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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Vou à Padaria Portuguesa comprar um Pão de Deus com espírito de equipa!

29.10.17 | Maria vai com todos

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Nada como uma boa polémica Facebookiana para animar o dia? É ou não é? Novamente, o sócio-gerente da Padaria Portuguesa, Nuno Carvalho a dar que falar! Desta vez, numa entrevista à Dinheiro Vivo, com frases lindas e fofas como:

 

"Fazemos investimento a sério nas pessoas: uma vez por ano juntamos todos os trabalhadores num arraial de verão e fechamos as lojas mais cedo"

"Cada vez que nasce um bebé, oferecemos um creme e um babygrow e escrevo um postal de aniversário personalizado"

"tratamos as pessoas como pessoas."

"Criamos um espírito de equipa que vale muito mais do que a remuneração base."

 

Tudo isto dá pano para mangas e para fazer piadolas deliciosas, é certo. É certo também que a Padaria Portuguesa faz tudo o que manda a lei e paga e emprega, logo contribui para a economia. Pagam uma caca aos funcionários, quando olhamos para os lucros e ainda lixam o comércio local, mas eu não quero entrar por aí. Cada um decida onde comer o seu Pão de Deus.

 

O que me dá sempre comichão é ouvir este tipo de empresários, que apenas cumprem a lei e pagam os mínimos a acharem-se a última Coca Cola do deserto, pois são tão bons e modernos, tão cheios de "inputs" da treta, para encobrir a precariedade! Esta conversinha do "amor à camisola", quase a roçar um "as pessoas deviam era pagar para trabalhar na nossa empresa espectacular" dá-me vomitinho. Como se espírito de equipa pagasse contas e no final do dia, não fossemos todos trabalhar por um motivo: dinheiro. Money. Pasta. Cacau. Dlim dlim.

 

Quem diz a Padaria Portuguesa, diz outras empresas.

Na minha área e mesmo em Berlim, o que mais há aos pontapés é disto e com este espírito! Empresas que dão aulas de ioga, bebidas e almoços uma vez por semana e que acham que isto, mais o ambiente multicultural e jovem e dinâmico paga o aluguer e as contas da casa. Que fixe e competente é aquele funcionário que trabalha até às 21h00 sem cobrar horas extras. Bem, agora vou ali à Padaria Portuguesa comprar um Pão de Deus com espírito de equipa!

Guia para viajar na África so Sul

28.10.17 | Maria vai com todos

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Para alguém que quer ver bichos, cheirar a terra africana, confirmar que o pôr-do-sol por aquelas bandas é mesmo lindo e ainda comer e beber bem, a África do Sul é o país ideal. Muitos consideram-na como o melhor país para quem quer começar a viajar por África, porque é dos mais desenvolvidos e ricos países do continente. Eu acho que é tudo isso e muito mais, com a vantagem de ter elefantes e ainda uma costa que dá, fácil, fácil, 5 a zero à costa alentejana - desculpem lá!

Eu recomendo. Fiquei com África no Sul, tanto que pensei várias vezes (e penso!) "eu devia era viver aqui" e foi, sem dúvida, das minhas melhores experiências de viagem!

 

 

 

África do Sul clima: Quando ir?

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Para começar, não há um clima na África do Sul. Há climas! O país é gigante, com o Atlântico de um lado e o Índico do outro. Sim, os Verões são muito quentes e no inverno são comuns as temperaturas negativas. E lembre-se, quando estamos no verão, lá é inverno. Assim sendo, aproveite para ir entre Novembro a Marco e lembre-se que Dezembro e Janeiro são os meses quentes por lá.

 

 

A África do Sul é cara?

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 É.

Não é.

Na África do Sul os preços são muito parecidos com a Europa. Como tudo dá para fazer opções baratas (comi muito pão com queijo), mas no geral comer fora, atracções, etc. possuem preços bem Europa. Estamos num dos países mais ricos do mundo, não esperem cá bagatelas, nem preços tipo Marrocos. Mas há também muitos mercados de rua e a gasolina é (bem mais) barata do que aqui!

 

 

A comida na África do Sul é boa?

É, MUITO.

