Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Dilemas morais de duas rodas

13.10.17

bicileta-berlim.png

 

Eu sempre disse que gostava mais da bicicleta do que de chocolates, mas agora tenho a certeza!

A bicha andava mal! Havia dias que os pedais, nem para a frente, nem para trás e lá acabava por ser eu a passeá-la, em vez do contrário. Levei-a ao doutor das bicicletas, que imperiosamente disse que a minha pequenina era velha! Obrigadinha! Como se nesta terra valesse a pena ter uma novinha em folha, cheia de mudanças e capaz de subir montes e como se um mês de inverno em Berlim não fosse suficiente para acabar com a desgraçada! Isso, ou esperar que algum ladrão a levasse - são gente esperta, só levam as boas. Adiante! Dilema e moral da história: custa-me mais arranjá-la do que comprar uma nova.

 

Sempre gozei com as pessoas que davam beijinhos aos carros e agora… agora olhem para mim!

Voltar a Berlim, depois do atentado

29.12.16

IMG_20160910_021236.jpg

Em Berlim, a questão nunca foi "se" iria haver um atentado, mas sim "quando" iria acontecer. Quando ocorreu o atentado ao Mercado de Natal de Breitscheidplatz, que matou 12 pessoas e feriu cerca de 50, eu estava em Portugal.

Como Berliner que já me sinto, soube desde o primeiro minuto que Berlim iria superar isto, que as pessoas iriam sair de casa no dia seguinte e continuar com a vida de todos os dias. Ao contrário do que aconteceu em Nice, em que todos se uniram para cantar a Marselhesa, Berlim iria continuar firme, até porque Berlim é muitos: muitos países, muitas vozes, muitas línguas, muitas culturas, muitas vidas, muitas vontades. Já o resto da Alemanha, eu não sei! Ainda mais porque em 2017 haverá eleições e a extrema-direita foi a primeira a criticar Merkel, publicando um cartaz dela, com as mãos cheias de sangue, numa alusão às políticas de acolhimento refugiados na Alemanha da chanceler.
Como dizia, Berlim está preparada: sem nacionalismos, sem extremismos; já o resto da Alemanha, eu não sei. Até porque vivendo aqui, posso assegurar que a Merkel está muito longe de ser o pior da Alemanha ou até da Europa.

Alemães

05.11.16

Ich bin ein Berliner

 

Por norma, descreve os alemães como uns fofinhos, meio autistas, muito metidos no seu mundo. São gente que não apanha ironias, não entendo sarcasmos e segundos-sentidos não é com eles. Eles acreditam que todos param no sinal Vermelhos e que as leias são para seguir. São como umas crianças ingénuas, que parecem que não conseguir ver ou acreditar que há um mundo de caos e gente que desobedece.

Essa é a maravilha de viver num mundo de regras: dá-nos segurança e tranquilidade. Sabemos que o metro vai mesmo chegar em 2 minutos (não em Berlim, que isto é o Faroeste da Alemanha); que o carro deixa-nos passar e que as criancinhas podem ir de bicicleta na rua, porque, afinal de contas, vivemos num mundo civilizado, Os alemães são também um bocadinho assim:

 

sub-buzz-31448-1477138605-1.jpg

 

 

 

 

 

 

 

*Nota: este texto está pegando de estereótipos e é para rir, ok? Os alemães são fixes. Há alemães corruptos e alemães que não chegam a horas aos encontros. O mundo fixe, não fiquem nervosos!

Tipos de ciclistas em Berlim

05.10.16

Já aqui falei de como andar bicicleta em Berlim me faz feliz, excepto com o senhor meu moço, que me deixa os nervos em franja. Foco! Foco! E voltemos tema Depois de um ano em Berlim e de meses de trabalho de campo, anotações e recolha e análise de dados, aqui ficam os tipos de ciclistas made in Berlim - só para rir um pouquinho, que para tristezas já basta o sacana do inverno! Sim, eu sei que é Outono, mas olhando para a janela, ninguém diria!

 

O Speedy González

600_402358992.jpeg

Ainda o laranja não deu um ar da sua graça e alaaaaa, lá vai ele cheio de pressa e energia. O ciclista Speedy González finta carros, ultrapassa ciclistas, mete-se entre autocarros, salta passeios e quatro minutos depois, lá nos encontramos nós outra vez, junto ao semáforo seguinte - sim, porque ele para no Vermelho, que isto é Berlim, não é o Velho oeste!

 

O quitado

O quitado é um ciclista preparado. Ou simplesmente, é alemão. O quitado tem capacete, tem luvas,... Mas o mais importante é que o ciclista quitado, em termos de vestimenta, faz ver a muitos profissionais, do Giro a Itália ou do Tour em França! Ele é calção de licra coladinho à pele e a fazer pandan com a camisola, juntamente com a bela da sapatilha desportiva. E, claro,a mochila, sempre gorda e sempre cheia. O ciclista quitado é aquele que chega ao trabalho, toma banho e ainda muda de roupa.

