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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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Dia Nacional do Cigano

24.06.19

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Hoje celebra-se o Dia Nacional do Cigano. E inevitável dizer que em Portugal, os ciganos são a etnia mais discriminada. Assim que se fala de ciganos, lá vêm as histórias dos ciganos que vivem à parte, comem todos os subsídios, não trabalham, roubam e o diabo a sete. Contudo, se perguntarmos a estas pessoas se conhece algum cigano, elas vão dizer que não, mas o amigo do primo, sim.

Nos últimos anos, há cada vez mais notícias pela positiva: ciganos políticos, mulheres  ciganas que chegam à universidade, etc. Todavia, a maioria parece continuar a preferir a atacar, atacar e atacar, com base em preconceitos e não avançar.

Como se quem mais roubasse em Portugal não fossem brancos!
Como se em Portugal, apenas famílias ciganas vivam e dependem do rendimento mínimo!
Como se comparado com a roubalheira de bancos, o dinheiro do rendimento mínimo é que faz toda a diferença na economia do país!

Hoje foi anunciado que o Governo vai dar 100 bolsas de estudo a alunos ciganos, para continuarem os estudos. É ir pelas redes sociais e apreciar o ódio e a ignorância. Como se 100 fosse um número obsceno e qualquer medida para incentivar ao estudo não fosse sempre de aplaudir!

Está na altura de deixarmos o "nós" e o "eles", quando juntos podemos caminhar mais longe!

Por que é que Portugal lê tão pouco?

17.06.19

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Ontem entrei numa livraria gigante em São Paulo e maravilha das maravilhas, cheia! Gente por todo o lado, sentada no chão, em puffs e encostada às estantes de livro aberto! Gente de todas as idades, géneros e tamanhos. Uma maravilha! E o preço dos livros, tão baratos, quando comparando com Portugal!

 

Aliás, quando se compara Portugal com Espanha, Itália ou outros países da Europa, é de pasmar como os livros são caros e a dificuldade que há, em encontrar livros em segunda mão a preço de segunda mão! 

Hoje em dia, uso muito o Kindle para ler e muitas vezes, acabo por comprar livros em inglês ou em espanhol, porque são BEM mais baratos do que a versão portuguesa. Inclusive, livros de autores de língua portuguesa.

Aliás, nunca me vou esquecer quando em Itália, vi livros de Saramago, Pessoa ou Lobo Antunes a preços bem mais em conta do que os das livrarias portuguesas!

 

Tudo isto, a meu ver, é o reflexo de um país que lê pouco. A industria é mínima, são poucas as editoras e logo, a competitividade e lucro ainda mais pequena. Mas afinal, por que razão lêem os portugueses tão pouco? Ninguém diz que precisam de ser um Marcelo a despachar três livros por noite, mas há assim tão pouco tempo? Haverá assim tanto trabalho e filhos para cuidar e trabalho para fazer?

Os portugueses em geral parecem-me sempre tão orgulhosos da sua literatura. É vê-los indignados quando alguém não sabe quem é Camões ou a bradar o Nobel do Saramago, como se fosse um prémio de todos. A questão é: será que já os leram? Aliás, a questão é por que não lêem mais?

O fim de Game Of Thrones

20.05.19

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Adieu, adios!
Acabou Game Of Thrones!

A história era boa, os actores incríveis, os efeitos do melhor! Contudo, o melhor de GOT será sempre a loucura à volta de cada episódio! O que vai acontecer? O que aconteceu? Como era no livro? O que significa aquela colher virada para o Snow? Nunca uma série foi tão escrutinada e vivida de forma tão intensa. O poder da Internet é isto, meus amigos!

Possivelmente, se Friends, Sopranos ou Sete palmos de terra fosse feita nestes dias e a loucura teria sido ainda maior.

Dois anos depois, saiu por fim a última temporada. Tendo em conta as últimas temporadas, as expectativas eram mais do que muitos e obviamente que muita gente iria sair insatisfeita. Houve demasiado tempo para divagar,  para inventar finais e criar expectativas!

