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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

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A forma como educas os teus filhos é um problema nosso

10.04.18

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Sempre que saía da Alemanha, lá vinha a piadinha fácil, cada vez que se ouviam putos aos berros "é, já não estamos na Alemanha". É um facto: putos alemães fazem poucas birras. Ou melhor: fazem menos birras. Assim de repente, acho que vi uma vez um puto aos berros no supermercado.

 

A minha pergunta é: numa situação destas, o que fazer?

Assobiar para o lado e seguir viagem? Ou intervir, chaamando a atenção da criança e/ou dos pais?

Acredito que na prática, aquilo que cada um de nós faz é assobiar para o lado e continuar com a vida. Pelo menos, é o que eu faço. Aliás, nem quero imaginar a reacção de uma mãe ou pai se eu, uma desconhecida, desse uma bronca à cria! Muito possivelmente caía o Carmo e a Trindade! 

 

Acho que é uma ideia comum e que todos concordamos (e sentimos), que as crianças de hoje em dia comportam-se pior. São mais mimadas! E se por um lado, os miuúdos são mal-criados, é também porque literalmente estão a ser mal educados. A maioria dos pais prefere muitas vezes dar-lhes o doce e/ou o tablet, em vez de explicar, castigar, dizer não, o que seja - obviamente que há 2938 mil factores para tudo isto: stress, falta de tempo, impaciência, etc. Longe de mim, atirar pedras a quem quer que seja!

A razão pela quela escrevo é porque é também é um facto que há cada vez mais casos que viram notícia de crianças/adolescentes/jovens a agredirem outras crianças/adolescentes/jovens - falo de agressões físicas, mas também de agressões sexuais. E do bullying e por aí fora. Daí que pergunte: será que a forma como as crianças são hoje educadas não é um problema de todos nós?

A forma como cada um educa os filhos, sim, é assunto meu. Assunto de todos. Afinal, as crianças são também parte da sociedade e, como tal, os seus actos têm consequências e afectam-nos a todos.

"Arrependi-me de ter filhos"

08.04.18

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Não sei bem como ou porquê, mas recentemente um post antigo (Alguém por aí já se arrependeu de ter filhos?) ganhou nova vida, com várias mulheres a partilharem as suas histórias e testemunhos.

Mulheres que nunca quiseram ter filhos e que, por pressão, os tiveram e estão, agora, arrependidas. Mulheres com dúvidas. Mulheres que não querem assumidamente ter filhos e que todos os dias lidam com a pressão.

 

Como são testemunhos muito pessoais e um tema delicado - e sobre o qual ninguém fala ou dá a cara! - fiquei muito comovida com alguns comentários. Sobretudo pela tristeza que muitas mulheres carregam, de não poderem falar sobre o tema livremente, por medo de serem julgadas, censuradas e criticadas.

Ainda assim o que mais me surpreendeu em todas, foi a terrível pressão com que têm ou tiveram de lidar, quando dizem/disseram que não queriam filhos! Como se o corpo e a vida não fosse delas. Como se a única coisa que lhes restasse (a elas e às mulheres deste mundo) fosse parir!

Como é que é possível que sobre uma escolha tão pessoal e íntima, haja tanta gente a opinar, a forçar e a ditar juízos?!

E desde quando ter filhos dita se uma pessoa é mais ou menos mulher? Mais ou menos boa pessoa? Mais ou menos feliz? 

E mais ainda: por que é que na hora de não querer ter filhos, a pressão que sentem as mulheres é 238 mil vezes maior do que as dos homens?! 

Expliquem-me lá essa coisa da “palmada bem dada na hora certa”

26.01.18

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Tenho muita dificuldade em entender o porquê de bater em crianças é pedagógico. A ideia de que uma boa palmada, uma chinelada ou um puxão de orelhas, na hora, acaba logo com aquilo - aquilo, é birra, mau-comportamento, choros, fitas, etc.

 

Mas vamos por partes.

Primeiro, sim, falo de palmada. Não de espancar, quanto a isso, acho que todos concordamos, que não senhora, não se faz!

Depois, entendo que num momento de desespero e/ou de cansaço, um pai ou uma mãe (ou outro educador) dêem uma palmada. Entendo, no sentido que não condeno, nem acho que é por isso que devem chamar a Protecção de Menores. É a resposta da fadiga, da impaciência... e os putos podem ser chatos e ninguém é perfeito!

 

O que eu não compreendo é quem o defenda como algo comum e que sim, senhora é o melhor caminho e a solução para todos os dramas infantis!

Ora, se não se pode bater num adulto, nem num animal, por que razão se pode bater numa criança? Por que razão é que a palmada é aceite socialmente e até recomendada para “educar”?!

 

Segundo consta, na história da minha vida, levei uma palmada de raspão nas fraldas, porque bati o pé e, a única de que me lembro, a minha mãe bateu-me com um chinelo no braço… tinha eu 13 anos!

Não consigo recordar-me de nenhum momento, em que alguém me tenha batido ou agredido de alguma forma. Não consigo pensar em nenhuma ocasião, em que a palmada pudesse ter feito de mim uma menina melhor ou uma adulta mais decente. Então, expliquem-me lá, o que é isso da palmada bem dada?!

