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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Creches sem espaço exterior

14.05.21

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Ora, ora, ora: vamos lá falar do flagelo das creches. Creches em apartamentos. Creches em moradias. Creches em casas. Creches onde os miúdos brincam e dormem na mesma sala. Creches sem espaço exterior.

Sobretudo este último: creches sem espaço interior, sendo que ter dois metros quadrados de varanda ou de terração NÃO conta como espaço exterior! 

 

Agora a sério, expliquem-me em que momento é que estar na rua, ao ar livre e ter contacto com a Natureza deixou de ser crucial para o desenvolvimento e crescimento de uma criança - independentemente da idade ou fase de desenvolvimento! 

“Ai aqui os meninos cantam e dançam!”, sim, ok, mas e o resto: o espaço para correr? E para cair? O sujar? O poderem gritar no exterior? Onde é que fica isso?

“Ai nós cuidamos bem dos meninos. É tudo limpinho!” Claro que sim, ninguém coloca isso em causa! Mas e onde é que se brinca apanhada e às escondidas? Onde é que estão os baloiços?

“Ai levar os meninos ao parque nem pensar, porque é uma responsabilidade!" Obviamente que é, mas não deveria fazer isso também parte do trabalho de cuidar?

 

Notem que falo de creches legais, apoiadas pelo estado e pela Segurança Social. Não me refiro nem a amas, nem à creche clandestina da vizinha, no vão de escada.

Não consigo conceber a ideia de que crescer não passe pela rua e pela natureza. Ter - e ver - crianças tão pequenas já fechadas em quatro paredes parece-me quase criminoso! A sério que isto é legal e que é assim que queremos educar futuros adultos?

Parem de dizer isto às mães/pais

02.03.21

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“Depois habitua-se ao colo”

… claro, porque todos sabemos que adolescentes de 13 anos adoooooram andar ao colo dos pais! Amam! E dormir com eles?! 

Quem nunca, aos 25 anos, se atirou ao chão e fez birra no supermercado a pedir colo à mãe que atire a primeira pedra!

 

“Deixa-o chorar!”

Quando vemos uma criança de cinco anos a chorar, vamos lá e consolamos. Se formos decentes, fazemos o mesmo com um adolescente, com um marmanjo de 18 anos e até com alguém mais adulto. Mesmo quando vemos um velhinho a chorar, a tendência seria ir lá, perguntar se está tudo bem e consolar.

Alguns de nós, tem até a tendência de fazer isso quando vê um desconhecido a chorar, sendo que facilmente da pergunta se passa ao conforto físico. Nada contra. Tudo certo.

Então, por que é que é suposto que um pai ou uma mãe deixe O SEU bebé a chorar, em vez de o consolar?!

 

“Vais estragar o bebé”

Ui! Estragar como? Avario-o? Como é que se estraga uma criança? Puxamos uma perna e essa fica maior do que a outra!

 

“Porque antes, fazia-se X!”

Primeiro, que maravilha que é ver a ciência a avançar! Fazem-se novas descobertas, chegam-se a novas conclusões, enfim: é bonito ver que as coisas mudam. O que é indicado e tido como bom hoje, deixará de o ser amanhã ou daqui a 15 anos.

Triste - e chato - é ver quem ficou lá trás a insistir que sim, só porque sim que antes é que era e que se devia fazer A, B e C. Agora vou ali dar "sopas de cavalo cansado" à criança e já volto!

 

“Porque o meu filho, ...”

Notem que a maioria das pessoas quando faz este tipo de comentário, quer sempre ressalvar que a sua cria é mais. Ou seja, é um porque que vem seguido de uma ideia de superioridade. Mas, não se deixem enganar! Mais do que demonstrar que a criança era melhor/superior/mais evoluída e mais à frente, realça o quão incrível era essa pessoa como mãe/pai. 

 

“Dá-lhe fórmula! Não, só leite materno! Bom é leite materno até aos 3 anos! Começa já com os sólidos! Ainda não come papas?”

Ai senhores, deslarguem-nos! 

 

"Daqui a uns tempos vais ver"

Esta ameaça é válida para tudo: se dizemos que algo vai bem! Cuidadinho! A tendência será piorar! Se a coisa vai mal, então, a tendência será (também) piorar!

