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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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Vamos fazer de conta de que não foi com o Cristiano Ronaldo?

08.10.18

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Mais do que o caso em si, os comentários que vou lendo e ouvindo à alegada violação de Cristiano Ronaldo é o que mais me te consumido os nervos. Será que alguém leu a reportagem do Der Spiegel? Será que se não fosse Cristiano Ronaldo e se fosse o Zé Tó ou Trump, que os comentários seriam os mesmos? Cristiano Ronaldo é dos nossos, talvez o melhor dos nossos e parece que em muitos dos seus defensores há uma dona Dolores em potência! Não importa a idade ou genero, nem classe social ou instrução. As marcas do machismo estão aí!

 

Vamos começar pela parte em que o Der Spiegel expõe, e de uma forma bastante sustentada, recorrendo a provas e a indícios fortes, o que aconteceu em 2010. 

Cristiano Ronaldo e uma moça envolvem-se e a coisa termina muito mal, com ele (sempre alegadamente) a cometer uma violação anal. Sabemos que tudo isto é verdade, porque ela fez queixa à polícia e há indícios médicos que o provam. E há aqui que entender umas quantas coisas, válidas para este caso e para outro qualquer.

Mesmo que ela seja a mais puta das putas, a mais badalhoca das más pessoas e megeras oportunistas ressabiadas, nada, NADA justifica uma violação. Nem a torna impune.

"Ai e tal ela foi com ele, sabia ao que ia!" Oi? Sabia? Vamos imaginar que ela é a rainha das prostitutas badalhocas ou o amor da vida toda. É válido, neste e noutro caso, que a meia da penetração ela/ele diga não. Seja porque mudou de ideias, seja porque está a doer ou porque tem a panela ao lume. Se depois disso o o outro (ou outra) continua e força, significa violação. Abuso. E isso é crime. Um crime horrível.

 

E é aqui que o caso de CR sai fragilizado, pois os documentos apresentados pelo Der Spiegel demonstram que ele terá dito que ela disse não e para parar.

 

Quanto ao acordo, primeiro há que entender que os acordos extrajudiciais são bastante comuns nos EUA. A ideia é permitir que o nome das vítimas seja mantido em segredo e evitar, assim, o estigma. 

Além disso, como as leis para crimes sexuais ainda deixam muito a desejar, muitos advogados de defesa optam por este caminho como forma de assegurar alguma justiça - mesmo que seja apenas financeira. Sim, financeira. Receber dinheiro. Pasta. Cacau. Não sei se andam distraídos, mas em muitos crimes, também em Portugal, é comum existir a compensação monetária. Seja pelos danos feitos ao carro, seja quando morre um filhos por negligência médica.

E juntem a isso, o poupar a vítima a uma tremenda exposição e a um julgamento sem fim. Imaginem-se, só por três segundos, ser violados e depois sentados em tribunal a contar a para todos a história que tanto querem esquecer. Pior ainda, imaginem que o vosso abusador é um homem que ultrapassa o conhecido, é idolatrado. Acham que tinham coragem de passar por tudo isso? De dizer quem ele é?

 

O Der Spiegel refere esta parte, mostrando que durante todo o processo a vítima foi sempre aconselhada a não avançar, por ser ele quem era. Também por isso, ela nunca quis dar o nome do agressor, nem quando fez a primeira queixa - razão pela qual na altura a polícia não pode dar seguimento à investigação. E esta parte não é um detalhe, pois os próprios advogados de Cristiano Ronaldo deixaram bem claro no acordo, que nem ao terapeuta, ela poderia indicar quem era o agressor. E ela não falou.

 

O caso veio agora à tona com a investigação do Der Spiegel, que já no ano passado fez desta história notícia, mas claro ninguém acreditou. Ainda mais, porque não havia vítima. Não havia um nome - sim, ela recusou-se a falar.

 

  • "Porquê falar agora?"

Eu acredito que há várias razões. A primeira foi ver que o Der Spiegel não ia desistir facilmente - inclusive, apareceu uma jornalista à porta de casa dela. Depois, porque (por fim!) esta mulher obteve ajuda legal competente, que tem revelado as várias falhas do acordo feito em 2010, inclusive o desprezo que a defesa nutriu por ela, enquanto vítima. E também porque, acredito eu, sente uma necessidade de contar a sua história, fazer ouvir a sua voz. O ambiente é também favorável, afinal o #metoo veio dar voz a muitas vítimas, homens e mulheres, de abuso que anos depois, conseguem agora libertar-se e dar os seus testemunhos.

E se estão atentos, ela deu uma entrevista e desapareceu. 

 

Novamente, não me compete a mim julgar, nem a ninguém, mas pensem. O que tenho lido e ouvido, o preconceito e o machismo, dão medo. Muito medo! E volto à questão acima, será que se não fosse o protagonista da história Cristiano Ronaldo, seriam estas as reacções?

Pessoas dos blogs querem visitas? Falem do Ronaldo

14.06.17

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... é que nem precisam de o insultar à séria, nem acusar! Basta associá-lo a qualquer facto/acontecimento menos positivo. Acredito que nem tem de ser um facto relacionado com a vida do senhor. Se o associarem ao aquecimento global ou à extinção dos ursos polares também serve. Caramba, isto hoje é que foi razia de visualizações, de comentários e de gente azeda e mal-educado. Lição aprendida! Bem, vou dormir.

#deixareiOronaldoEmPaz #queSaFoda (como disse o poeta)

Paga os impostos, Cristiano

14.06.17

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Ontem saiu a notícia que Cristiano Ronaldo foi acusado de fraude fiscal em Espanha, qualquer coisinha como 14,7 milhões de euros. Diz-se que além de uma multa de 28 milhões, ainda existe a possibilidade de prisão efectiva.