Eu também vi a Supernanny da Sic

16.01.18

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Como não vivo em Portugal, ontem não senti o sismo; em compensação, graças às maravilhas da Internet, pude ver o Supernanny da Sic!

Obviamente que a coisa ia ser polémica e a Sic sabia-o. Ao mesmo tempo põe todos a falar e a discutir sobre educação - e isso é bom! Sobretudo quando parece ser tendência ver crianças tiranas, sem qualquer tipo de estrutura ou educação!

 

Entendo que para muitos pais, desesperados, esta seja quase a última esperança - e convenhamos ao segundo minuto de programa já eu estava cansada e a pensar que se calhar, o melhor mesmo, é não ter filhos! Infelizmente bons serviços de mediação familiar há poucos e, convenhamos, são caros!

 

Aqueles que acusam o programa de exposição de menores, muito justo, será que não faz sentido alargar o conceito para as novelas ou crianças que vão a programas de TV ganhar e perder coisas ou quando os usam para ilustrar a pobreza/a tristeza/o desespero/o que o valha da família?

Sim, são níveis diferentes de exposição, assim como são outros contextos, mas não é igualmente exposição? 

 

Mais do que a exploração/exposição da criancinha (que é pertinente), o que mais me preocupa é a inconsequência.

De que forma é que isto vai afectar as famílias e, sobretudo, os mais novos no futuro? Desde ir comprar pão e a ouvir alguém a opinar sobre um comportamento privado ou a cor do pijama; à adolescência e vida adulta, com aquelas imagens sempre ali, sempre online, sempre disponíveis!

 

Que consequências há no futuro? E a resposta é: eu não sei, nem tu sabes. Aliás, ninguém sabe. Cada puto é único e tudo isto (Internet) é uma novidade! Não há casos, nem estudos para medir o efeito ou o impacto que a TV, assim como as redes sociais e a consequente exposição mediática têm na vida de cada um - por isso, volto à carga: pessoas com filhos, cuidado com as redes sociais!

 

Voltando à Supernanny a coisa podia ter sido bem mais gritante, a Sic conseguiu manter ali um bom equilíbrio, na minha opinião. Aqueles sons e olhares para a câmara não faziam falta, mas enfim: a Sic não é a Santa Casa e, claramente, mais do que putos educados, quer audiências!

Ontem li muitas críticas à profissional. Pessoalmente, gostei: claramente tem experiência, é profissional, mas também empática. E quando defendeu a tese do “não se bate nas crianças”, ainda mais no país do “uma palmada bem dada, cura tudo”, ganhou logo a minha simpatia!  A senhora trabalha nisto há 25 anos e a ideia que ela não tem competência, porque não tem filhos… não me lixem! Ou agora um oncologista tem de ter um cancro para poder trabalhar?!

 

E vocês, o que é que acharam?

"O pai/a mãe comeu os teus doces de Halloween" e os traumas em 2017

07.11.17

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Sabem aquela piadinha do"o pai/a mãe comeu os teus doces de Halloween"? Eu acho piada àquilo. 

Eu entendo aqueles putos que choram, rabujam, batem o é e até atiram coisas no primeiro embate. Ser puto e lidar com a frustração é um bocadinho de tudo aquilo - se até a mim me dão ondas de nervos, fará a um puto!

 

Mas neste ano de 2017, no apogeu do politicamente correcto, pior do que os pirralhos armados em mini-bestas, a levar com um  "não" pela primeira vez na vida, estão os comentadores de Facebook!

“Ai que crueldade!”

“Ai os traumas!”

“Fossem meus filhos e morria de vergonha!”

“Ai que as crianças não entendem o que é uma partida!”

 

Parem, pessoas!

Primeiro, os putos ficam sem doces. Não é sem sopa, nem vacinas e nem sequer deixam de ir à escola! E lembram-se das palavras que associamos à área vocabular de “criança”? Palavras tipo, “brincar”, “brincadeira”, “partida”, etc.

Cada pai e mãe conhece bem o seu filho! E muitas reacções baseiam-se também na idade e fase de crescimento de cada um - não é à toa que os mais pequeninos são os mais doces e os mais crescidos, os que dão respostas mais tortas!

 

Se é isto que traumatiza uma criança em 2017, que felizes são as crianças do nosso tempo e que sorte têm elas!

Sim, são crianças, mas evitemos a excessiva infantilização, porque isso não traz benefícios a ninguém. Sobretudo, aos miúdos.

Serão os Alemães melhores a educar crianças?

15.10.17

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De certeza que já aqui comentei isto: se há coisa que os alemães ou os Berliners fazem bem é educar cães e criancinhas. Todos educadinhos, pouco ou nenhum berreiro. Dá gosto.

 

Mas falemos da criançada.

