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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Quando é que ir a um casamento ficou tão caro?

07.08.19

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A sério pessoas, quando é que ir a um casamento ficou tão caro? Hoje em dia, o casamento virou negócio. Dos convidados espera-se roupa nova e penteado finesse. Depois, há ainda que contar aquilo que se gasta em deslocação e, na maioria das vezes, há ainda que passar a noite no local, seja porque é longe ou porque depois de uns copos a mais, ninguém quer ir ao volante!

Até aqui tudo bem, mas depois (e é aqui que a porca torce o rabo) há que pagar. Sim, há que pagar para ir um casamento, porque Buda nos livre se não damos dinheiro aos noivos? E embora ninguém fale nisso com os noivos, há como que um pacto secreto, onde toda a gente sabe que menos do que X euros não é aceitável. O valor varia, não tanto pelos noivos, mas em função do sítio escolhido para a boda. Quanto mais chique a valer, mais se espera que o convidado pague.

Já para não falar de quando os convidados são casais! E se têm filhos, Nossa Senhora de Fátima que os ajude, pois ainda terão de pagar mais!

A coisa é tão ridícula que pessoas deixam de ir a casamentos, supostamente bonitas celebrações de amor entre duas pessoas de quem gostam, por não ter dinheiro!

 

No fundo,  não somos convidados para ir a um casamento: pagamos a inscrição! Uma pena que pelo meio, não nos deixem nem escolher o menu, nem a bebida, nem o loca ou a música da festa!

Dia Nacional do Cigano

24.06.19

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Hoje celebra-se o Dia Nacional do Cigano. E inevitável dizer que em Portugal, os ciganos são a etnia mais discriminada. Assim que se fala de ciganos, lá vêm as histórias dos ciganos que vivem à parte, comem todos os subsídios, não trabalham, roubam e o diabo a sete. Contudo, se perguntarmos a estas pessoas se conhece algum cigano, elas vão dizer que não, mas o amigo do primo, sim.

Nos últimos anos, há cada vez mais notícias pela positiva: ciganos políticos, mulheres  ciganas que chegam à universidade, etc. Todavia, a maioria parece continuar a preferir a atacar, atacar e atacar, com base em preconceitos e não avançar.

Como se quem mais roubasse em Portugal não fossem brancos!
Como se em Portugal, apenas famílias ciganas vivam e dependem do rendimento mínimo!
Como se comparado com a roubalheira de bancos, o dinheiro do rendimento mínimo é que faz toda a diferença na economia do país!

Hoje foi anunciado que o Governo vai dar 100 bolsas de estudo a alunos ciganos, para continuarem os estudos. É ir pelas redes sociais e apreciar o ódio e a ignorância. Como se 100 fosse um número obsceno e qualquer medida para incentivar ao estudo não fosse sempre de aplaudir!

Está na altura de deixarmos o "nós" e o "eles", quando juntos podemos caminhar mais longe!

Por que é que Portugal lê tão pouco?

17.06.19

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Ontem entrei numa livraria gigante em São Paulo e maravilha das maravilhas, cheia! Gente por todo o lado, sentada no chão, em puffs e encostada às estantes de livro aberto! Gente de todas as idades, géneros e tamanhos. Uma maravilha! E o preço dos livros, tão baratos, quando comparando com Portugal!

 

Aliás, quando se compara Portugal com Espanha, Itália ou outros países da Europa, é de pasmar como os livros são caros e a dificuldade que há, em encontrar livros em segunda mão a preço de segunda mão! 

Hoje em dia, uso muito o Kindle para ler e muitas vezes, acabo por comprar livros em inglês ou em espanhol, porque são BEM mais baratos do que a versão portuguesa. Inclusive, livros de autores de língua portuguesa.

Aliás, nunca me vou esquecer quando em Itália, vi livros de Saramago, Pessoa ou Lobo Antunes a preços bem mais em conta do que os das livrarias portuguesas!

 

Tudo isto, a meu ver, é o reflexo de um país que lê pouco. A industria é mínima, são poucas as editoras e logo, a competitividade e lucro ainda mais pequena. Mas afinal, por que razão lêem os portugueses tão pouco? Ninguém diz que precisam de ser um Marcelo a despachar três livros por noite, mas há assim tão pouco tempo? Haverá assim tanto trabalho e filhos para cuidar e trabalho para fazer?

Os portugueses em geral parecem-me sempre tão orgulhosos da sua literatura. É vê-los indignados quando alguém não sabe quem é Camões ou a bradar o Nobel do Saramago, como se fosse um prémio de todos. A questão é: será que já os leram? Aliás, a questão é por que não lêem mais?

O fim de Game Of Thrones

20.05.19

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Adieu, adios!
Acabou Game Of Thrones!

