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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Crescemos e ficamos medricas

16.10.18

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No domingo à tarde, lá ia eu feliz da vida a pedelar pela província de Ninh Bình (Vietname) afora, quando cheguei a uma senhora descida. Desci, cableo ao vento e sempre com mãos nos travões - que, verdade seja dita ,não funcionavam grande coisa.

Caramba, era eu miúda quando literalmente me mandava de bicileta por descidas bem piores do que aquela, sem mãos nos travões e, por vezes, sem mãos no guiador. Uma pessoa cresce e tudo muda: ficamos beeeem medricas! Na altura, o meu único medo era que a minha mãe me apanhasse a descer a ladeira vertiginosa ao lado de minha casa.

Acho que ainda hoje a posso ouvir aos gritos: "tira a saia e põe uns calções. Olha que a saia fica presa nas rodas da bicileta" - e um dia ficou. E, claro,  eu caí como gente grande. 

Eu fui uma criança que caiu muito. Na verdade, mesmo agora, adulta, caio muito - pelo menos, acredito eu, caio mais do que é suposto uma pessoa na casa dos trinta cair. Talvez por isso, também esteja mais medricas, porque sei que doi. Aleija. 

 

Guia para viajar na Índia

21.08.18

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Da Índia ou se gosta e se quer voltar ou não. Não acho possível haver meios termos, indecisos ou encolher de ombros. A Índia, mais do que um país, é um continente! De uma região para a outra, tudo muda: muda o idioma, o clima, as tradições, a forma de vestir e até a religião!

Quem vai viajar na Índia, tem de se preparar mentalmente para a pobreza, os maus cheiros, a sujidade, o caos, o barulho infernal ou o trânsito sem fim. Quem vai viajar na Índia, tem de se preparar mentalmente para  o colorido das ruas, uma das melhores comidas do mundo, a simpatia das pessoas e para um país de imensa beleza. É a terra do Bollywood, dos saris coloridos, do Hinduísmo e eu quero muito voltar, sobretudo para explorar o Rajistão.

 

Índia: Quando ir?

O clima na Índia varia muito entre as vária regiões. De um modo geral, os meses de Novembro e Abril são os melhores para viajar, pois corresponde ao inverno Indiano - e, sim, o Inverno é bom, pois o Verão na Índia corresponde àquele calor chato e húmido! No entanto,em Goa ou Kerala, há sempre calor e como o clima aqui é seco, as monções (chuvas) não são comuns. O período de monções na Índia vai de Junho a Setembro. 

 

 

Índia: Como viajar? Como são os transportes na Índia?

 

Acho que qualquer pessoa pode passar horas (a serio, horas!!) a olhar para uma estrada, pois é impossível cansar-se! Pessoas e mais pessoas, que se misturam com carros, tuk-tuk, motas, riquexós, bicicletas, cavalos, autocarros, táxis, burros, cavalos, carroças… e vacas - sim, aquela história das vacas serem sagradas na Índia e de andarem por todo o lado, corresponde à verdade! Os cães são muito maltratados e enquanto para nós, o cavalo é visto como um animal nobre, aqui é mero bicho de carga. E, sejamos honestos, uma família que usa um cavalo, em vez de um carro, por exemplo, tem prioridades económicas! Ou seja, alimentar os filhos será bem mais importante, que cuidar (bem) dos animais.Voltemos aos transportes. 

 

Na cidade

Nas cidades, o mais comum é usar tuk-tuk. Um conselho: negociar SEMPRE o preço antes de subir. Algo que ajuda muito, é criar empatia com o condutor e abrir o jogo. Passo a explicar. A Índia é uma teia comercial, como um polvo, onde todos são familiares e as negociatas são o prato do dia. Um condutor que leve uma pessoa a uma loja ganha comissão; se a pessoa compra, ganha um pouco mais… moral da história: usem isso a vosso favor. Imensas vezes, eu  barata dizia: “Ok, eu vou, entro na loja, MAS não compro nada” e com isso ganhava uma viagem mais barata! 

Em viagem, devemo-nos sempre lembrar de que uns euros a mais ou a menos fazem toda a diferença, quer para os local, mas também para quem viaja. No entanto, isso não significa que devemos aceitar todos os preços, sem regatear! Na Índia é comum um estrangeiro pagar mais do que a um local, mesmo em museus!