Além disso, GOT sempre foi uma série sobre pessoas: as suas intrigas e complexidades. Ou seja, palminhas para os efeitos especais que podem ser (e são) MUITO incríveis, mas quem gosta de GOT, quer é ser surpreendido. Quase de forma sádica - como assim, o meu personagem favorito não morreu? Como assim a minha personagem favorita  virou a má da fita? Como assim o personagem principal não vive feliz para sempre, com direito a amor e uma cabana?

Sinceramente, mais do que de GOT, vou sentir falta desta loucura toda à volta da seríe. Embora ache que há demasiado choradinho, dava-me gozo ler teorias, ver detalhes que não tinha dado conta dias depois, discutir as personagens via Whatsapp e rir-me com os memes parvos da Net - obrigada, Internet.

Aliás, obrigada Internet por teres feito estes últimos anos ainda mais interessantes. Foi do carago.

Agora que venham os livros - sim, porque isto ainda não acabou!

 

PS: Dois pensamentos sobre o último episódio:

  • Ora então, há cinza por todo o lado, mas aquela gente sai toda impecável?! Nem uma cinzinha no cabelo?
  • Brienne, amiga, isso de escrever a tinta e virar a página... borraste tudo, filha!

Mulheres que escolhem não ter filhos

08.05.19

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Um dos posts mais lidos neste blog (e comentados) foi o Alguém por aí já se arrependeu de ter filhos?, sobre mulheres que se fosse hoje, teriam optado por não ter parido. Mães com filhos saudáveis e com boas vidas, mas a quem a maternidade não preencheu, nem se revelou a maravilha que muitos falam.

Ora, vi hoje no Facebook do Público um post sobre este tema, onde a pergunta era: "Sou menos mulher por não querer ter filhos?"

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E pessoas amigas, deixem-me que vos diga: que maravilha de comentários! Que delícia! É certo que o Facebook parece atrair a parvoíce e replicá-la, mas há comentário verdadeiramente brilhantes sobre o tema. Deixo-vos alguns:

 

"Sim. O papel de uma mulher está na sua própria biologia, basta olhar."

 

"tenho 3 e adoro!!! quem não tem não tem ideia do "sabor " de os ter !!!! enche-me a alma!!! completa-me como ser humano!! etc etc etc etc etc etc"

 

"E depois envelhece sozinha , depressiva, num apartamento cheio de gatos mas com um copo de vinho claro. Conversa de merda"

 

Infelizmente para muitos, a ideia de que ser mulher se define pela maternidade continua forte. Ainda mais com todos a acharem que devem e podem opinar sobre este tipo de escolha. Uma mulher que não tenha filhos, continua a ser exactamente isso: uma mulher.

 

 

Vi o documentário da Maddie na Netflix e pensei

30.03.19

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Possivelmente, cheguei tarde à festa, mas só ontem acabei o documentário sobre o desaparecimento da Maddie, da Netflix. Se em boa verdade aquilo poderia ser encurtado e ser coisinha para render uns cinco episódios,  não deixa de ser meio alucinante (acho que é esta a palavra), quando vemos a cronologia dos acontecimentos.

Além disso, há tanta, mas tanta coisa que fica por ser esclarecida! Aqui vão alguns pensamentos que tive enquanto via o documentário:

 

  • Então, o Gonçalo Amaral anda a ser investigado por má conduta no caso da Joana e ainda assim é-lhe dado mais um caso? E se não fosse pela investigação, como é que depois da salganhada que aquilo foi, o caso não foi dado a outro inspector? Ou ele é o único inspector do reino dos Algarves?

 

  • Ok, estou de acordo quando se diz que ir deixar os miúdos em casa e ir jantar é mau. Contudo, não há paciência às 23982 considerações que são feitas ao longo do documentário sobre a postura da mãe (sempre ela, obviamente!). Ora porque não chorava, ora porque não era carinhosa, ora porque os ingleses são pais do demo, sem coração! Como se a dor e tristeza se medisse e se quantificasse. Como se só as lágrimas pudessem provar a infelicidade.