O que ninguém nos conta sobre o pós-parto

16.02.21

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Depois de contar aqui verdades verdadinhas sobre ter um bebé, achei que o tema do pós-parto também merecia um artigo. Porque, caramba, que bofetão - e isto num parto tranquilo e pacifcio, sem grandes traumas.

 

O recobro da maternidade

Depois de parir, chegar à ala do recobro da maternidade, é tipo chegar à enfermaria de um campo de batalha. Ali descobrimos que há sempre quem esteja pior do que nós e de como há muitoo romance nas histórias do "dar á luz"! De repente aqueles pontinhos que levamos são, só mesmo isso, uns meros pontinhos!

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  • Ah: para quem levou pontos, aqui fica uma dica: tenham em casa uma almofada para as hemorroidas, pois esta será a vossa melhor amiga nos dias seguintes. Intimas.

 

Sobre a mala da maternidade e a inutilidade 

Quando voltamos a casa, damo-nos conta de que metade das coisas que levamos para a maternidade e que tivemos tanto cuidado em colocar na mala, não falhando nenhum item, afinal não foram precisas.

 

Cuecas da incontinência: essas grandes amigas

Obviamente que depois de parir, nos dias seguintes, as hemorrogias são comuns. Na maternidade, dão-nos umas cueconas e uns pensos gigantes que pouco valem, sobretudo para tanto fluxo. É neste cenário que descobrimos como as cuecas da incontinência para senhoras de 60 anos (nãoo desfazendo) podem ser as nossas melhores amigas.

 

O cocó libertador

Ora, ora, ora: nada é mais estranho do que o primeiro cocó após ter um bebé. Parece que tudo vai sair por ali - intestinos, estômago, esôfago e pulmões! Isso, sempre com o medo de “ai jesus, que não-se-me-rebentem os pontos”!

Ao mesmo tempo, aquele primeiro cocozinho, por mais pequenino, é essencial: sem ele não saímos da maternidade.

 

A verdadeira barriga flácida

Ninguém sabe o que é flacidez, até pôr uma criança no mundo! A barriga fica tipo gelatina!

 

Fome, fome e fome

Muito se fala de fome e de desejos de grávidas. Contudo, nada se compara com a fome e a vontade de comer porcarias (vulgo doces, bolachas e chocolates) que (nos) dá quando amamentamos! Vinde a mim os Filipinos!

 

Novo odor corporal

Outra novidade é o constante cheiro a leite que abunda no nosso corpo e na nossa roupa roupa! Isso e o suor, mais intenso do que nunca! Podem pôr desodorizante mais vezes, tomar banho todos os dias (aliás, devem!) e até tentar o perfume: este é um odor que fica. Dizem que ajuda o bebé a encontrar o peito/identificar a mãe! Certo!

 

Perda de cabelo

Felizmente, não acontece a todas. Mas para muitas, depois do cabelo lindo e maravilhoso dos dias de gravidez, lá para o quarto mês é vê-lo a cair. Resmas dele!

 

A importância de ter amigas com filhos

Obviamente que as avós são fixes, a opinião das tias é bem-vinda e o colo dos amigos bem recebido. Mas nesta hora, nada melhor do que ter amigas com bebés com quem trocar impressões e a quem pedir dicas. Note-se que falo de amigas, falo das que foram mães recentemente e não das que tiveram um filho há dez anos e já padecem de amnésia maternal!

Melhor do que a melhor amiga, é escolher amigas que de alguma forma pensam como vocês, com um estilo e filosofia de vida parecidos. Não que as outras estejam erradas, mas procurem alguem que, de alguma forma, esteja na mesma página que vocês.

 

Pedir ajuda

Nesse sentido, e para terminar, peçam ajuda - seja à familia, aos amigos e/ou a profissionais. É normal que tenham dúvidas e que muita coisa falhe. Não são piores mães por isso. Não sofram por antecipação: lidem com um problema de cada vez.

O que ninguém nos conta sobre ter um bebé

12.02.21

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Tenho para mim que ou os pais têm memória curta e passado anos só se lembram do bom ou são todos uns valentes mentirosos! Raro é o pai ou a mãe que, passado anos, diz algo negativo sobre o seu bebé. Pior ainda, quando anos se passam.

