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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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Antiturismo ou "Como assim contra os turistas?"

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Estou de momento em Hanói, na capital do Vietname. Cidade louca, cheia de motas e buzineladelas, onde uma pessoa não atravessa a rua: aqui, uma pessoa atira-se! Hanoi é uma cidade vibrante e louca, cheia de restaurantes, cujas cozinhas se montam nos passeios e as melhores comidas são feitas em bancos de plásticos, com paredes esburacadas e sem cor. Adoro.

No outro dia, fui fazer uma tour de comida em Hanoi e quase que parecia uma anedota, com a guia vietnamita à mesa com uma portuguesa, um italiano e uma espanhola - ele perto de Veneza, ela de Barcelona. Falamos de muita coisa e, claro, falamos também do turismo.

Como acontece em todo o mundo, o turismo em Hanoi também tem crescido muito nos últimos anos e com isso, também as rendas aumentaram. Explicámos à guia, que nas nossas cidades/países era cada vez comum havver movimentos anti-turismo, inclusive com gente a grafitir paredes com "fora do turistas", a espalhar cartazes com " turistas não" e a preparar manifestações.

Ela ficou chocada.

Para ela, o turismo significa dinheiro e logo, a melhor forma de melhorar a vida dela.

Além disso, dizia ela "que culpa têm os turistas?".

 

Já aqui falei disso, que a culpa não são os turistas, a culpa é da gestão e no outro dia, caiu-me o rabinho quando vi num post de Facebook, num grupo de viagens, uma pessoa a pedir dicas sobre Lisboa e gente a responder-lhe coisas como:

  • "Não vás, por causa dos turistas, os portugueses não têm dinheiro para pagar as rendas"
  • "Por culpa de pessoas como tu, os salários dos portugueses estão baixos"
  • "Eu vivo aqui e por favor, não venhas. Somos muito hospitaleiros, mas a situação do meu país está insustentável

... e outras pérolas mais! A sério, pessoas?

Eu sou toda a favor do turismo sustentável. Defendo os valores do turismo local e até com certas regras, mas esse tipo de apelos é ridículo. Os turistas não têm culpa, eles nem votam no país que visitam. Eles não têm poder de decisão. Esses vossos apelos e energias devem e têm de ser canalizados noutras direcções, neste caso para a classe política e para o patronato.

Quando temos negócios a crescer e patrões que continuam a abusar de recibos verdes ou a pagar em negro, assim como gente que continua a receber o salário mínimo ou o mesmo ordenado de há 5 anos, é aí que temos de atacar.

E nos alojamentos ilegais.

E em plataforrmas como AirBnb e Uber que descartam as suas responsabilidades e pagamentos de impostos em pleno e nos países onde estão.

E... em muitas outras coisas mais! Porque, sim, o problema do turismo em Portugal é a gestão, mas também é a ganância.

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