 

 

O Berliner 1.0 ou o Bambi

Quando se inicia nesta vida de bicicleta em Berlim, o Berliner 1.0 é tipo um Bambi, mas com a mãe. Ele para em todos os semáforos e olha umas quatro vezes para a direita e outras quatro para a esquerda, antes de atravessar. O Bambi ainda não está confiante, mas dêem-lhe tempo... sim, amigos, os Bambis crescem!

 

O Berliner 2.0

O Berliner 2.0 é uma versão do Bambi, um mês depois. No fundo, continua igual à versão primária e com a bicileta ranhosa, só que já é mais confiante. Já sabe algumas manhas e já arranca quando o semáforo está cor-de-laranja, em vez de ficar à espera da luz verde. É a evolução, como disse o outro. No entanto, nada temam, pois o dentro dele ainda há um Bambi e cada vez que tem que passar pelo meio de camiões e autocarros ou um carro passa mesmo ao lado, o Berliner 2.0 fica com o coração nas mãos!

 


Os "isto é tudo nosso"

Uso o plural, porque não existe um ciclista "isto é tudo nosso" pois, esta é uma classe que se movimenta aos pares e pedalam, literalmente, lado a lado. São aquela gente irritante e (digo mais) enervante, que até numa subida, continuam com fôlego para falar da vida. E que dizer quando os casalinhos vão de mão dada? Alguém que vá atrás e queira ultrapassar estas alminhas está bem fooo... lixado! É que eles não dão espaço, não se alinham, nem deixam passar. Mas o que os torna verdadeiramente confiantes é quando nem com os carros a passarem desfazem o duo dinâmico e isto, meus amigos, é obra.

 


A super mãe/O super pai

Não, não é a cadeirinha de plástico na parte detrás da bicicleta que os denuncia - isso, no fundo, é uma marca materna/paterna de Berlim (cada vez que penso que a sociedade espera a mesma proeza de mim, caso venha a parir nesta terra, até se me dá um chilique!). A super mãe e o super pai têm a dita cadeirinha atrás e ainda andam com um carrinho anexado (não importa se à frente ou atrás), onde levam o resto das crias. A super mãe e o super pai são pessoas que pedalam e bufam, bufam muito. Há que respeitá-los.

 

 

Os paizinhos

Toda a gente se emociona coma amabilidade destes pais, cuja paciência é infinita e deviam ser canonizados. Quantos de nós teríamos pachorra para pedalar na estrada a passo de caracol, enquanto o nosso rebento de tenra idade vai no passeio, a aprender as leis pelas quais os ciclistas se regem?! Na minha opinião, estes pais andam é a enganar a sociedade, porque o que eles querem é que o puto seja auto-suficiente e capaz o quanto antes, para terem de deixar de os carregar para todo o lado, espertos!

 

 

O passado dos corn... desculpem, o maluqinho

Se é bem verdade que a vida de ciclista em Berlim, está longe de ser perfeita (ainda há muito para melhorar), dá 5 a zero à maioria das cidades europeias. No entanto, shit happens: um carro que se mete onde não deve ou que se chega demasiado à ciclovia, um peão que atravessa fora de tempo, etc. Obviamente, nestes momentos de susto a adrenalina sobe e uma pessoa é capaz de muita coisa. Mas nada supera os exaltados que dão patadas nos carros ou murros ou que gritam às almas que passam. Outra forma de os identificar é através da campainha, é que os maluquinhos andam sempre no blim-blim-blim, nem que estejam a cinco metros do local do crime. São gente que gosta de dar de si!

 

Eleições na Alemanha: em quem votar?

17.09.16

alemanha.jpg

Amanhã são as eleições aqui no burgo e eu já posso votar, apesar de só viver em Berlim há um ano! Note-se que são eleições para a cidade, nada a ver com a Merkel ou com a Alemanha, estarei apenas a eleger quem vai nos próximos cinco anos decidir a vida do meu bairro, algo a que os alemães chamam fofamente de Bezirksverordnetenversammlung!

 

 


A questão é: em quem votar?
Levo mais de meia hora a ler programas de partidos e a fazer teses e a pesquisar, para ver se consigo tomar uma decisão. Mas para já, o mais fascinante é:

- Existem 21 partidos (sim, 21!!!)! 21 partidos!!

- Destes 21, dois são de extrema-direita! Como é que isto é legal e pode existir, eu não entendo.

- Há um partido, com um arco-íris no logo, mas cuja grande preocupação é a dos animais.

- Um partido chama-se Piratas - Piraten Berlin.

- Outro dedica-se sobretudo a questões associadas aos mais velhos. Há ainda outro que defende que parte do dinheiro do bairro deve ser investido na investigação de doenças associadas à velhice.

- Existem pelo menos dois partidos que se focam na educação espiritual e são para gente com uma visão holística do mundo (wtf!!!).

- Estou quase a votar nos comunistas, porque defendem as 30 horas de trabalho semanais!

- O Die Partei tem como fundamento uma revista satírica alemã, chamada... Titanic.

- Vários partidos defendem que todos os habitantes devem ter uma renda fixa dada pelo Estado.

- Parece que um dos principais temas a debate é sobre o estacionamento no meu bairro.

- A (quase) confirmação que a Merkel é bem mais de esquerda do que a Europa pensa que ela é!

 

Que animação! Estou fascinada!