 

Voos domésticos na Índia:

Para viajar na Índia, existem várias companhias com voos domésticos e a bons preços. Sobretudo, para quem viaja com pouco tempo esta é uma boa opção - eu fiz uns quantos e nunca tive problemas. Importante: façam-se acompanhar pelo cartão (de crédito ou débito) com que compraram o voo. Como há muitas burlas com cartões por vezes, há que apresentá-lo no momento do check in.

 

O comboio na Índia:

Numa palavra: espectacular! Impecável! Pontual, com uma rede extensa e bem barato. Os Indianos viajam muito dentro do próprio país, sobretudo para visitar a família e durante as várias celebrações. Por norma, quanto maior a viagem, mais barato é o bilhete.

Existem três classes e por norma, a 1ª Classe está sempre cheia e tem de reservar com bastante antecedência - não me perguntem como é, porque nunca entrei. A 3ª Classe, segundo me disseram, é tipo "tudo ao molho e fé em Deus". Eu só viajei na 2ª Classe, não porque fizesse questão, mas porque na hora de comprar os bilhetes, era onde me metiam e eu não piava  Na 2ª Classe há lugares marcados, mas os bancos são corridos, tipo sofá, sem divisórias. Na hora de dormir, viram beliche. Como as viagens são longas, é normal os Indianos levarem comida - faça o mesmo. Leve comida sem vergonhas, porque os Indianos superam até aqueles Portugueses que fazem picnics à beira da estrada, com garrafões de vinho e comida para uma semana!

Para comprar os bilhetes, deve dirigir-se à estação e, por norma, há uma fila só para comprar bilhetes em inglês. Leve consigo umas fotocopias do passaporte, pois o processo é bem burocrático! Tente também comprar todos os bilhetes de uma só vez - o que implica planear a viagem MUITO bem e com antecedência. 

 

Na Índia, muitas famílias dormem na estação, enquanto esperam o próximo comboio. Aliás,as estações são um mundo: de gente, de cor, cheiros, mas também de pedintes e, é um facto, de ladrões. Olho aberto! 

 

 

A Índia é cara?

 

Não, não é! Apesar de ser uma das mais sólidas economias mundiais, existem graves problemas de desigualdades e falar de pobres na Índia, não é o mesmo que falar de pobres em Portugal. Apesar de ser ilegal, o sistema de castas continua a prevalecer e continua a haver uma forte preferência pelo sexo masculino. 

 

 

Índia: Onde dormir?

Há muitas, muitas opções de hospedagem na Índia. E encontrar sítios baratos é bem fácil e pode fazê-lo tranquilamente através de sites como o Booking ou o Hostel World. Por norma, há saída do comboio há um mundo de gente a querer impingir 2387 mil sítios onde ficar. Como as cidades são grandes, aconselho a ter um hostel/hotel/o em mente ou, pelo menos, definir previamente a zona onde quer ficar, tendo em conta o seu orçamento - há quartos por menos de 5 euros e há hotéis de sonho, sim, bem mais caros! Peça sempre para ver o quarto antes de pagar. Regateie sempre e ver três ou quatro quartos mais, é também algo que deve fazer. Cada um de nós tem coisas que considera o “mínimo e o essencial”: uma janela, água quente, lençóis limpos,… Em momentos de desespero, porque os há, lembre-se, encontrar alojamento na índia faz também parte da aventura!

 

 

A comida na índia é boa?

Ai amigos, se é! O meu homem diz que tenho estômago de aço e talvez tenha razão. Passei a vida a comer em restaurantes em plena rua e em sítios de higiene bastante suspeitisa; e sempre impecável! Basicamente, o meu critério é: há locais a comer? Há mais do que três pessoas? Então, vamos! Se eles sobrevivem, nós também. A comida é, obviamente picante, peçam sempre sem picante nenhum, que assim só pica um bocadinho ;)  Quanto à água, bebia sempre engarrafada. Em alguns sítios, até para lavar os dentes usava a água da garrafa, porque a da torneira sabia tão mal, que nem a pasta de dentes tirava a sensação.  Aqui ficam mais algumas dicas para comer na India, que vão gostar!