A história era boa, os actores incríveis, os efeitos do melhor! Contudo, o melhor de GOT será sempre a loucura à volta de cada episódio! O que vai acontecer? O que aconteceu? Como era no livro? O que significa aquela colher virada para o Snow? Nunca uma série foi tão escrutinada e vivida de forma tão intensa. O poder da Internet é isto, meus amigos!

Possivelmente, se Friends, Sopranos ou Sete palmos de terra fosse feita nestes dias e a loucura teria sido ainda maior.

Dois anos depois, saiu por fim a última temporada. Tendo em conta as últimas temporadas, as expectativas eram mais do que muitos e obviamente que muita gente iria sair insatisfeita. Houve demasiado tempo para divagar,  para inventar finais e criar expectativas!

Além disso, GOT sempre foi uma série sobre pessoas: as suas intrigas e complexidades. Ou seja, palminhas para os efeitos especais que podem ser (e são) MUITO incríveis, mas quem gosta de GOT, quer é ser surpreendido. Quase de forma sádica - como assim, o meu personagem favorito não morreu? Como assim a minha personagem favorita  virou a má da fita? Como assim o personagem principal não vive feliz para sempre, com direito a amor e uma cabana?

Sinceramente, mais do que de GOT, vou sentir falta desta loucura toda à volta da seríe. Embora ache que há demasiado choradinho, dava-me gozo ler teorias, ver detalhes que não tinha dado conta dias depois, discutir as personagens via Whatsapp e rir-me com os memes parvos da Net - obrigada, Internet.

Aliás, obrigada Internet por teres feito estes últimos anos ainda mais interessantes. Foi do carago.

Agora que venham os livros - sim, porque isto ainda não acabou!

 

PS: Dois pensamentos sobre o último episódio:

  • Ora então, há cinza por todo o lado, mas aquela gente sai toda impecável?! Nem uma cinzinha no cabelo?
  • Brienne, amiga, isso de escrever a tinta e virar a página... borraste tudo, filha!

Mulheres que escolhem não ter filhos

08.05.19

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Um dos posts mais lidos neste blog (e comentados) foi o Alguém por aí já se arrependeu de ter filhos?, sobre mulheres que se fosse hoje, teriam optado por não ter parido. Mães com filhos saudáveis e com boas vidas, mas a quem a maternidade não preencheu, nem se revelou a maravilha que muitos falam.

Ora, vi hoje no Facebook do Público um post sobre este tema, onde a pergunta era: "Sou menos mulher por não querer ter filhos?"

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E pessoas amigas, deixem-me que vos diga: que maravilha de comentários! Que delícia! É certo que o Facebook parece atrair a parvoíce e replicá-la, mas há comentário verdadeiramente brilhantes sobre o tema. Deixo-vos alguns:

 

"Sim. O papel de uma mulher está na sua própria biologia, basta olhar."

 

"tenho 3 e adoro!!! quem não tem não tem ideia do "sabor " de os ter !!!! enche-me a alma!!! completa-me como ser humano!! etc etc etc etc etc etc"

 

"E depois envelhece sozinha , depressiva, num apartamento cheio de gatos mas com um copo de vinho claro. Conversa de merda"

 

Infelizmente para muitos, a ideia de que ser mulher se define pela maternidade continua forte. Ainda mais com todos a acharem que devem e podem opinar sobre este tipo de escolha. Uma mulher que não tenha filhos, continua a ser exactamente isso: uma mulher.

 

 

Vi o documentário da Maddie na Netflix e pensei

30.03.19

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Possivelmente, cheguei tarde à festa, mas só ontem acabei o documentário sobre o desaparecimento da Maddie, da Netflix. Se em boa verdade aquilo poderia ser encurtado e ser coisinha para render uns cinco episódios,  não deixa de ser meio alucinante (acho que é esta a palavra), quando vemos a cronologia dos acontecimentos.

Além disso, há tanta, mas tanta coisa que fica por ser esclarecida! Aqui vão alguns pensamentos que tive enquanto via o documentário:

 

  • Então, o Gonçalo Amaral anda a ser investigado por má conduta no caso da Joana e ainda assim é-lhe dado mais um caso? E se não fosse pela investigação, como é que depois da salganhada que aquilo foi, o caso não foi dado a outro inspector? Ou ele é o único inspector do reino dos Algarves?

 

  • Ok, estou de acordo quando se diz que ir deixar os miúdos em casa e ir jantar é mau. Contudo, não há paciência às 23982 considerações que são feitas ao longo do documentário sobre a postura da mãe (sempre ela, obviamente!). Ora porque não chorava, ora porque não era carinhosa, ora porque os ingleses são pais do demo, sem coração! Como se a dor e tristeza se medisse e se quantificasse. Como se só as lágrimas pudessem provar a infelicidade.

