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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Ela levava porrada do homem

26.01.15
Primeiro, os gritos. Os insultos. As ameaças.
Depois, as patadas, os socos, os tabefes.

Quando quis ir embora, as desculpas e as juras do amor eterno. Tudo ia ser diferente e ela ficou.
Pouco tempo depois e durante algum tempo, ela acreditou nele e que "não valia nada!", que estava "tramada" e que era "uma puta do pior".
E sempre mais pontapés, murros e gritos.

Os amigos diziam que estava abatida. Falava menos, não sorria, assustava-se facilmente.
Depois, deixaram-se de queixar, porque ela deixou de aparecer.

Mais bofetadas, a faca junto ao corpo, os filhos a chorarem.

Até que um dia ela fez queixa.
Não se foi embora, porque não tinha para onde ir.

Na polícia anotaram a queixa e mandaram-na para casa.

Os outros arregalaram os olhos. Surpreendidos diziam que "ele não seria capaz de uma coisa assim" e quando ela não estavam diziam "que só quem está dentro do convento é que sabe o que vai dentro". No trabalho ninguém nunca lhe viu uma negra e "olhe que na festa da empresa, ela ia com um vestido bem curto!"
Na família, houve até quem lhe perguntasse "Mas o que é que tu lhe fizeste, rapariga? Alguma fizeste!".

No tribunal, ele voltou a chorar, até pôs a mão no peito, jurando pelos filhinhos.
Hoje ela morreu. Ele matou-a.