 

 

O que ver na Índia? O que visitar na Índia? Onde ir na Índia? O que fazer na Índia? Locais inperdiveis na Índia? O melhor da Índia?

Há tantos locais, palácios, museus, natureza, monumentos,… que ver tudo há primeira, é complicado. Estes foram os locais que eu visitei, durante quase um mês que estive a viajar na Índia.

 

 

Varanasi: Varanasi é tipo a Fátima lá do sítio. Por causa do rio Gangues, Ganges ou Ganga, milhares de pessoas visitam a cidade todos os anos. Ou seja, se há muita gente, há caos, sujidade, pedintes - sobretudo velhinhas viúvas, etc. Morrer em aqui é um privilegio e não se espante se no seu hotel/hostel em Varanasi, existirem famílias que aqui vivem, literalmente à espera que o familiar morra. Todos os dias há cerimonias junto ao rio e atravessar o rio de barco, só mesmo se fizer bom tempo, fora isso, é um pouco suicídio - a corrente é forte e o rio denso. Ainda assim, se fizer bom tempo, um passeio de barco pelo Ganges para ver o sol nascer tem de ser qualquer coisinha muito boa! Fiquei com pena de não o fazer, mas tinha havido tempestade, nem os indianos se aventuravam.

Pareparem-se também, porque verdade seja dita, o Ganges é muito, muito sujinho - os Indianos insistem em dizer que não, que o Ganges está só "doente"! Nos arredores há uns jardins budistas bonitos, a cidade tem muito por onde explorar, com macaquinhos por todo o lado e, digo eu, quem sobrevive a Varanasi na Índia, aguenta tudo. 

Eu fiquei numa pensão incrível e a melhor comida indiana que comi na vida, comia-a aqui - quase sempre regressava ao hostel, só para puder comer aqui.

 

 

Agra: a cidade do Taj Mahal: Primeira coisa, TÊM e DEVEM visitar o Taj Mahal! É dos monumentos mais bonitos, mais perfeitos e harmoniosos que eu já vi! Conheci alguns viajantes que “passavam” o Taj, porque diziam “era muito turístico”! Sim, é, obviamente que é! No entanto, ainda hoje quando penso no que elas perderam, quase me dá pena dessas pessoas! Entenderam: ver oTaj Mahal é essencial.

Fora isso, Agra tem um forte, onde não entrei, porque pediam muito dinheiro e, sinceramente, não tinha vontade de pagar um dinheirão por um forte, onde a água cheirava a ovo podre de tão suja que estava! Sinceramente, vão ao Taj e vão-se embora.

 

Jaipur: O forte é verdadeiramente incrível, mas acho que foi das cidades na Índia que me deu menos prazer. Achei as pessoas muito metidas e até mais agressivas - houve um grupo de estudantes adolescentes, que num momento estava a tirar fotos connosco e no seguinte, a atirar-nos coisas! Valeu-nos, quando já estamos a desesperar, um condutor de tuk tuk , que se apresentou como “Beautiful” e que nos levou a imensos sítios, como os palácios aquáticos das redondezas, fábricas de prata e de encharpes - ele sabia que nunca íamos comprar nada e obviamente que no final levou uma boa gorjeta, mas passamos um dia feliz com ele. Ele até nos deixou conduzir o tuk tuk e ainda nos apresentou à família. Como dizia, abram o jogo com as pessoas e deixem-se ir! 

 

 

Udaipur: Foi das minhas cidades favoritas. Conhecida como a cidade do Adelino, é fácil acreditar que ele poderia ter vivido aqui! Udaipur está cheia de palácios, rodeada de água e, como é mais pequena (para as dimensões indianas), é mais tranquila! Sentia-me muito confortável e as pessoas convidavam-nos para tudo: cerimonias nos templos (às quais fomos); casamentos (onde também fomos) ou simplesmente a beber chá e a falar da aura. Muito bom.