Tendo em conta a enormidade do país, poderão também contar com uma gastronomia bem variada - sobretudo em Cape Town, a Cidade do Cabo, que é possivelmente a cidade mais multicultural da África do Sul e onde comi muito comidinha indiana boa, BOA!  A gastronomia da África do Sul é muito baseada em carne e churrascos. São muito carnívoros e verdade seja dita, foi das melhores carnes que comi na vida - a industria da carne, inclusive exportações é gigante no país.

 

 

E a bebida na África do Sul?

Bem, amigos… vinhos M A R A V I L H O S O S! Praia, montes, desertos e, claro, muitas vinhas. A África do Sul tem mesmo tudo.

Eu que vivo na Alemanha e sofro horrores com o vinho mau (é mesmo muito mau aqui! E caro!) vibrava cada vez que pedia o vinho mais barato da carta e era simplesmente maravilho!

Na região de Cape Town há imensas vinhas. Em Hermanus vistamos uma lindíssima mesmo - casava-me ali. Conhecemos as empregadas super simpáticas e uma delas já bem tocada pelo álcool (ossos do oficio) e eu só pensava “é isto! Eu devia era trabalhar num sitio destes”!

 

 

Como são os transportes na África do Sul? É fácil viajar pela África do Sul?

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Há comboio e há autocarros, mas eu não experimentei. Em Cape Town a coisa ainda safa, caminhos para todo o lado a pé usamos a Uber duas vezes. Já em Joanesburgo, usamos sempre o Uber - eu não gosto da Uber, mas não havia mesmo outra opção. Foi comer e calar.

Para viajar pela África do Sul e nas cidades, os transportes públicos são mito. Não há, há poucos, não chegam onde queremos… Moral da história: alugamos um carro - que é bem mais barato do que na Europa, verdade seja dita.

 

Além disso, as estradas são óptimas super seguras. Em 3 semanas, nós fizemos (preparem-se: 4 606 km de carro!!

E sabem aquelas historias de policias corruptos que inventam multas, para sacar dinheiro aos estrangeiros? Pois bem, fomos parados e aconteceu - pedia-nos qualquer coisa como 50€, o ordinário. Lá-se-me-deu uma luz e disse, “sim, senhor a lei é para cumprir, passe o papelinho, que a gente paga na esquadra mais próxima. Ora essa, não faz mal se é longe, somos gente séria e pagamos o que é devido”. Moral da história: deixou-nos ir sem pagar nada.

 

 

Alojamento na África do Sul

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 Nós fizemos sempre Airbnb, porque queríamos muito conhecer pessoas e entender, assim, melhor o país. No resto do país, como fomos de carro e era muito ao espírito de um dia de cada vez, ficamos em hosteis, pensões, pseudo-tendas com girafas no jardim, casas mais familiares,… um pouco de tudo e com a possibilidade de gente mais diversa, com histórias de vida interessantes.

Obviamente que o facto de irmos assim, “vamos indo e vamos vendo”, fica também mais caro. Reservar tudo com antecedência é mesmo a melhor forma de poupar numa viagem.

 

 

E as pessoas?

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As pessoas foram sempre muito simpáticas e solicitas connosco. Falavam, perguntavam, contavam coisas. Sendo nós brancos, tínhamos também a vida muita facilitada. O racismo na África do Sul é uma realidade e ainda é comum ver empregadas de farda (negras, obviamente) atrás dos senhores brancos. Os putos que vão a pé para a escola são negros. E no Cape Town hipster, brancos consomem e negros trabalham. Mas as coisas estás a mudar e ainda bem.

Mas o país e a sua história continuam a ser uma inspiração. Vale a pena ir lá por isso!

 

Segurança na África do Sul

Dos 83274 mil avisos que recebemos, acatamos um terço. Andamos muito a pé mesmo, mas lá está não esticamos a corda. E, atenção, o perigo maior é mesmo nas grandes cidades, nas localidades pequenas era tranquilo.

 

Em Joanesburgo todos nos diziam que nem pensar, andar a pé pelo centro da cidade, não, não e não. Tentamos fazê-lo para fazer um caminho de A a B de cerca de 40 minutos e foi terrível. A pobreza, os cheiros, sermos olhados de alta a baixo. Um horror. Um sitio onde a vida vale menos que nada. Houve um rapaz que nos começou a seguir e tínhamos de passar um túnel. Desistimos e fomos procurar um táxi e, tivemos sorte, encontramos um. Ou seja, conseguimos caminhar durante 25 minutos.