 

Vivi cinco anos em Madrid e esta suspeita não é nova. Já há muito que a Autoridade Tributária em Espanha anda a investigar Cristiano Ronaldo e outros jogadores de futebol - o Messi e o Neymar já foram acusados. Como pessoa que pagou taxas, impostos e afins às Finanças Espanholas, o que sempre me chateou foi saber que as taxas de imposto que pagava eu e um jogador de futebol do Real de Madrid ou do Barcelona eram exactamente as mesmas. Saber (em caso de culpa) que, ainda por cima, não as pagam, deixa-me, como cidadã, fula.

 

Se o Cristiano sabia ou não, não me importa. Isso terá ele de resolver com quem lhe trata das contas. E, claro, terá de responder à Justiça.
Eu tenho contabilista, rezo todos os dias aos santinhos para que ele não cague em nada, pergunto e tiro dúvidas, preocupo-me - e, no meu caso, preocupo-me em pagar tudo o que tenho a pagar, pois a minha receita líquida não requer grandes cuidados ou investimentos. Se vier o Fisco, eu, pessoa adulta, sou a responsável. A cara é minha, o nome é meu, as multas são minhas, assim como as consequências. Não vai ser o contabilista a responder por mim, certamente.

 

Ainda assim, o que mais me custa a entender é a cegueira das pessoas. Até onde vai este amor incondicional, quase tão irracional como um de um pai/mãe para com um filho, que começa a alegar invejas, teorias da conspiração e afins, na defesa do seu menino. Não compete a nenhum de nós julgar, isso é trabalho dos tribunais, mas (convenhamos) menos.

 

Quer Espanha, quer Portugal são países com uma intensa (e sem fim à vista!) cultura de corrupção. Mover processos contra este tipo de figuras, investigá-los e construir casos não é fácil - e o raio da Lei que nunca mais muda! Sobretudo, quando são estas super-estrelas-famosas-intocáveis protegidas por um lobby tão gigante como o do futebol - e até da política, no caso do Real de Madrid. Não deveríamos estar um pouquinho satisfeitos, não pela desgraça alheia, mas por ver a Justiça a avançar?!
Por que raio em praça pública, os impostos do Cristiano Ronaldo e do Benfica são diferentes dos do Passos Coelho, do Ricardo Salgado ou do Sócrates?

 

Não pagar os impostos é feio, é crime.
Esquemas de lavagem de dinheiro é mesmo muito feio e é um crime ainda maior.
Ter tanto dinheiro e praticar tudo isso, ultrapassa o criminoso, é imoral.

Mas de repente toda a gente odeia Portugal?

03.07.16

Em anos a viver fora de Portugal e a viajar, já me deparei com várias coisas. Gente que não sabe que Portugal é um país ou que o português um idioma. Pessoas que acham que Portugal faz parte de Espanha. Há quem me console dizendo que "talvez um dia, Portugal entrará na União Europeia" ou simplesmente que considera Português e Espanhol, os idiomas, a mesma coisa. E, sinceramente, não me chateia. Entendo perfeitamente que alguém no Irão não saiba que Portugal existe ou que um habitante do Peru desconheça a língua portuguesa, assim como um letão. Ninguém tem de saber de tudo e, verdade seja dita, na actualidade, somos um país pequeno e de pouca expressão económica ou cultural.

Também nunca me ofendeu que mais gente soubesse da existência de Portugal mais graças ao Eusébio, ao Figo ou ao Cristiano Ronaldo e ao Mourinho, do que graças a Camões, Pessoa ou à Amália. Mesmo no Camboja onde o futebol não é rei, gritavam "Ronaldo" quando ouviam falar de Portugal ou na Índia me contavam histórias sobre o Eusébio.
Eu que sou da Académica por principio, não acompanho campeonatos, nem sei quem marca golos ou treina o quê; nunca me aborreci por falar de futebol com estrangeiros. Diverte-me.
O futebol é um tema de comunicação comum, une pessoas e, da minha parte, só lhe tenho a agradecer por isso. Sobretudo em viagem, corta o gelo, possibilita conversas e facilita interacções. Obrigada ao Eusébio e ao Figo e aos outros todos por isso.

 

Mas de repente, parece que todos odeiam Portugal. Esperam que Portugal perca, ficam nervosos e vermelhos quando falam do Ronaldo e mais do que a equipa A, B ou C ganhe, querem que Portugal não vença, que perca.

Eu não tenho TV e quanto aos jogos do Euro 2016, só vi alguns - inclusive de Portugal. Ou seja, mesmo sabendo do que se passa, estou um pouco à margem deste ruído e histeria mediática. Cheira-me que demasiado Cristiano Ronaldo e pouco Portugal... e não é só nos meios de comunicação portugueses, onde amar/odiar o CR/ é desporto nacional.

 

No entanto, todo este ódio é novo para mim. Como disse, por norma, as pessoas não sabem que Portugal existe, desconhecem/querem ir ou adoram. Esta negatividade é uma novidade e eu fico sem saber como reagir. Até porque, apesar de apoiar Portugal, eu continua achar que em termos de jogo, deixam muito a desejar. Da mesma forma que acho que o Cristiano Ronaldo um jogador do caraças, mas que é também alguém com atitudes parvas. Ele pode ser as duas coisas, porque todos nós SOMOS bons e maus, com virtudes e defeitos.

Todavia, esta raiva, este ódio,... nós que somos tão fofos! Recebemos tão bem. Portugal é tão porreiro! Oh futebol, oh Cris, não me lixem a vida!