 

 

Goa: Em Vasco da Gama vimos pouco, porque nos metemos logo em uma, duas e três mini-vans, ao bom estilo “tudo ao molho e fé em deus”, para chegar a umas praias no norte de Goa, em Arambol. Lindíssimo, uma paz, praias desertas… e aquele pôr-do-sol! Depois, fomos a Pangim, que dizem ser a cidade mais portuguesa da Índia… o que é bem capaz de ser verdade, pois até feijoada havia e, no fim da avenida, lá estava a igreja! Em Goa, os mais velhos ainda falam português e possuem até nacionalidade Portuguesa. Mesmo os habitantes continuam a identificarem-se como Goeses e não como indianos. Aqui, por favor, comam bebinca, um bolo de camadas…. delicioso!

 

 

Kerala: Esta região no sul da índia é sobretudo conhecida pelos campos de chá… e apesar da pobreza, vale a pena alugar um carro e explorar, pois é algo verdadeiramente deslumbrante! E, claro, pela imensa costa e aldeias de pescadores. Gostei muito.

 

 

Delhi: O primeiro erro que fizemos, foi ir pelo nome e ficar em Old Deli, "ah e tal é antigo", pois, antigo é a cair de podre. Depois, achávamos que já tínhamos visto tudo, mas Deli, a capital é outro mundo: mais veloz e mais caótico... e mais extremo! Além disso, apanhamos o Diwali, que é tipo o Natal hindu. Agora imaginem-se a caminhar nas ruas, como quem anda na véspera de Natal no Colombo... entenderam o esquema?

 

 

E ser mulher e viajar na Índia, como é?

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Não sejamos hipócritas, a Índia é um país, onde as meninas são preteridas à nascença, os feminicídios são comuns, assim como casos de violações, onde os culpados, muitas vezes, nem chegam a tribunal. Resumindo: ser mulher na índia é uma merda. Recomenda-se roupinha um pouco mais composta e tapadinha, não porque seja lei; mas porque te sentirás, caso sejas mulher, mais confortável. Há olhares, umas mãos que roçam e até comentários. Eu senti-me segura, mas por exemplo à noite, não me aventurava por ruas sem luz. 

E muitas vezes o machismo funciona de outra forma, já que muitos homens tomam por principio que somos parvinhas, a precisarem de salvação. Nestes casos, tirem partido disso, seja para arranjar uma boleia ou para que alguém vos compre os bilhetes, passando à frente dos restantes. Quando a coisa não cheira bem ou simplesmente estão desconfortáveis, virem as costas e vão-se embora, afinal não têm que dar justificações a ninguém. 

 

 

É fácil viajar sozinho na Índia?

 

Sinceramente, acho que sim - eu não o fiz, mas conheci viajantes solitários e estavam contentes. Quando precisavam, colavam-se a alguém e a coisa funcionava. Os Indianos são também muito afectuosos com os estrangeiros, gostam de meter conversa e acho que na Índia, estar sozinho é uma missão impossível. E viajar sozinho tem muitas coisas boas!

 

 

Então, achas que as pessoas na Índia são simpáticas?

 

Sinceramente, acho. Além disso, são extremamente curiosas e sempre ansiosas por meter conversa e perguntam, sem pudores, quanto é o nosso salário. Gostam de comparar e de saber mais. Nós fomos convidadas a um casamento, fizemos amigos no comboio, conhecemos gente que nos abordava espontaneamente e nos recomendava ir ao sitio A e B ou a aproveitar o horário gratuito do monumento Y. Sem queixas.

 

 

Ou seja, na Índia não há coisas más?

Claro que há! E muitas! Como disse antes, vêem-se coisas que não deveriam existir neste mundo. Quando fui para a índia há três anos, houve um caso de violação de uma jovem num autocarro, que se tornou mega mediático - super recomendo este documentário. Todos os dias os meus amigos me falavam disso,, enviavam noticias horríveis de acontecimentos similares. Quando cheguei, admito, estava muito ansiosa. Cheguei a Deli e calor, calor. Apanhei voo para Varanasi no mesmo dia e foi um choque tremendo. Podem-nos contar mil coisas, ler mil textos, ver mil filmes…. na hora da verdade, quando vemos com os nossos olhos crianças ou idosos a mendigar e mal alimentadas; cheiramos a latrina nas ruas ou caminhamos na sujidade, tudo mudo em nós! Não digo que nos tornam melhores pessoas, atenção. Tornamo-nos mais conscientes do mundo. É por isso que digo que se ama ou se odeia a Índia. O país, obriga-nos a um extremo e intenso exame de auto-consciência, em que diariamente vamos confrontando a nossa vida e escolhas. Mas no meio disto tudo, há mil cores, sorrisos, cheiros e uma amabilidade incrível. VAI!