 

 

E viajar sozinho pela África do Sul, recomenda-se?

Sinceramente, acho que sim. Sobretudo por causa do surf, há vários viajantes a solo pelo país. Como em todo o lado, há cuidados a ter, mas fora isso, é tudo bem tranquilo e e as pessoas bem amigáveis. E como todos falam inglês, a coisa fica mais fácil.

 

 

O que ver na África do Sul? O que fazer na África do Sul? O que visitar na África do Sul? Onde ir na África do Sul? Quantos dias para visitar o África do Sul?

A primeira questão é mesmo: quanto tempo tens para viajar pela África do Sul? Aquilo é grande! Eu andei por lá 3 semanas! Aqui fica o meu itinerário pela África do Sul.

 

No mesmo dia que chegamos a Joanesburgo apanhamos voo para Cape Town

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Cape Town: Brincamos com os esquilos no jardim da cidade, fizemos uma free tour focada na parte política e histórica da cidade, fomos àTableMountain (uma das 7 Maravilhas do Mundo), vistamos o bairro suuuuuper colorido BooKap, fomos a alguns museus (como o Museu do Apartheid e outro dedicado às pessoas escraviadas em Cape Town) e apanhamos o barco até à Robben Island, a prisão onde o Mandela esteve preso anos e anos.

Tudo isto a pé e a ir a restaurantes locais.

Não vão na historia do “ai-é-perigoso não vão aqui, não vão ali”. Muitos brancos que nos diziam isso vivem numa bolha, mesmo nos bairros onde moram. Sim, há muita violência e também por isso, nós nunca esticamos a corda, sobretudo à noite, jantávamos perto de casa e antes das 23h00 regressávamos. Mas durante o dia era tranquilo mesmo.

Depois disto agarramos no carro e fomos indo à maluca, parando onde queríamos!

 

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Fomos a Muizenberg, onde estão aquelas casinhas coloridas na praia, uma imagem de marca da área da região.

 

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Paramos em Simon Town para ir visitar as colonial de pinguins africanos - digam lá se África do Sul não é incrível, eles têm pinguins!!! Um calor dos ananases e pinguins!

 

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Fomos dar beijinhos ao Adamastor e visitar o Cabo da Boa Esperança - já agora sabiam que ali não há Indicio nenhum? É um cabo e há muita agitação, mas na verdade o encontro do Atlântico com o Indico dá-se no Cabo Agulhas, muitos km depois!

Andas pelas vinhas e fomos beber vinho a Hermanus - nesta baía é comum haver baleias que vêm aqui ter filhotes, mas é mais no fim do ano. Fiquei mesmo triste. Pelo meio passamos no Cabo Agulhas, aí sim, onde o Atlântico e o índico dão beijinhos! Uma ventania... eu voava! Nem uma foto decente deu para tura!

Fomos a Mosel Bay ver a replica de uma caravela e comer peixinho bom - e ir à praia! Pelo meio, ainda andamos armados em Tomb Raider só para ver focas ao longe, onde elas devem estar!

Passamos uma note ao relento, que frio, em Port Alfred a dormir com macacos no telhado e girafas junto ao carro!

 

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Vimos a outra África do Sul, dos meninos que vão a pé (km e km) para a escola, mas que tomam banho na agua quente do Índico e dormimos em Coffe Bay.

Comemos em Durban, onde pela primeira vez encontramos um restaurante com negros e brancos a servir às mesas e a comer.

 

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Fomos ao Parque Nacional Kruger:, onde nos comportamos como putos de 5 anos a ver bichos. Estão a ver a Bélgica? O Kruger é uma reserva natural do tamanho da Bélgica dentro do país! Há imensos hoteis, acampamentos e lojas lá dentro, bem distribuídas e, sobretudo, muita bicheza. É dos poucos lugares onde se pode avistar os Big Five da vida selvagem - elefantes, leões , leopardos, rinocerontes e búfalos. Nós vimos todos! Fizemos dois safaris, que nos permitirão explorar partes, onde os carros são interditos e ver, loucura, um leão a comer uma zebra, mas a maioria do tempo foi passada no nosso carrinho alugado, uma emoção. Juro-vos, vale mesmo a pena - leiam mais AQUI!

