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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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O feminismo das Capazes

26.05.17 | Maria vai com todos

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Quando soube que ia haver um colectivo feminista em Portugal, as Capazes, bati palminhas de excitação. Que bom! Ainda mais fiquei feliz de haver tantas mulheres conhecidas a apoiar e a usa o seu mediatismo para a apoiar o feminismo.

Há muito que acompanhava (e acompanho) vários colectivos, especialmente do Brasil, como o Feminismo sem demagogias ou o Não Me Kahlo. Aplaudo de pé, toda a capacidade de sensibilização e de mobilização que têm conseguido no Brasil. E, sinceramente, esperava algo assim das Capazes.

 

Não aconteceu.

Assumo-me como feminista, porque acredito na igualdade de géneros. Como feminista, a violência domestica feminina preocupa-me tanto como a masculina. Sim, estatisticamente ser gaja é bem mais complicado, quer em Portugal, quer no mundo; mas isto não é uma competição! Os homens também têm muito a beneficiar com o feminismo - além do óbvio: viver numa sociedade mais justa para todos. Problemas como a alienação parental ou a custódia das crianças, parecem-me boas razões para os homens se juntarem à causa.

Não acredito que as mulheres sejam melhores em nada, nem que tenham maiores capacidades de liderança ou uma sensibilidade mais apurada. Acredito que o meio e a educação são bem mais importantes. Também não acho que as mulheres são melhores mães ou seres superiores ou mais capazes, como o site Capazes tantas vezes apregoava. Muitos textos pareciam-me sempre superficiais, senti sempre que faltava ali uma representação mais profunda de uma boa parte da sociedade de Portugal. Tudo isto, fez com que tirasse o meu Gosto e deixasse de seguir as Capazes.

 

Esta semana um amigo passou-me um texto publicado no site - podem lê-lo AQUI - e que me deu bastantes, MUITAS comichões. Fica aqui um troço:

 

“(...) tempo de retirar aos opressores o poder de oprimir. E, na democracia, o poder se exerce pelo voto. A suspensão temporária do poder do voto dos homens brancos”

 

Oi? Como? Ai, então, a maneira de igualar isto é parar a democracia um bocadinho? Ai, isto agora não me dá jeito, vamos lá tirar o voto ao homem branco e pôr tudo nos eixos?! Mas está tudo louco.

A democracia não é brinquedo, para ser dado e tirado. Ai, o Trump ganhou? Buuuuuuuh democracia! A democracia é má! É suja! Ai, o Calimero ganhou? Viva! Viva a democracia, a melhor coisinha deste mundo e arredores! Hip, hip, hurra!

Ai, o homem branco chateia? ‘Bora tirar-lhe o direito a votar? Mas esperem, quem é este homem branco? O senhor dono disto tudo, o senhor que dorme debaixo da ponte? São mesmo todos? O meu homem branco feminista também? O homem branco de Portugal e o homem branco da Dinamarca estão no mesmo saco? Como funciona isto?

 

Por favor, alguém que explique às Capazes como funciona esta coisa do feminismo, da igualdade e da democracia, pois eu acho que elas não estão a perceber.

20 Anos de Titanic

23.05.17 | Maria vai com todos

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Pessoas, acabei de ler que o Titanic foi para o cinema há 20 anos! 10! 10 + 10! vinte! VINTE, caramba! A sério que eu estava cá para assistir a essas coisas?! Cum raio! 20 anos!

Lembro-me tão bem quando o filme saiu! Na altura, eu tinha uma amiga que amava o Leonardo DiCaprio e que tinha ido ao cinema  cinco e seis vezes para ver o filme. E o mais estranho é que era daqueles filmes que toda a gente ia ver mais de uma vez ao cinema! lembro-me das Bravo e Super Pop, as revistas da minha adolescência, cheias de posters e artigos sobre o filme. Até fizeram uma vez um livrinho, com uma história secundária, com o Jack a sobreviver ao naufrágio!

Eu ainda estou em choque que já tenham passado 20 anos, era eu uma pita a ter aulas de EVT - EVT, pessoas! Será que isso ainda existe nas escolas! Lembro-me de estar na aula a fazer papagaios de papel e na galhofa sobre o DiCaprio! Como é que é possível que eu já tenha tantos anos assim?!

O vídeo da CMTV de que todos falam

17.05.17 | Maria vai com todos

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Eu juro que tento ser muito ponderada nas minhas críticas ao grupo do Correio da Manhã e com o jornalismo em geral. Durante muito tempo quis ser jornalista. Quis tanto que até fiz o curso, mas a experiência foi-me decepcionando e a precariedade foi a gota que me fez afastar da profissão.