Por isso, pessoas que vão ter um bebé, aqui ficam algumas verdades bem verdadeiras!

 

Amamentar pode doer - e é cansativo

Sim, amamentar é importante, mas caramba: também pode doer e ser uma m*! E uma vez resolvido o problema - sim, (por vezes) dá para resolver - pode também ser muito cansativo e/ou não dar gosto/prazer nenhum. São horas e horas e horas de mamas de fora. Se têm sorte, falamos de mamas para fora a cada três horas. Digo “sorte”, porque muitas vezes os intervalos podem ser menores. Ou isso, ou apanharem um bebé que não mama/pega bem. Ou que tenha refluxo. Ou que… Enfim: muitas coisas podem mesmo tirar toda a magia da amamentação.

Por isso, se amamentam, tudo muito bem. Se dão fórmula, tudo muito bem na mesma. Que se lixe a opinião dos outros!

Também ninguém nos diz que durante a amamentação não há perfume que nos valhe: tudo cheira a leite! TUDO!

 

Mães: as noites podem ser muito solitárias 

Mesmo que tenham ao vosso lado um pai decente, dos que muda fraldas e acorda para adormecer a criança (para muitos é o tal “super pai” com o qual temos, nós mulheres, muita “sorte em puder contar” pffff); a verdade é que se estão a amamentar, não há muito que ele possa fazer. Não mesmo. 

Por esta razão, consigo entender muuuuuito facilmente que entre o cansaço, as hormonas e/ou a privação de sono, muitas mulheres desenvolvam um ressentimento face ao pai da criança! Até, porque não é só alimentar. Depois vem o arroto, a fralda, o voltar a colocar a dormir…. E tudo para repetir tudo horas depois!

 

Sobre os bebés que dormem toda a noite

Não há nada mais bebé do que lutar o sono. Mal pode com os olhos abertos e os bocejos sucedem-se, mas ele insiste e persiste em querer ficar acordado! E em acordar, por vezes, de hora a hora!

Apesar disto ser a regra e das coisas mais bebés que um bebé pode fazer, anos mais tarde todos os pais parecem-se esquecer disso! E do duro que é, sendo a privação do sono uma coisa real e que física e psicologicamente acarreta sérios problemas! Sim, há bebés que dormem a noite toda, mas isso não é regra. É tipo o Euromilhões dos bebés!

 

Podem ficar ricas...

… se cobrarem 1€ por cada vez que  ouvem um “no meu tempo não era assim” ou “eu com o meu José Maria fazia X” e entre tantas outras opiniões indesejáveis ou inúteis.

Não me levem a mal, opiniões e conselhos são muito bem-vindos. Contudo, há uma linha entre a opinião que ajuda e é construtiva e a que destrói uma mãe e um pai por completo. Também não sou das que acha que os pais é que sabem. Todavia, sejamos francos: quando os pais se queixam de que o puto berrou durante três horas sem parar, 99% das vezes, eles já confirmaram que o bebe não tem fome, nem a fralda suja, etc.

Também é muito diferente dizer “já consideraste aquecer o lençol do berço para o bebé não acordar?” de “vais estragar a criança por andar sempre come ela ao colo”!

Ah: e por cada “estragar a criança”, cobrem dois euros!

 

Bebés são como gajos de Alfama, mas mais barulhentos

A sério: quanto barulho, sobretudo a dormir, pode fazer uma coisa tão pequena?! Não falo de ressonar, falo mesmo de ruídos variados e altos - muito altos?!

Além disso, como é possível que uma coisa tão pequena peide (pardon my French) tão alto e cheire tão mal? O mesmo digo dos arrotos!

Enfim: só lhes falta vir com um palito e a gritar “Benfica” para serem os verdadeiros “gajos de Alfama”.

 

Sai demonio

Se, por vezes, os sons que lhes saem são bem demoníacos, o exorcismo fica completo quando adormecem, fecham os olhos e os entreabrem, sendo possível ver a parte branca a rolar - MEDO! Sobretudo à noite, quando está tudo às escuras e só se vê aquele branco de um lado para o outro.