 

A África do Sul está cheia de parques naturais e em todos há que pagar a entrada. E isso é bom, porque é uma forma de controlar e manter os espaços cuidados. Se vão ficar lá por algum tempo, façam as contas e vejam se compensa comprar o Wild Card https://www.sanparks.org/wild_new/ que dá acesso aos vários parques do país geridos pelo San Parks - quase todos. Nós compramos o nosso, porque fazendo as contas ao Krugger e a outros parques que visitamos, acabou por compensar.

 

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Depois do Krugger, e 4 606 km de caro depois, chegamos a Joanesburgo, onde ficamos três dias até voltamos para casa. Sinceramente, aqui recomendo sinceramente uma visita ao Museu do Apartheid. Fora isso, podem-se ir embora!

Pelo meio vistamos florestas tropicais, fomos a parques de elefantes, comemos peixe cozinhado em fogueiras na praia, falamos com muita gente, discutimos o racismo, falamos muito do Mandela, conhecemos portugueses a viver por aquelas bandas, fomos ao Mac da África do Sul, vimos preços de casa, comemos muito pão com queijo e fruta boa. Fomos muito felizes mesmo!

 

 

A África do Sul é um país lindíssimo, que está também a passar por mil transformações sociais e políticas. Há o lado da violência que assusta, sobretudo porque é muito arbitraria, mas depois há tudo o resto que apela: a comida, as paisagens, as pessoas, a diversidade. Para vos inspirar e entender um pouco melhor a África do Sul, recomendo que vejam os stand up do Trevor Noah, ele é sul-africano e usa muito a história dele nos seus espectáculo - disponível na Netflix.

O que é que preferem: Madrid ou Barcelona?

19.10.17 | Maria vai com todos

 

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Vivi em Madrid cinco anos. Já a Barcelona fui três, não, quatro vezes e se há discussão (boa, saudável e animada) que me dá gozo é esta: qual a melhor, Madrid ou Barcelona? Muitas vezes a coisa descamba, mas até lá, dá gozo!

 

Lembro-me bem, de quando tinha 16 anos e depois de um dia (ou menos que isso!) em Barcelona, ter chegado a casa e dizer aos meus pais: “Um dia vou viver em Barcelona!”, afirmação à qual a minha mãe respondeu com aquele olhar de “tem juízo e come a sopa!”.

Lembro-me de me maravilhar com a dinâmica de Barcelona; de ficar deslumbrada com a arquitectura, tão diferente - sabia lá eu quem era o Gaudi?! E, recordo-me sempre do quanto me impactou ver, pela primeira vez, tantas pessoas de cadeira de rodas na rua! E de bicicleta! Para mim, Barcelona era uma cidade inclusiva, uma cidade de todos e para todos e eu achei isso bonito! Ainda mais era limpinha, tinha praia e a vida parecia ser boa!

 

Até chegar ao momento de escolher de verdade o meu destino de Erasmus, estava convicta de que iria para a Barcelona. Depois, acabei por optar pela Turquia, mas isso era outra história!

 

Anos depois, mudei-me para Madrid. Não por opção, mas sim, porque foi aqui que pela primeira me ofereceram um contrato de trabalho com um salário, segurança social e essas coisas. Por esta altura, já trabalhava em Portugal e tinha passado por dois trabalhos. Um num call center e outro numa redacção. Obviamente que ganhava mal e porcamente e ainda acabava a levar latas de atum, cada vez que ia a casa da minha mãe.

Madrid foi a cidade onde fiz vida de pessoa profissional. Onde aprendi e comecei a definir profissão. Foi uma cidade muito generosa comigo, profissionalmente e não só! Madrid deu-me amigos de quem ainda hoje gosto muito e sinto genuinamente saudades. Tenho recordações verdadeiramente felizes, inclusive de momentos tontos, de andar pela rua sozinha e sentir-me genuinamente feliz por viver em Madrid.