Nomadismo digital: Já ouviram falar?

09.01.18

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Os nómadas digitais são profissionais com, por norma, trabalhados ligados à Internet e que vivem sem residência fixa, trabalhando e viajando.

Há já várias profissões que permitem este estilo de vida, como dar aulas online, fazer voluntariado, profissões relacionadas com a escrita (ser blogger, jornalista, tradutor, etc.) ou simplesmente trabalhos que normalmente seriam feitos num escritório, mas que a empresa permite que sejam feitos remotamente, isto é, desde casa - sendo que casa pode ser em qualquer lugar do mundo!

É um facto que muitas empresas ainda não estão preparadas para acolher este estilo de vida - seja porque são quadradas, seja porque não possuem as condições tecnologias necessárias! Também por isso, muitas pessoas tornam-se profissionais por conta própria, trabalhando em regime freelancer ou montando as suas próprias empresas e/ou negócios.

 

Os nómadas digitais não estão interessados num trabalho certinho das 9h00 às 18h00, nem em ter saloios milionários. O sonho da casa e carro, casamento e filhos também não parece ser para eles! Não que a segurança não seja importante! Não que não precisem de dinheiro ou não valorizem o amor e a família! Simplesmente, a sede de aventura, de viajar pelo mundo e conhecer novas culturas/idiomas/pessoas fala mais alto!

 

Países como a Tailândia e a Estónia estão já a criar vistos especiais para nómadas digitais, ou seja, há já alguns países a criarem políticas e condições para estes profissionais! Nas redes sociais, sobretudo no Facebbok e Instagram há imensas comunidades e gente que se está a lançar à aventura! E vocês o que acham?

As viagens de 2017

30.12.17

Sou pessoa que leva pouco a sério as resoluções de Ano Novo, porque não as faço e porque tenho pavor a não cumprir o prometido. Sou meia séria.

Assim sendo, em 2017, o objectivo era visitar um sítio novo por mês! A coisa começou bem:

 

Janeiro

Fomos ao norte da Alemanha, começamos em Greifswald e daí fomos ver o mar Báltico e fomos a Sassnitz e a Sellin. Como era Janeiro e havia neve, era tudo ainda mais lindinho - acho lindo ver neve na praia!

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Fevereiro

Voltei a Barcelona! E Barcelona é sempre bom e agradável e sempre um sítio onde se é feliz. Ainda mais, sair do cinzentão de Berlim, para ir para o céu azulão de Barcelona é sempre uma delícia!

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E depois de Barcelona, regressei a Budapeste. Tinha estado lá há uns 6 anos! Continua lindinha, mas claramente já não aquela capital barata de há anos atrás. Desta vez, deu para ir às termas e tudo - um must!

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Março

Foi o mês da grande viagem do ano: África do Sul, sua linda, tão imensa e tão diversa! Fizemos km e km de carro, vimos muita costa, muito mar e ainda andamos a ver leões, elefantes e leopardos, entre outras bichezas! Fui muito feliz aqui - podem ler o meu Guia para viajar na África do Sul para mais detalhes.

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Abril

A Páscoa foi passada na Roménia, fomos a Sinaia e depois a Bucareste. 

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Maio

Fomos a Copenhaga! Que capital fofinha, pequenina, caminhável e tudo tão agradável - e carote! Confirma-se a minha teoria, dos nórdicos os Dinamarqueses são mesmo os mais cool do pedaço!

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Junho, julho e agosto

Literalmente, sossegamos o pito, mudámos de casa, tínhamos boda e, não me lixem, são os melhores meses de Berlim no que toca a temperatura e a fazer coisas fora de casa. Ficámos por cá e foi bom!

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Setembro

Voltamos ao passeio, com direito a uns dias em Portugal e depois ala, casar gente em Itália, com passagem por Roma, Nápoles e Pompeia.