 

Rotina

Ter um recém-nascido em casa é excitante, mas convenhamos, nada é mais rotineiro do que um bebé: eles dormem, comem, arrotam e há fraldas (muitas!) para mudar. Isto várias vezes por dia. Durante muitos dias! 

Progressivamente, a coisa vai melhorando, no sentido em que eles vão crescendo e há mais interação, mas até lá os dias são uma sucessão de rotinas, com os sábados a serem iguais às terças! 

 

Bebés são seres manhosos - e em constante mudança

Pais: assim que descobrem algo que funciona, o sacana do bebé troca-vos as voltas! Pumbas! Deixa de funcionar! Bebés estão sempre a mudar. Hoje não gostam de chupeta e passado cinco dias é a sua melhor amiga. Agora chora com a musiquinha e semanas depois, só se acalma assim!

Por isso, há que ser flexível e estar sempre disposto a mudar e a experimentar coisas novas.

 

E por aí, que coisas é que descobriram quando levaram o bebé para casa?

Para as mães que se arrependem de ter tido filhos

07.08.17

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Um dos posts mais lidos neste casa, foi um onde eu perguntava se havia alguém que já se tivesse arrependido de ter filhos.

Eu não tenho putos, penso em tê-los… um dia… lá para a frente! E há sempre duas coisas que me apoquentam: a primeira é, se tiver mais do que um, como é que gostamos dos filhos de forma igual? Afinal, também eles são pessoas, com tudo de bom e mau que isso implica.

A segunda coisa que mais me deixa nervosa é: “E se depois me arrependo?” Tenho claro que não posso enviar a criança pela cegonha para Paris de volta. E la la la, passarinhos, unicórnios e arco-íris sobre a maternidade, mas também aqui, cada criança é uma criança. E nem todas são fáceis e há putos problemáticos, fora mais 837 mil coisas menos boas associadas. Mas hoje não quero falar dos meus dramas.

 

 

Esse post que escrevi foi dos mais lidos e dos mais comentados aqui no blog, como eu dizia. Na altura, algumas mães escreveram-me sobre o assunto e o que mais me deixou triste, foi ver como se sentiam sozinhas no seu arrependimento. Acredito, que todas elas gostem muito dos seus filhos, que os ponham em primeiro lugar e que as suas crias são, certamente, os mais bem alimentados e fofinhos da escola; mas foi triste ver como tantas se sentiam sozinhas. Porque “ser boa mãe”, aliás ser a melhor mãe do mundo e “estar arrependida de ter filhos” são estados que podem coincidir numa mesma pessoa, ok?

Falamos de pessoas que se pudessem voltar atrás, não teriam filhos. Não falamos de mãe negligentes ou abusadores, ok? Claro?

 

Esta semana encontrei este artigo da Visão, a propósito do livro “Mães arrependidas” de Orna Donath, que foi agora editado pela Bertrand e resolvi partilhá-lo, a pensar nas mães arrependidas. Para que saibam, que pode acontecer, que está tudo bem e que não estão sozinhas - que me parece ser o mais importante!

 

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Aproveito para partilhar alguns testemunhos, para aqueles que não querem ler o artigo:

"Perguntou-me se eu pudesse voltar atrás... sem dúvida alguma quem não teria tido filhos. Embora eles sejam fantásticos e amorosos e as suas dádivas sejam incríveis. Não desvalorizo isso. Eles acrescentam uma dimensão à minha vida que não existiria de outro moda Mas se eu pudesse voltar atrás sem sentir culpa e todas estas obrigações? Não teria optado por este caminho.”

Debra (mãe de dois filhos entre os 10 e os 15 anos):

 

“(…) não tive um único dia na vida que fosse fácil. E eu não venho de uma família com dificuldades. Não é uma questão de dinheiro. Nunca houve um dia em que fosse fácil criar os meus filhos. Nunca.”

Erika (mãe de quatro filhos entre os 30 e os 40 anos, e também avó):

 

“"Acho que não o faria [ter filhos]. Nunca diria isto aos meus filhos, e eles sabem que faço tudo por eles (…)”

Sunny (mãe de quatro filhos, dois entre os 5 e os 10 anos, e dois entre os 10 e os 15 anos):