidas novas e/ou aprender idiomas. Este (auto)conhecimento torna-nos mais conscientes, mais solidários, mais abertos, MAIS! E, muito importante, é meio caminho andado para darmos valor ao que temos: à família, aos amigos, à vida cómoda, às oportunidades e até ao país.

Se pudesse voltar atrás, eu mudaria isto: aos 18 tinha parado. Tinha convencido a minha mãezinha (sobretudo ela) a deixar-me ir. Ia-lhe explicar como esse ano seria importante na minha decisão e vida futura. Teria passado 6 meses a trabalhar e aprender a dar valor ao dinheiro e à dura realidade que e um trabalho rotineiro e pouco dinâmico.

 

E vocês, mudariam alguma coisa?

O ano sabático da filha do Obama

09.05.16

 

... e, claro, os ressabiados faceboquianos estão contra. Acham mal. Isso de um ano a viajar, é de "riquinha", para "quem pode". Parece que cheguei tarde a todo este mimimi, mas aqui estou!

 

Se pudesse agora voltar atrás e fazer algo diferente, sem dúvida que teria optado por embarcar num GAP Year. Se antes ou depois da universidade, eu não sei, mas com certeza que teria aproveitado para viajar sozinha durante um ano ou pelo menos seis meses, por esse mundo afora.

Nem vou aqui apregoar o bom ou o quão importante é viajar - riqueza sócio-cultural, capacidade de adaptação, conhecer novas pessoas, lidar com o imprevisto, independência, autonomia, confiança e, profissionalmente, a capacidade de abrir horizontes e até enriquecer o cv. Parece-me, isto, algo de senso comum. É pena que os Velhos do Restelo de sempre continuem a ver as viagens como um capricho ou um luxo.

Obviamente que fazer um Gap Year custa dinheiro. No entanto, não é uma actividade de elite e é bastante comum em vários países. Especialmente durante a minha viagem na Tailândia, conheci muitos jovens pré-universitários, de países como o Canadá, Alemanha ou Estados Unidos a fazer o seu GAP Year. A maioria deles, tinha trabalhado (bastante) para conseguir aquele dinheiro.
Recordo-me de uma rapariga alemã que desde os 14 anos que trabalhava em part-time em vários hotéis, a limpar quartos e a fazer camas, com o intuito de viajar. Ou do alemão de 19 anos, que juntou dinheiro durante dois anos e foi cinco meses para a Austrália, trabalhar num bar, para conseguir dinheiro para viajar durante seis meses pelo Sudeste Asiático. Em Portugal, são poucos os menores de 18 anos que trabalham, mesmo que sejam trabalhos de férias.
Ao contrário do que acontece nos nórdicos, assim como no Reino Unido, Alemanha ou Holanda,onde desde muito cedo se começa a trabalhar, inclusive para pagar os estudos. E se formos ter em conta ao dinheiro mal gasto que, salvo a redundância, gastamos, sem dúvida que podemos fazer muito para poupar para viajar.

 

A mim, resta-me o ano sabático. Quem sabe se um dia ganho coragem (e reúno condições) para pedir um aninho sem vencimento e andar a passear por esse mundo fora. Quando nestas férias viajei para a Indonésia, conheci uma portuguesa que estava a viajar durante um ano (já ia a meio) e que tinha pedido uma licença sem vencimento de um aninho... o sonho de uns, já é a realidade de outros!

A verdade é que nem que seja por este detalhe mínimo, como eu gostaria de ser também filha do Obama!