 

Mas tentando responder à pergunta, acho sempre que para viver, Madrid é melhor. Para visitar, Barcelona!

Não há nenhuma cidade na Europa, nem no mundo, como Barcelona, a arquitectura é única, assim como a energia da cidade. È uma cidade bem cosmopolita e multicultural e tem, de facto, tudo: praia, montanha, TUDO! Não que Madrid seja feia, mas não tem uma Sagrada Família, nem um Parc Guel. E menos ainda uma Torre Eiffel ou um Coliseu. Madrid é estar na rua, beber e comer, sim amigos: Madrid são tapas e a movida da rua! A maioria dos meus amigos que me ia visitar, ficava a adorar Madrid, porque podiam viver a cidade como locais.

Em Madrid chamam gatos às pessoas que tenham pais e avós (dos dois lados) nascidos em Madrid - creio que conheci dois! Por não haver esse sentimento de pertença, a cidade não é de ninguém. Logo é de todos, as pessoas são mais abertas e há uma maior generosidade.

A primeira página do Público

17.10.17 | Maria vai com todos

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Que beleza e que sensibilidade, porque todos conhecemos este senhor, que poderia ser o nosso vizinha ou avô! A  fotografia de Adriano Miranda ficará para sempre, como uma assobração, tão vazia e tão cheia de beleza! Numa homenagem aos que perdem tudo e ficam de pé, apesar de tudo!

Diga lá outra vez, senhor Primeiro Ministro?

16.10.17 | Maria vai com todos

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Foto de Paulo Pimenta, Público

 

Como assim, situações destas vão-se repetir?

Como assim, mais mortos no futuro?

Como assim, 523 incêndios num dia vão-se repetir?

 

Ou será que a única coisa que se continuará a repetir em Portugal é a desorganização dos vários responsáveis, assim como os insuficientes e pouco profissionais meios e tácticas usados no combate aos incêndios no país?

Ou será que continuaremos a repetir práticas como matas por limpar e cuidar e penas leves pesadas para os criminosos?

Ou iremos repetir na carência de um BOM plano, quer de prevenção, quer para a ordenação do território?

Ou talvez aquilo que se repita (uma e outra vez), seja o facto da culpa e da responsabilização em Portugal morrerem solteiras!

Explique-nos lá o que é que se vai repetir!

 

Ao dizer que situações como as do dia de ontem se repetirão, o senhor parece que quer passar algum tipo de mensagem que nenhum de nós pode aceitar! Será que o senhor não tem tempo/interesse/recursos/o que quer que seja para se dedicar a esta causa, de modo a assegurar que algo assim não ocorra novamente!

Ninguém está a pedir um ano sem fogos no futuro! Apenas pedimos, aliás exigimos melhores meios, preparação e coordenação para que hajam menos mortes e menos danos. Dá para fazer? Por favor? É que o nosso coração não aguenta mais!

Serão os Alemães melhores a educar crianças?

15.10.17 | Maria vai com todos

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De certeza que já aqui comentei isto: se há coisa que os alemães ou os Berliners fazem bem é educar cães e criancinhas. Todos educadinhos, pouco ou nenhum berreiro. Dá gosto.

 

Mas falemos da criançada.

Faça menos frio, frio ou muito frio, andam na rua. Numa versão de bonecos Michelin, mas na rua. Ninguém se preocupa muito se andam bem vestidinhos ou arranjadinhos. As crianças andam cómodas. As roupas bem que podiam ser dos pais e as mochilas dos tempos dos avós - juro, vejo putos a ir para a escola com modelos de mochilas que já no meu tempo seriam consideradas ultrapassadas. São crianças que ainda brincam na rua, descem escorregas sem um adulto a segurá-las e vão para a escola de bicicleta. Se vos disser que até os que andam no infantário vão de bicicleta/triciclo para a escola, asseguro-vos que não estou a mentir. Vão com os pais, mas vão. Dá-me sempre a ideia que às crianças aqui é-lhes dada a liberdade para ser crianças. Um luxo.