Faça menos frio, frio ou muito frio, andam na rua. Numa versão de bonecos Michelin, mas na rua. Ninguém se preocupa muito se andam bem vestidinhos ou arranjadinhos. As crianças andam cómodas. As roupas bem que podiam ser dos pais e as mochilas dos tempos dos avós - juro, vejo putos a ir para a escola com modelos de mochilas que já no meu tempo seriam consideradas ultrapassadas. São crianças que ainda brincam na rua, descem escorregas sem um adulto a segurá-las e vão para a escola de bicicleta. Se vos disser que até os que andam no infantário vão de bicicleta/triciclo para a escola, asseguro-vos que não estou a mentir. Vão com os pais, mas vão. Dá-me sempre a ideia que às crianças aqui é-lhes dada a liberdade para ser crianças. Um luxo.

 

Quando comento estas coisas em Portugal, pais dizem-me “pois, eu sei que é melhor assim, mas eu não consigo” e eu dou muitas vezes a tentar que simplesmente é falta de paciência. Paciência para ensinar como se faz. Paciência para ver a criança tentar, errar e corrigir. Afinal, chegar e "fazer por" é mais fácil, mais rápido e menos arriscado. 

Muitas vezes esta falta paciência, é apresentada como um medo - “ai que o menino cai, bate a cabeça e morre” ou “ai que o menino mete isso à boca, tem veneno e morre” ou “ai que o menino apanha frio, fica constipado, logo vira pneumonia e morre”!

A minha avó aos 5 anos conseguiu que eu conseguisse parar de roer as unhas, porque me diziam que tinham veneno e eu poderia morrer. Eu aos 5 anos sabia pouca coisa da vida, mas tinha claro que não queria morrer.

A minha avó dizia a minha irmã para não se aproximar dos animais de rua, porque eles mordiam - possivelmente foi bem mais chata com ela do que comigo, para evitar que ela levasse tanto bicho moribundo lá para casa. Resultado? A minha irmã ainda hoje mal toca num bicho - seja coelho, gato ou cão.

 

Quando eu digo estas coisas em Portugal, sobre a educação na Alemanha, outra contra-resposta comum é o “mas eles são muito frios com os putos”! Oi? E isso quer dizer o quê? Quer dizer que não beijam? Quer dizer que não abraçam? Quer dizer que não amam ou exprimem amor? Qual é a relação entre promover a autonomia de uma criança e ter uma relação afectiva em modo Polo Norte?

 

Mea-culpa

Eu não tenho filhos, atirem essas pedras! Sei que há coisas que não são as melhores práticas e que se um dia os tiver, possivelmente farei: pô-lo a ver desenhos animados para me deixar em paz, dar-lhe o telemóvel para a mão para que coma e afins, mas em algumas coisas, espero ser, nem que seja só um bocadinho, mais alemã! Dar asas, espaço e espaço para que caia e se volte a levantar.

 

O amor e importância de dar patadas no cu

03.10.17

 

Filhos na casa dos 30 a viver em casa dos pais, sem contribuir nada para as contas domésticas.

Pais que defendem a ideia “meu riquinho filhinho, tão precioso e coitadinho, não trabalhes que te cansas. Nós compramos-te um carro, limpamos a roupa e ainda te cozinhamos todos os dias”

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Tirando situações pontuais (desemprego, doença, etc.), custa-me ver a relação de dependência entre pais e filhos e filhos pais. Eu gosto muito dos meus pais, eu sei que eles gostam muito de mim, mas se nesta altura do campeonato por preguiça ou por inércia, eu ainda vivesse na casa deles, elas já me teriam dado (e bem!) um pontapé no rabinho.

 

Também por isso não entendo, quando vejo gente adulta, com trabalho, a pagar impostos e com direito a votar, a mentir aos pais sobre A, B e C (tipo: eu fumo ou eu vivo com o meu namorado(a) e afins), porque os pais não vão gostar ou são contra! Como se a mentira fosse o preço do amor ou como se sem mentira não houvesse amor.

Novamente, eu gosto muito dos meus pais, mas não me vou casar porque eles querem, nem mentir sobre decisões importantes na minha vida e afins.

Chegamos ao ponto em que somos todos adultos e isso é bom. Ok, ok… os filhos são sempre crianças aos olhos dos pais, mas o ultra-proteccionismo e a infantilização também não são, acho, formas saudáveis de amor!

 

Ouvi há tempos a história de uma mãe que se matava a trabalhar para sustentar os filhos, ambos já na casa dos 20! Os dois filhos não faziam nada de nada, mas tinham telemóveis XPTO!

Sei ainda de pessoas que se casam, gastam rios de dinheiro no casamento, só para agradar aos pais! Por eles, casavam-se na praia, evitavam o padre… mas os pais! Ai os pais! Os mesmo pais que fumam, mas que deixariam de falar com um filho, por ele fumar! Epa, a sério?

 

Ser pai e mãe é preparar e deixar ir e libertar. Já sei que não tenho filhos, já sei que me vai cair em cima e que os telhados de vidro são foooo…..! Mas o que eu sempre ouvi, sobretudo da minha mãe, era “ela tem de aprender a fazer” ou “ela tem de se desenrascar”! E um bocadinho de bom senso no amor? Mais: é isto amor?