Sei que há bons e maus profissionais e sei que mesmo os bons são, muitas vezes, arrastados. Por mais que nos impinjam a historieta do jornalista sério e imparcial, cujo único interesse é o público, a verdade não é essa. Há uma empresa e, como todas, precisam de fazer dinheiro. Acredito que muitos jornalistas, sejam os que trabalhem no Correio da Manhã ou no Público (que já perdeu há muito a marca de jornalismo de referência em Portugal, para mim!) vivem todos os dias com essa dualidade. Essa, e claro, o combate à precariedade da profissão.

 

Por tudo isto, mesmo quando critico, tento ser compreensiva. Já achei que o Correio da Manhã passou das marcas muitas vezes. E hoje foi outra. Há um vídeo de uma jovem universitária, logo com mais de 18 anos, a ser alegadamente violada, diz a CMTV. Há as circunstâncias, que pouco importam, porque aquilo que tem de ser apontado e julgado é a partilha do vídeo da parte da CMTV (vídeos assim, partilham-se com a polícia), acompanhado pelo belo do “Veja o vídeo”.

 

No Brasil, aqueles que expõem vídeos de teor sexual são acusados de divulgação de pornografia, com pena bastante agravada quando são menores. Espero que neste caso, a CMTV sofra consequências sérias. Não falo de raspanetes deontológicos, nem de provedores inflamados, falo de acção legal com consequências.

Eu não sei se houve ou não violação, isso que trate na justiça. Eu não vi, nem quero ver o vídeo. Nem quero imaginar o horror, nem a humilhação à qual ela e ele estão a ser sujeitos - que consequências terá isto na vida de ambos? O que me inquieta é a CMTV chamar àquilo violação e partilhar um vídeo, chamando gente para ver. E isso, para mim, merece castigo.

Viajar de comboio pela Índia

17.05.17 | Maria vai com todos

 

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Já há algum tempo que pensei em transformar este tópico em material de blog e aproveitando que esta semana me fizeram a mesma pergunta, aqui fica ele, um post sobre “viajar de comboio na Índia”.

 

A menos que alguém esteja a viajar pela índia, com aqueles pacotes de tudo incluído ou com uma agência de viagens, é quase certo que em algum momento terá de apanhar um comboio. Viajar de comboio pela Índia é super cómodo, seguro e confortável. Os Indianos costumam mesmo fazer piadas, dizendo que foi a melhor coissinha que lhes ficou do colonialismo Inglês.

 

Se vai viajar de comboio na Índia, o meu conselho é não esperar nada muito luxuoso. Não é que não existem essas opções, porque existem, mas esgotam logo. Os Indianos viajam MUITO, não importa a casta. E para longas distâncias, o comboio é o meio de transporte mais popular. Mesmo com o aparecimento dos voos low cost domésticos, o comboio continua a ser MUITO popular, até porque é mais barato - basicamente, o sistema de bilhetes funciona em função dos km e distância da viagem, quanto mais distante, mais barato sai.

 

comboios india

 Nos comboios na Índia, existem várias classes. A 1ª Classe, que esgota logo, com mesa, bar e há alguns bem luxuosos. A 2ª Classe (ou Sleepy Class), que possui uns bancos corridos, onde cabem três pessoas à larga. Até porque há noite (há viagens beeeeem longas), a coisa transforma-se num beliche e cada passageiro tem a sua caminha. Aquilo tem um sistema e ficam ali três camas bem práticas - não, não há lençóis, nem almofadas; mas há ventoinhas. Quanto à 3ª Classe, a mais barata, aquilo são lugares no chão, num verdadeiro tudo ao molho e fé em Deus.

Eu só viajei na 2ª Classe, porque só me vendiam bilhetes para essa. Aliás, só mais tarde, é que me apercebi do sistema das classes. Ou seja, comi e calei. E fui bem.

 

Os comboios na Índia são extremamente pontuais, o que num país tão caótico é de aplaudir. Ainda mais, quando eles cargam tudo o que se possa imaginar no comboio (sim, é comum comboios de carga e de passagerios serem um só). E quando digo tudo, é tudo mesmo - animais (vivos e mortos), tijolos, cimento, bicicletas, carros,… Vale a pena ficar do lado de fora a ver aquela agitação toda e como mesmo assim o comboio sai a horas.

