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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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O cretino do Carrilho ou a importância de estender o estatuto de vítima aos menores

21.01.19

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Só hoje é que soube da reportagem de Ana Leal, onde havia referência a Manuel Maria Carrilho (MMC). Sinceramente, acho sempre que o caso tem sido tratado muito ao de leve pela comunicação social. Parece haver um certo pudor da empresa que designa como "séria" de esmiuçar o caso. Como se violência doméstica não fosse crime público, como se ele não fosse uma pessoa que exerceu cargos públicos, logo pago pelos contribuintes.

Desde o inicio, que tenho acompanhado o caso e não, mas não foi foi por alcoviteirice. É que se "isto" - e por "isto", refiro-me ao tratamento dos juízes, aos anos que o caso demorou para ser julgado e até à violência doméstica e psicológica comprovada (ainda que com pena suspensa),... Enfim, se "isto" acontece a estes dois: famosos, com visibilidade e com dinheiro... o que não vai acontecer quando for comigo, com a dona Rita ou com o senhor Pedro?

 

A reportagem da TVI focava-se num ponto muito interessante. Usando o exemplo de MMC e dos autos e provas usadas em tribunal, usaram este caso como referência, um caso em que a violência doméstica é provada e há pena, para reflectir como fica a situação dos filhos.

Se eles estiveram, e neste caso isso foi provado, presentes em situações de violência, não devirem eles, por arrasto, beneficiar do estatuto de "vítima" e serem afastados do culpado?

Veja-se o caso de MMC, mesmo sentenciado, ele tem a custódia do filho mais velho.

Mesmo sentenciado, ele continua a estar com os filhos e a mãe, a vítima, continua a ter que ter contacto com ele, na hora de entregar as crianças? Hora essa, que ele usa para agredir, atacar e humilhar.

 

Olhando para o caso de MMC, não creio que nenhum homem ou mulher se sinta motivado a fazer queixa de violência doméstica em Portugal.

A humilhação pública é imensa, a lentidão dos tribunais fatal (muitas vezes literalmente), há ainda a exposição dos filhos (neste caso bastante agravada, pois ambos são famosos),.... Nem mesmo depois de fazer queixa, ela deixou de ser agredida por ele - física e psicologicamente. Pelo meio, perdeu o filho que já não vive com ela. A carreira dela, assim como a reputação, foi pelo cano. Sabe-se lá como andam os nervos daquela mulher. E fica sempre a ideia, se isto é assim com ela, imaginem comigo?