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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

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Ai Jesus os Maias! E ler outras coisas?

19.07.18

Os-Maias-escola.jpg

 

Ontem, andava tudo indignado! "Ai nossa Senhora k-Os Maias vão deixar de ser de leitura obrigatória no secundário! Ai a língua! Ai o Eça"

Possivelmente, estes são os mesmos que só leram o resumo da coisa quando andavam na escola! Mas vamos por partes! Comecemos por um, pessoas, já o deixou de ser - há muito! Isto, porque agora os professores podiam optar pel' Os Maias ou pel' A Ilustre Casa de Ramires. Assim que respirem! O Eça não está a dar voltas na tumba!

Além disso, a ideia é que professores e alunos escolham as obras que vão estudar. Muito válido, na minha opinião. Ou seja, Eça continua lá, forte, mas os professores e alunos poderão optar por outra obra. E o mesmo com as obras a estudar de Almeida Garrett, de Camilo Castelo Branco e outros senhores.

Assim que RESPIREM!

 

E já agora, porquê só ler autores portugueses?

Nas escolas francesas, italianas ou ingleses é comum estudar-se os grandes escritores e obras, não olhando à nacionalidade, mas sim ao génio, impacto da obra, etc. Isto é algo que deveria acontecer também em Portugal, na minha opinião. Abre os olhos, as vistas e alarga horizontes.

Em Portugal, sem ser um Jorge Amado, não se estudam autores estrangeiros e acho que só teríamos todos a ganhar com um pouco mais de Homero, Shakespeare, Dante, Vitor Hugo, Machado de Assis, Charles Dickens, Tolstoi ou Mia Couto (entre tantos outros) na nossa formação.

Escritores com os quais (eu) embirro

29.04.16

Note-se, são escritores com os quais EU embirro. Isto não faz deles gente com menos ou mais mérito, melhores ou piores. É apenas a MINHA opinião, o meu gosto, o meu parecer, ok?

 

Paulo Coelho

Não há livraria que não tenha um livro dele! E não falo só de Portugal, encontro livros dele em todo o lado: na Índia, no Peru,... raios! Lembre-me de ler aos 13 anos a "Verónica decide morrer", mais tarde a "Brida" e era, vá, aceitável. Ainda lhe dei uma terceira oportunidade, com o "Rio Piedra" e depois, deixei-o de lado. Não deu mais! Tudo cliché, banal, tudo treta de auto-ajuda que já se leu, ouviu, viu em 374 mil lugares mais. Não acrescenta nada, não coça, não toca. Não entendo onde está a genialidade, muito menos a originalidade, que justifiquem milhões de livros vendidos ou o êxito mundial.

Quando dava aulas de Português, tinha sempre alunos que liam Paulo Coelho. Cada vez que ouvia Paulo, começava a revirar os olhos... parava logo, afinal "gostos não se discutem", "melhor ler que não ler", "cada um sabe de si" e, olha, "sempre é um autor de língua portuguesa". Ainda assim, admito, dá-me comichões.

 

 

Ernest Hemingway

Eu tentei. Eu juro que tentei! Tentei vezes sem conta "O Velho e o Amor", tentei "O Sol Nasce Sempre" e até "Por Quem os Sinos Dobram", mas não consigo! Chego ali à terceira página e dali não passo. E, sinceramente, nem entendo porquê. Sinto até bastante simpatia pelo Hemingway, sobretudo devido à presença dele nas Brigadas Internacionais, durante a Guerra Civil Espanhola e sempre me comoveu a história do suicidio dele - com a mesma arma com que o pai se matou. Presentinho da mãe (mulherzinha macabra,  meu ver)! Talvez daqui a uns anos a gente se entenda, para já, nada de Hemingway.

 

 

Nicholas Sparks

Este eu assumo: é desses que gosto de não gostar. História de amor alimentadas a pipocas não são a minha coisa. Admito que possa estar a ser snob, mas como disse em cima, são coisas com as quais EU embirro. São birras minhas. O Sparks é bom no género dele, faz as pessoas lerem (querem melhor do que isso, num mundo onde quase ninguém lê?) e ainda lucra (e bem). Se calhar é só inveja (minha).

 

 

Erika Leonard James

Juro que tiver de ir ao Google ver como é que ela se chamava. Eu li, meio na diagonal o livro das 50 Sombras da Erika e achei mau, muito mau, mas OK. É um estilo e, lá está, pôs meio mundo a ler e outros quantos a pinar mais e melhor - beza-a-deus por isso (eu cá acredito que gente que pina bem, é mais feliz!). O livro é mau. É mal escrito e a história da Cinderela moderna, que só pina e sujeita-se, porque "ama" dá-me cabo dos nervos! Ora então, a moça não pode pinar por verdadeiro gosto e porque gosta? Só se submete... por amor?

Adiante, aé porque na verdade, eu comecei a ficar-lhe com alergias depois de ler uma entrevista dela. Fiquei louca ao ver como a autora era pretensiosa. Ela achava mesmo que sim, sim senhora, era uma grande escritora a merecer um Nobel. Raios. Na altura do filme, havia também muito zumzum por causa dela, pelas suas exigências e como dificultava a vida aos produtores e realizadores, tendo sempre algo a dizer. Ok, podem dizer, o livro é dela, a história é dela. Obviamente que tem todo o direito a meter o bedelho, mas convenhamos, ela escreveu as sombras do Grey, não escreveu "Hamlet", nem o "Ensaio da Cegueira", nem os "Cem Anos de Solidão"! Assim que, Erika, calma amiga!

 

 

José Rodrigues dos Santos

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Confesso, que não sou muito admiradora do estilo do investigar-mais-esperto-que-toda-a-gente-e-que-descobre-tudo-e-todos - prova disso, é que do Jaes Bond, ao Sherlock não sou leitora de nenhum. Mas o José Rodrigues dos Santos tem um estilo de escrita (oh-pra-mim-que-sei-muito) que me chateia. Ele sabe. Ele investiga. Tem bastante mérito, até porque ao contrário de Dan Brown, ele não inventa. 

Sinceramente, acho que o principal problema é que é difícil dissociar o autor do personagem. O personagem principal pode ser o cão Bobi ou o calceteiro Ramiro, que na nossa cabeça, continuamos sempre a escutar o José Rodrigues dos Santos, qual professor de História cinzentão, a discursar sem fim.
Mas lá está, milhões de livros, direitos comprados, traduções em 20 (acho) idiomas. Ok, ele põe gente a ler. E isso é bom - muito bom! Mas caramba, também não faz dele um Lobo Antunes, nem um Saramago - por mais que o José Rodrigues dos Santos ache que sim!

 

E vocês, com que escritores embirram?