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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Alguém por aí já se arrependeu de ter filhos?

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Eu que não tenho filhos, e possivelmente vou levar umas pauladas depois de escrever este artigo, pergunto a vós, mães: estão arrependidas de ter filhos? Se voltassem atrás, teriam feito o mesmo?

Atenção, não vos estou a perguntar se gostam ou não dos vossos filhos, nem a colocar em causa o amor maternal e incondicional que sentem pelas vossas crias. Podem ser (e possivelmente são) as melhores mães e sentirem-se também arrependidas. Sim, ambas as coisas andam muitas vezes de mãos dadas.

 

Recentemente, li um artigo no The Guardiam que falava disso mesmo. Mães, boas e competentes mães, com filhos saudáveis e bons alunos na escola, que se diziam arrependidas. Muitos dos testemunhos eram de mulheres que tinham planeado a gravidez, ou seja, não eram casos de “ups”!

As razões eram várias. Umas porque sentiam que a maternidade, a verdadeira, não a das redes sociais, era demasiado dura e que tinham idealizado demais a coisa. Algumas diziam que ser mãe resultava bastante aborrecido. Outras, porque não se sentiam nem mais realizadas, nem mais felizes - pelo contrário. Ou simplesmente, porque não viviam aquela realização materna, que os outros dizem ser suposto uma mãe viver. Outras, porque se sentiam sozinhas e abandonadas, com a carreira estagnada e com opções de vida mais limitadas. Quase todas sentiam falta da vida pré-filhos e das antigas rotinas. Por mais que se fale de igualdade, acabam por ser elas a ficar em casa com os filhos e também mais condicionadas em termos financeiros.

 

Sejamos objectivos, há mais de cem anos atrás, um filho era um herdeiro, mão-de-obra. Nas famílias ricas, as mães nem amamentavam as crianças e havia uma hora marcada para pais e filhos se encontrarem. Só no século XX, com a introdução dos Direitos das Crianças e muita psicologia infantil e muito marketing, é que os cachopos passaram a ser vistos de outra forma. A transformação foi tal que hoje em dia, um filho virou o centro do universo. Os pais adaptam-se á vida das crianças e deixam de ir à exposição X, porque vão antes ao aniversário do amiguinho de 3 anos, com quem o filho anda no infantário.

Cada vez mais, parece-me, os pais vêem os filhos como uma extensão deles mesmos e não como indivíduos, com personalidade e direito à sua autonomia - veja-se a relação que a maioria dos pais têm com as redes sociais, onde todas as conquistas e desenvolvimentos da criancinha são partilhados até à exaustão. A competição entre pais é feroz, com direito a definição e tudo: os helicopter parents.

Muitas das mães do artigo não se encaixam neste perfil, sentindo-se (talvez) um falhanço por isso. Daí a frustração, daí o arrependimento. Será?

 

Continuando: não será natural que uma mãe se arrependa? E um pai? Mesmo que não seja num estado permanente, como muitas das mulheres do artigo comentam, não é normal ter momentos? Tipo quando o puto passa noites sem dormir ou a miúda faz birra no supermercado, porque quer um chocolate? Ou até mesmo quando os vossos amigos vão jantar fora e vocês não podem, porque não encontraram uma ama? Ou simplesmente, porque se acabaram as viagens, porque as fraldas são caras?

Vá, contem-me tudo.

6 comentários

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    Maria vai com todos 16.02.2017 07:04

    Mas a questão é essa, nós temos tão semeada na cabeça essa realidade do "meu filho, meu tesouro" e como é suposto serem o melhor do mundo, que uma mãe que contraria essa corrente parece insensível. Será que não estaria a ser verdadeira? Afinal, porque razão é que as alegrias que "os filhos lhe deram" têm de superar outras alegrias - viagens, namorados, realização/promoção profissional, etc.?
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    merceariamagina 16.02.2017 10:50

    Eu não defendo que os filhos têm que ser o melhor da vida ou que uma vida sem filhos é uma vida incompleta. Eu sempre disse que queria ter filhos e aos meus 32 anos, sei cada vez menos se realmente quero ter filhos. O que me fez confusão no discurso do meu colega (era um homem) foi, já os tendo, dizer que se pudesse não voltaria a tê-los. Eu acredito que possamos ter muitos momentos de "o que é que eu fui fazer com a minha vida" ou "com o bem que estava sem filhos" mas, ingenuamente ou não (não tenho filhos, são tudo suposições minhas), associo esses pensamentos a desabafos (interiores ou não) em momentos de stress, que não era o caso. De qualquer modo, precisamos de chegar ao 3º filho para perceber que éramos mais felizes sem? Acho que isto é algo que devemos avaliar antes e se os temos, podemo-nos enganar (somos humanos!) mas não estamos a falar de um casaco que comprámos por impulso. Estamos a falar de vidas e pessoas que podem crescer sem amor, sem estabilidade, sem compreensão e tudo porque são fruto de dois adultos que não quiseram agir como tal e pensar antes de ter não um, não dois mas sim 3 filhos.
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    Maria vai com todos 16.02.2017 12:06

    Por essa razão, acho tão importante quebrar este tabu.
    Ele/ela teve filhos. Um ou cinco, não importa. Teve, porque queria; teve, por pressão do companheiro/social; teve, porque... ups, aconteceu, não importa.
    A questão é, as coisas nem sempre são o queremos ou esperamos, daí eu entender que exista arrependimento. Se ler o artigo, também o que partilhei, falam disso mesmo: de mães que planearam e se arrependeram.
    E, concordo, um filho não é um casaco, que devolvemos e já está. Daí o artigo. Como se lida depois com esse arremetimento? E como afeta isso, quer os adultos, quer as crianças?
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    Anónimo 16.02.2017 12:14

    É um bom post ;)
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    Maria vai com todos 16.02.2017 12:47

    Obrigada!
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