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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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Já vi a série "Amiga Genial" da HBO

10.12.18 | Maria vai com todos

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Já aqui falei dos livros da Elena Ferrante, da saga da Amiga Genial e de como na altura andava eu e muito boa gente que eu conheço, maravilhada com os livros. E desculpem ressaltar, mas nos dias de hoje, ter gente animada com um livro é obra. Os livros passaram a ser tema à mesa de café e à hora de almoço na empresa uma maravilha. Devorei os quatro e o último soube a agridoce, com vontade de saber mais e como acaba a história.

Adiante. Quando soube que ia haver uma adaptação dos livros à TV fiquei feliz, sobretudo por saber que a própria Elena Ferrante ia estar envolvida no processo. De Game of Thornes a Handmaids Tale, temos de admitir, que têm havido produções e adaptações francamente boas nos últimos tempos. Ou seja, isto tinha tudo para correr bem.

 

A primeira temporada da Amiga Genial

Na semana passada papei a primeira temporada da Amiga Genial e, a partir daqui, quem ainda não viu é melhor parar de ler, sobretudo se querem ver e gostam dos livros. Vá, vão-se embora. Eu espero.

Ainda estão aí?

Vão lá!

Ok, cá vai disto!

Sinceramente, achei a adaptação fraquinha. Contudo comecemos pelo bom. Primeiro palminhas pela resistência de não fazer a coisa em inglês. Nos livros de Ferrante, a linguagem é crucial e as misturas com o dialecto e o italiano são um reflexo de cada uma das personagens - da sua instrução, do estado de espirro, da violência, etc. Isso, está lá. A nível de cenografia a serie é muuuito boa também e está cheia de detalhes deliciosos - imagino que um italiano dos anos 50, possa aproveitar e deliciar-se, mais do que eu ao ver aquilo.

 

  • O que eu não gostei:

Sinceramente, acho as actrizes principais fraquinhas e sem química. Falta-lhes dinamismo, mas sobretudo falta-lhes aqueles detalhes que fazem delas amigas e que o livro explora tão bem - as trocas de olhares, os gestos, a cumplicidade, etc. A Lenú é uma passiva,  por vezes, dá vontade de abanar a miúda. A Lila tem mais garra, é mais bruta... mas falta-lhe o magnetismo animal da Lila dos livros. Os livros de Elena Ferrante são cheios de vida e energia, sempre com coisas a acontecer. Nunca param. Na série há demasiados silêncios, parece que a história não desenvolve. Momentos de espera, como para criar um suspense, que não faz falta.

Outra coisa que eu não gostei é que não se explora muito a vida e motivações de muitos personagens secundários, como os amigos e familiares das duas amigas. São histórias tão boas e tão ricas e, sobretudo, que nos ajudam a perceber o Nápoles machista dos anos 50, onde duas mulheres se destacam e, claro, vidas que têm e terão um impacto profundo na vida das duas personagens.

Além disso, nos livros há uma crescente maturidade, porque a narradora também vai crescendo - quem nos conta a história é a Lenu e durante os quatro livros nós só temos e vemos e sabemos qual a sua visão dos acontecimentos. Daí a dúvida constante, será Lila mesmo manipuladora ou tem apenas ciúmes da amiga? Será que ao ir um passo em frente, ela não estaria consciente que ajudava Lenu? Enfim: há muitas perguntas que o livro deixa em aberto, porque Lenu nunca as fez. O mesmo com a visão dos acontecimentos, quando descreve Don Achile, Lenu criança acredita e vê-o mesmo como um demónio. Na série, ele é logo apresentado como o homem mafiosa que é. Sinceramente, já esperava que na série isto não acontecesse, que o foco fosse as duas personagens principais e a história seguia, contudo foi com pena que vi que se perdeu esta perspectiva, porque agora as acções são-nos apresentadas como absolutas, sem espaço para dúvidas.

 

Ainda assim, quem gostou dos livros, vai querer ver a série - e deve ver. Possivelmente, vai ficar como eu, a achar que a serie não é assim tão boa, que os livros mereciam mais. Contudo, venha daí a segunda temporada, que já foi prometida.

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