 

  • Não há pachorra para os primeiros episódios com os coitadinhos dos jornalistas a queixarem-se que não sabiam de nada. 

 

  • Contudo, nada me chocou tanto como a história do ADN. Com que então, o sangue encontrado na casa nunca foi da Maddie?! Ver a própria jornalista da RTP (a Sandra Felgueiras), que anos antes declarava a pés juntos que o ADN era da menina, a dizer que afinal também ela tinha sido enganada e, mais, a assumir que a fonte dela era o Gonçalo Amaral, foi....! Obviamente que os jornalistas têm as suas fontes, mas ela e tantos outros jornalistas acreditaram nele! NELE! No Gonçalo Amaral... um investigador com um percurso pouco bonito (caso Joana, por exemplo). Ou seja, ela e tantos outros fizeram-nos acreditar (eu achava que sim), que o sangue sim, era da miúda. E a fonte? Ele! Nunca nenhum deles sequer viu o relatório na altura em que este tipo de informação era bradado aos quatro ventos e que levou tanta gente a achar que os pais estavam envolvidos!

 

  • E uma nova investigação ao caso da Joana, humm?

 

  • Sim, porque o problema não é a Maddie ter helicópteros, nem toda a atenção do mundo! O problema é as restantes crianças desaparecidas não angariarem igualmente essa mesma atenção, que isto seja muito claro! Não se pode culpar os pais da Maddie, por estarem a fazer tudo o que podem para que a filha deles não seja esquecida e que as buscas continuem. Uma pena é que outros casos não tenham a mesma influência mediática!

 

  • Outra coisa no documentário que me custou a tragar foi o mega-milionário e o filho que ajudaram, por filantropia, os pais da Maddie e que na verdade, mais pareciam dois putos novos-ricos a brincar aos detectives, sem respeito, nem consideração pelos direitos dos outros.

 

  • E se eles são maus, o que dizer do outro detective fraudulento? Pobres pais! Só lhes tocou loucos - não lhes bastava o Amaral!

 

  • Sim, porque muito do trabalho da PJ que foi feito na Praia da Luz foi de facto vergonhoso: a reconstituição do crime que nunca foi feita; o não seguir outras pistas, nem linhas de investigação, parecendo mais preocupados em provar a teoria (os pais mataram), do que outra coisa; a maneira que punham e dispunham da vida dos arguidos (19 horas a ser interrogado? Nunca indicar em qual drive teriam encontrado o "suposto material com pornografia infantil"?...). Já não é a primeira vez que a PJ é acusada de falhar em casos de crianças desaparecidas - veja-se o caso Rui Pedro e a forma terrível como a família, em particular a mãe, foi tratada pela polícia nos primeiros anos!

 

Enfim! E no meio disto, a miúda que continua desaparecida!

Quem é que vai salvar o SNS?

17.03.19

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Sou de Coimbra, ou seja, pessoa com a vida facilitada e com dois hospitais à porta: o Hospital dos Covões e o Hospital Novo, esse grande colosso no que toca a vanguarda e medicina no país. Em Coimbra, todos sabemos que os Covões sempre foram o primo pobre do Hospital Novo. Contudo, lembro-me de ser operada e ser bem tratada. Também me lembro dos tempos em que o Hospital Novo de Coimbra era "um hotel de 5 estrelas". Agora é um despojo: buracos nas paredes, sanitas sem tampos, ladrilhos saídos, etc. E não, não é só a falta de dinheiro, há ali uma GRANDE falta de cuidado e de manutenção.

Deixa-me triste ver que numa cidade com dois hospitais, os privados têm crescido que nem cogumelos: ele é CUF, ele é IDEALMED, ele é Hospital da Luz e outros que mais!

 

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Sala de espera dos HUC

A semana passada tive que ir ao Hospital Novo: três horas de espera, bancos na sala de espera de plástico e partidos, falta de lugares para tanta gente, pacientes em cadeira de rodas e a ter de esperar duas e mais horas - e deus nos livre que alguém reclame, porque já se sabe, o tempo dos médicos é sempre mais preciosos do que o nosso, comuns mortais, que devíamos estar gratos, por alguém nos atender.