 

Quando comento estas coisas em Portugal, pais dizem-me “pois, eu sei que é melhor assim, mas eu não consigo” e eu dou muitas vezes a tentar que simplesmente é falta de paciência. Paciência para ensinar como se faz. Paciência para ver a criança tentar, errar e corrigir. Afinal, chegar e "fazer por" é mais fácil, mais rápido e menos arriscado. 

Muitas vezes esta falta paciência, é apresentada como um medo - “ai que o menino cai, bate a cabeça e morre” ou “ai que o menino mete isso à boca, tem veneno e morre” ou “ai que o menino apanha frio, fica constipado, logo vira pneumonia e morre”!

A minha avó aos 5 anos conseguiu que eu conseguisse parar de roer as unhas, porque me diziam que tinham veneno e eu poderia morrer. Eu aos 5 anos sabia pouca coisa da vida, mas tinha claro que não queria morrer.

A minha avó dizia a minha irmã para não se aproximar dos animais de rua, porque eles mordiam - possivelmente foi bem mais chata com ela do que comigo, para evitar que ela levasse tanto bicho moribundo lá para casa. Resultado? A minha irmã ainda hoje mal toca num bicho - seja coelho, gato ou cão.

 

Quando eu digo estas coisas em Portugal, sobre a educação na Alemanha, outra contra-resposta comum é o “mas eles são muito frios com os putos”! Oi? E isso quer dizer o quê? Quer dizer que não beijam? Quer dizer que não abraçam? Quer dizer que não amam ou exprimem amor? Qual é a relação entre promover a autonomia de uma criança e ter uma relação afectiva em modo Polo Norte?

 

Mea-culpa

Eu não tenho filhos, atirem essas pedras! Sei que há coisas que não são as melhores práticas e que se um dia os tiver, possivelmente farei: pô-lo a ver desenhos animados para me deixar em paz, dar-lhe o telemóvel para a mão para que coma e afins, mas em algumas coisas, espero ser, nem que seja só um bocadinho, mais alemã! Dar asas, espaço e espaço para que caia e se volte a levantar.

 

Dilemas morais de duas rodas

13.10.17 | Maria vai com todos

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Eu sempre disse que gostava mais da bicicleta do que de chocolates, mas agora tenho a certeza!

A bicha andava mal! Havia dias que os pedais, nem para a frente, nem para trás e lá acabava por ser eu a passeá-la, em vez do contrário. Levei-a ao doutor das bicicletas, que imperiosamente disse que a minha pequenina era velha! Obrigadinha! Como se nesta terra valesse a pena ter uma novinha em folha, cheia de mudanças e capaz de subir montes e como se um mês de inverno em Berlim não fosse suficiente para acabar com a desgraçada! Isso, ou esperar que algum ladrão a levasse - são gente esperta, só levam as boas. Adiante! Dilema e moral da história: custa-me mais arranjá-la do que comprar uma nova.

 

Sempre gozei com as pessoas que davam beijinhos aos carros e agora… agora olhem para mim!

Operação Marquês: Habemus caso!

12.10.17 | Maria vai com todos

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Caramba! Portugal até parece um país de primeiro mundo! Por fim, a montanha pariu e na lista de acusados da Operação Marquês é ver um ex-Primeiro Ministro, admnistradores da PT e de bancos, inclusive o dono disto tudo na lista de acusados! Até-se-me dá uma emoção!

 

Obviamente que tudo demorou tudo muito tempo - estamos desde 2013 à espera deste dia, certo? Mas quatro anos depois, 200 buscas feitas, 200 testemunhas ouvidas e mais de 500 contas bancárias escrutinadas, há por fim um caso! E onde é que antes, em Portugal isto aconteceu? Humm?

Onde é que antes, em Portugal, se viu um Primiero Ministro e bancários a serem acusados do que quer que seja?!

Não, a corrupção não foi inventada recentemente, nem sequer é coisa nova por cá! Por isso, deixem-me estar um bocadinho satisfeita, mesmo sabendo que tudo deveria ter sido mais rápido e melhor.

Que se faça justiça, que as montanham não acabem a parir ratinhos, porque precisamos todos de um pouco mais de confiança na justiça... isso e ver culpados a sofrerem consequências. Se depois voltam a ganhar eleições, bem isso já é outro tema!