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Outubro

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Lá rumamos de novo a Itália, desta vez a Bergamo! Cidade fofinha! Apanhamos um céu cinzento e não, não era mau tempo! Era poluição!

 

Novembro

Depois de Bergamo, voltamos a Itália em Novembro mas desta vez, o destino foi Bolonha. Comer bem é bom e eu gosto, logo Itália é sempre uma boa ideia!

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 Dezembro

Mês do Natal é mês de regressar a casa. E isso significa passar pelo Porto e Coimbra - e não, desta vez, nada de Lisboa. Agora só em 2018!

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Beg-packers: Os viajantes sem noção

04.12.17

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Observaram bem as imagens acima? Vá, subam lá a página e vejam com atenção. Eu espero! Voltaram?

 

Não é novo, não é de hoje e não sei se é moda ou se é apenas falta de noção. Vamos parar todos um bocadinho para pensar e reflectir sobre estas pessoas: gente que viaja, sendo capaz de ir até países onde um voo custa mais deu 500€ (ou dólares ou libras ou o que seja) e que viaja para países muitas vezes considerados mais pobres e que acaba na rua, a pedir dinheiro para continuar a viajar!

 

Há até um nome para isto, chamam-lhes os “Beg-packers” - uma junção das palavras inglesas “to beg”/pedir e “backpacker”, o termo usado para designar aqueles que andam de mochila às costas, os mochileiros, a viajar, por norma, viajantes low cost - na qual eu me insiro e com a quela muito me identifico!

 

Vamos lá ver: viajar não é um direito universal. Não se equipara ao direito a ter 3 refeições nutritivas por dia, nem ao direito básico de ter uma casa e/ou acesso à educação. Entendo e concordo a 100% quando se diz que viajar não deveria ser um luxo e da importância das viagens na formação pessoa de cada um - não, não acho que viajar nos faz melhores pessoas! Acho, sim, que pode contribuir para a empatia, abrir horizontes e para um certo auto-conhecimento. Ainda assim, não deixa de ser um prazer.

 

Obviamente que só dá quem quer!

Ainda assim como é que alguém se sente cómodo a pedir dinheiro dinheiro para um bilhete de comboio, ao lado daqueles que pedem para comer?

Será que no país de origem seriam capazes de fazer o mesmo?

Será que antes de pedir dinheiro na rua não há outras opções? Já nem falo de poupar para viajar, fazer as contas, planear, viajar de acordo com o orçamento... falo de procurar trabalho - dar aulas de inglês, servir à mesa, lavar pratos,…o que seja! Raios!

“Aqui é que se está bem, aqui é que é bonito e bom”

22.11.17

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Acho bem que as pessoas gostem das suas terras e se orgulham do que é seu - obviamente que o que é de extremos chateia e dá comichões, até porque do orgulho cego ao nacionalismo idiota, a fronteira pode ser curta!

O que por vezes me custa é entender é esta cegueira e esta teimosia - sobretudo quando não se conhece o resto! Constantemente ouço coisas como, "por que é que vais para aí, quando há tanta coisa boa em Portugal?" Afinal:

 

“Não há comida como a nossa!”

“Não há costa como a nossa!”

“Não há café como o nosso!”

“Não há igrejas como as nossas!”

“Não há comida como a nossa!”

“Não há simpatia como a nossa!”

… e a lista continua!

 

Claro que o nosso é bom e é do nosso agrado: é aquilo que nós conhecemos, é onde estão as nossas referencias e memórias afectivas! No entanto, as pessoas que usam este tipo de argumento para não visitar outros locais, conhecer outras culturas, falar com outras pessoas ou aprender outros idiomas têm de parar.

 

Aliás, têm de ir! Têm de ir ver outras coisas. Têm de sair da bolha. Têm de abrir horizontes. Muitas vezes são estas experiências que nos fazem gostar ainda mais daquilo que é nosso ou pelo menos, ensinam-nos a apreciar!

 

Há muitas pessoas que viajam, mas vão sempre de pé atrás, com medo de se entregarem e de se deixarem levar. Não experimentam outras comidas, por nojinho. Não falam mais do que o necessários com os Locais, por desconfiança. Não saem do recinto do hotel, porque é perigoso. E vocês, o que pensam?