Atendeu-me um médico que nem cinco minutos perdeu a ler o historial e a fazer perguntas tão parvas como "quer ser operado?"; enquanto interrompia três vezes a consulta (que nem de 15 minutos durou), para atender o telemóvel. No final disse qualquer coisa como, "se não lhe chamarem para operação em seis meses, vai para o privado. E não se preocupe: o Estado paga".

Pois, eu sei que paga, mas eu não quero privados. Eu não quero a privatização da saúde: eu quero um sistema de saúde público de primeira qualidade e a funcionar para todos. É pedir muito?

10 Coisas que um homem pode fazer pelas Mulheres

08.03.19

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1. Questionar-se

Desconstruir ideias é o primeiro passo para entender que vivemos num  mundo machista. Aceitar que ocupa uma vida de privilégio. Claro que o indivíduo, pode ter uma vida de caca e ser infeliz, contudo isso não faz do seu genero desafortunado ou sofrido. Logo, desconstruir é o primeiro passo.

 

2. Falar com elas

Para isso, o primeiro passo é falar com elas. Logo aí, vão descobrir histórias de mulheres que são questionadas se vão ou não ter filhos numa entrevista de trabalho; assim como de amigas que já fingiram estar ao telemóvel ou atravessaram a rua, porque havia um grupo de homens. Vão também aprender histórias de irmãs que limpavam a casa, enquanto os irmãos jogavam futebol. Ou de colegas, cujos maridos não pagam a pensão de alimentos.

 

3. Ir mais longe

Se ser mulher é fofa, ao nosso lado é bem pior no Gana, na Árábia Saudita ou na Índia. Há mulheres mutiladas, outras que casam aos 11 anos e outras que jamais irão na escola. A razão? Ser mulher.

 

4. Parar de se desculpar e evitar a defensiva

Obviamente que há homens decentes. Nós mulheres sabemos disso. Logo, não faz falta nem que defende atitudes, nem que se desculpe por todos os homens. Comece por si.

 

5. Rever o discurso

Todos os dias reproduzimos discursos machistas e micromachistas, por vezes até sem nos darmos conta - "isso é para meninas", "homem não chora", etc. Obviamente que são apenas palavras, contudo as palavras têm força. Ser consciente disso e ir, pouco a pouco mudando o discurso é meio caminho andando para mudar também acções.

 

6. Entender que o feminismo não é moda e "fez coisas"

Que coisas? Possibilitou às mulheres vestir calças, ir votar e até trabalhar. Graças ao feminismo, não preciso da autorização de um homem para viajar!

 

7. Entender que o feminismo é também bom para ele

Quando se fala de feminismo, fala-se de igualdade. Ninguém, isto é nenhuma mulher, está a pedir mais do que um homem. Só quer o mesmo: oportunidades e também salários, direitos, etc. Os homens também ganham com o feminismo. Por exemplo:

  • Numa sociedade feminista, após um divórcio não é óbvio que é a mãe que tem de ficar com os filhos
  • Numa sociedade feminista, ser homem e ser vítima de abuso ou violência não é piada, nem motivo para gozo

 

8. Falar com outros homens

É importante que haja gajos que quando um grupo de amigos começa a assobiar a uma moça, saiba ser o homem que para com aquilo. Ou o amigo que questiona o outro quando deixa de ir buscar o filho para ir à bola.

 

9. Educar os filhos

E aqui não basta dizer, há que fazer. Não se trata de "ajudar em casa", mas sim: de COOPERAR. Uma criança que vê a mãe a cozinhar e o pai a limpar a louça, consegue perfeitamente assimilar o sentido de igualdade e de partilha. Acções valem mais do que mil actos.

 

10. Usar o seu privilégio em favor delas

E isto significa coisas tão simples como um "dar a palavra a" a actos maiores. Contudo, vamos começar pelos pequeninos, ok?

 

E mulheres: estes dez conselhos aplicam-se também a nós.