O amor e importância de dar patadas no cu

03.10.17 | Maria vai com todos

 

Filhos na casa dos 30 a viver em casa dos pais, sem contribuir nada para as contas domésticas.

Pais que defendem a ideia “meu riquinho filhinho, tão precioso e coitadinho, não trabalhes que te cansas. Nós compramos-te um carro, limpamos a roupa e ainda te cozinhamos todos os dias”

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Tirando situações pontuais (desemprego, doença, etc.), custa-me ver a relação de dependência entre pais e filhos e filhos pais. Eu gosto muito dos meus pais, eu sei que eles gostam muito de mim, mas se nesta altura do campeonato por preguiça ou por inércia, eu ainda vivesse na casa deles, elas já me teriam dado (e bem!) um pontapé no rabinho.

 

Também por isso não entendo, quando vejo gente adulta, com trabalho, a pagar impostos e com direito a votar, a mentir aos pais sobre A, B e C (tipo: eu fumo ou eu vivo com o meu namorado(a) e afins), porque os pais não vão gostar ou são contra! Como se a mentira fosse o preço do amor ou como se sem mentira não houvesse amor.

Novamente, eu gosto muito dos meus pais, mas não me vou casar porque eles querem, nem mentir sobre decisões importantes na minha vida e afins.

Chegamos ao ponto em que somos todos adultos e isso é bom. Ok, ok… os filhos são sempre crianças aos olhos dos pais, mas o ultra-proteccionismo e a infantilização também não são, acho, formas saudáveis de amor!

 

Ouvi há tempos a história de uma mãe que se matava a trabalhar para sustentar os filhos, ambos já na casa dos 20! Os dois filhos não faziam nada de nada, mas tinham telemóveis XPTO!

Sei ainda de pessoas que se casam, gastam rios de dinheiro no casamento, só para agradar aos pais! Por eles, casavam-se na praia, evitavam o padre… mas os pais! Ai os pais! Os mesmo pais que fumam, mas que deixariam de falar com um filho, por ele fumar! Epa, a sério?

 

Ser pai e mãe é preparar e deixar ir e libertar. Já sei que não tenho filhos, já sei que me vai cair em cima e que os telhados de vidro são foooo…..! Mas o que eu sempre ouvi, sobretudo da minha mãe, era “ela tem de aprender a fazer” ou “ela tem de se desenrascar”! E um bocadinho de bom senso no amor? Mais: é isto amor?

Catalunha: Quando a polícia e os políticos fazem mais pela independência do que os seus interessados

01.10.17 | Maria vai com todos

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Ora vamos falar de como Espanha é um país unido, de como a Constituição não se muda e de que não há violência, nem opressão, no que toca ao tema da independência, seja da Catalunha, País Basco ou qualquer outra região!

Hoje votava-se na Catalunha. É ilegal. Melhor: não tem qualquer validade legal, isto é: os resultados não contribuem de forma efectiva para nenhuma acção. O referendo foi apenas convocado na região e não em todo o país e, mais importante, não foi convocado pelo Governo Nacional. Apenas local. Vale zero. Vale a intenção. Pessoas naturais da Catalunha podem ir votar contra a independência - muitos o fazem!

Há 2 semanas, Rajoy e companhia começaram um cerco triste, cheio de censura e violência, onde nem os sites com domínio .cat escaparam. Hoje é e está a ser o que se vê. Não é na Venezuela - e digo isto, porque este é sempre o exemplo dado pelos meios de comunicação e políticos espanhóis na hora de falar de violência, ataques à liberdade de expressão, más políticas, regimes não democráticos, etc! Moral da história, não é a Venezuela, nem é a Turquia. Isto é em Espanha. HOJE. AGORA!

 

Não que a minha opinião importe muito, mas  eu não sou, e continuo a não ser, pró-independência, mas uma coisa é certa: as acções dos últimos dias e o dia de hoje, já fizeram mais pelo discurso independentista na Catalunha, do que todos os discursos e debates e acções nos últimos anos. 

 

Para quem tiver nervos de ferro! Aviso já que os vídeos não são bonitos. Eu parei de ver, porque me estavam a comer os nervos. Mas acho que é importante saber, ainda mais quando se passa aqui ao lado!

 

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