 

  • Não há pachorra para os primeiros episódios com os coitadinhos dos jornalistas a queixarem-se que não sabiam de nada. 

 

  • Contudo, nada me chocou tanto como a história do ADN. Com que então, o sangue encontrado na casa nunca foi da Maddie?! Ver a própria jornalista da RTP (a Sandra Felgueiras), que anos antes declarava a pés juntos que o ADN era da menina, a dizer que afinal também ela tinha sido enganada e, mais, a assumir que a fonte dela era o Gonçalo Amaral, foi....! Obviamente que os jornalistas têm as suas fontes, mas ela e tantos outros jornalistas acreditaram nele! NELE! No Gonçalo Amaral... um investigador com um percurso pouco bonito (caso Joana, por exemplo). Ou seja, ela e tantos outros fizeram-nos acreditar (eu achava que sim), que o sangue sim, era da miúda. E a fonte? Ele! Nunca nenhum deles sequer viu o relatório na altura em que este tipo de informação era bradado aos quatro ventos e que levou tanta gente a achar que os pais estavam envolvidos!

 

  • E uma nova investigação ao caso da Joana, humm?

 

  • Sim, porque o problema não é a Maddie ter helicópteros, nem toda a atenção do mundo! O problema é as restantes crianças desaparecidas não angariarem igualmente essa mesma atenção, que isto seja muito claro! Não se pode culpar os pais da Maddie, por estarem a fazer tudo o que podem para que a filha deles não seja esquecida e que as buscas continuem. Uma pena é que outros casos não tenham a mesma influência mediática!

 

  • Outra coisa no documentário que me custou a tragar foi o mega-milionário e o filho que ajudaram, por filantropia, os pais da Maddie e que na verdade, mais pareciam dois putos novos-ricos a brincar aos detectives, sem respeito, nem consideração pelos direitos dos outros.

 

  • E se eles são maus, o que dizer do outro detective fraudulento? Pobres pais! Só lhes tocou loucos - não lhes bastava o Amaral!

 

  • Sim, porque muito do trabalho da PJ que foi feito na Praia da Luz foi de facto vergonhoso: a reconstituição do crime que nunca foi feita; o não seguir outras pistas, nem linhas de investigação, parecendo mais preocupados em provar a teoria (os pais mataram), do que outra coisa; a maneira que punham e dispunham da vida dos arguidos (19 horas a ser interrogado? Nunca indicar em qual drive teriam encontrado o "suposto material com pornografia infantil"?...). Já não é a primeira vez que a PJ é acusada de falhar em casos de crianças desaparecidas - veja-se o caso Rui Pedro e a forma terrível como a família, em particular a mãe, foi tratada pela polícia nos primeiros anos!

 

Enfim! E no meio disto, a miúda que continua desaparecida!

Quem é que vai salvar o SNS?

17.03.19

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Sou de Coimbra, ou seja, pessoa com a vida facilitada e com dois hospitais à porta: o Hospital dos Covões e o Hospital Novo, esse grande colosso no que toca a vanguarda e medicina no país. Em Coimbra, todos sabemos que os Covões sempre foram o primo pobre do Hospital Novo. Contudo, lembro-me de ser operada e ser bem tratada. Também me lembro dos tempos em que o Hospital Novo de Coimbra era "um hotel de 5 estrelas". Agora é um despojo: buracos nas paredes, sanitas sem tampos, ladrilhos saídos, etc. E não, não é só a falta de dinheiro, há ali uma GRANDE falta de cuidado e de manutenção.

Deixa-me triste ver que numa cidade com dois hospitais, os privados têm crescido que nem cogumelos: ele é CUF, ele é IDEALMED, ele é Hospital da Luz e outros que mais!

 

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Sala de espera dos HUC

A semana passada tive que ir ao Hospital Novo: três horas de espera, bancos na sala de espera de plástico e partidos, falta de lugares para tanta gente, pacientes em cadeira de rodas e a ter de esperar duas e mais horas - e deus nos livre que alguém reclame, porque já se sabe, o tempo dos médicos é sempre mais preciosos do que o nosso, comuns mortais, que devíamos estar gratos, por alguém nos atender.

Atendeu-me um médico que nem cinco minutos perdeu a ler o historial e a fazer perguntas tão parvas como "quer ser operado?"; enquanto interrompia três vezes a consulta (que nem de 15 minutos durou), para atender o telemóvel. No final disse qualquer coisa como, "se não lhe chamarem para operação em seis meses, vai para o privado. E não se preocupe: o Estado paga".

Pois, eu sei que paga, mas eu não quero privados. Eu não quero a privatização da saúde: eu quero um sistema de saúde público de primeira qualidade e a funcionar para todos. É pedir muito?