 

Quanto a comprar os bilhetes, deverá comprá-los na estação. Há agências que os vendem, assim como vários hotéis e hostels, mas o que eles fazem é, basicamente, mandar lá alguém, que depois compra o bilhete, cobrando depois uma comissão pelo serviço. Não vão em conversas de descontos e promoções.

Aconselho a comprar as viagens de comboio dois/ três dias antes, porque podem esgotar. Muito importante, na hora de comprar os bilhetes, leve consigo uma (ou duas) fotocópias do passaporte. Aquilo é coisa séria, com impressos e coisas para preencher. Se houver dúvidas, há sempre gente à volta com vontade de ajudar ou simplesmente meter o bedelho - algo que os Indianos adoram fazer 

 

 

Já tem o bilhete? Maravilha.

Agora chega o dia da viagem e é hora de ir para a estação. Não faz falta ir duas horas antes, mas em cidades grandes, recorde-se que as estações são grandes. A Gare do Oriente é uma menina pequenina em comparação à maioria das estações da Índia. Espere também ver muita, mas mesmo muita gente. Já lhe disse que os Indianos viajam muito? Então, imagine a estação com muitos, muitos, muitos deles. Muitas pessoas, inclusive famílias inteiras, literalmente acampam na estação enquanto esperam pelo próximo comboio. Obviamente que há também muitos pedintes (pessoas, estamos na Índia) e ter atenção à carteira!

Leve comida para a viagem - os Indianos fazem verdadeiros picnics no comboio e até oferecem comida - sinceramente, acho que ficam com pena de ver uma pessoa a comer uma sandes ranhosa e umas bolachas, quando eles verdadeiros manjares!

 

 

A Índia não é um país fácil. Custa (e dói) muito a digerir. Entendo quando ouço alguém dizer que odeia o país. Vêem-se coisas, que não deveriam existir em nenhum local do mundo, mas infelizmente, não as ver, não as faz desaparecer. E depois há o outro lado, a magia, a cor, a amabilidade, a comida, a cultura, a história - e fico por aqui ou não paro.

 

Para alguém que esteja a viajar sozinho ou viajar pela Índia pela primeira vez, o meu conselho nas estações é que se aproxime de famílias a viajar com crianças. Um turista dificilmente passa despercebido na Índia e os Indianos tendem a ser bastante protectores e gostam de meter conversa. Sobretudo os mais jovens e que falam Inglês adoram conversar com os turistas e, acredite, ganha logo ali tem um companheiro de viagem e amigo para a vida!

 

Saiba mais sobre viajar na Índia, AQUI

Macron ganhou e agora?

08.05.17 | Maria vai com todos

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Macron ganhou. Ou talvez seja mais justo dizer que Marie Le Pen perdeu. Macron não ganhou por ser o melhor candidato, nem por possuir o melhor programa - sinceramente, alguém percebeu o que é que ele defende de verdade? Ele faz parte desta nova classe de políticos, tipo Passos Coelho, que ninguém sabe muito bem o que fez no passado ou que ideias defende.

O último round das eleições em França, não foi a luta da esquerda e da direita, porque Macron não é de esquerda. Ele é um liberal a vencer num país que preza (e muito) o Estado. Ele também não é um amiguinho da União Europeia - ele já disse, ou a UE se reforma ou Frexit, com ela. Mas lá está: que reformas são essas que ele defende? Ninguém parece saber, talvez nem o próprio. 

Mas sim, antes ele que Le Pen. De longe.

Falar bem

08.05.17 | Maria vai com todos

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Se houve coisa que sempre me irritou foi essa coisa do “em Coimbra é que se fala bem”, “bom português é em Lisboa” e coisas que tais. Como se os sotaques não fossem bonitos e sinal de riqueza cultural. Falar bem é fazer boas construções gramaticais e conjugar bem os verbos e afins. Podemos gostar mais ou menos de um sotaque; entender melhor ou pior uma pronúncia, que isso não significa que o falante “fale mal”.

Sendo de Coimbra, ouvi muitas vezes o “em Coimbra é que se fala bem” - pois, sim, nós pessoas que andamos sempre a trocar os "v" pelos "b", com frases lindas como "Bamos ber bacas!". Quando vivi em Lisboa era recorrente escutar “o melhor sotaque é o de Lisboa, pois aqui não há pronuncia” - pois, sim, Amelias Alfacinhas que tanto gostam de dizer “treuze”, “Lesboa” ou o “Menistro"! Mais tarde, quando dei aulas de Português em Madrid, numa escola onde existiam professores de Português do Brasil, de vez em quando lá ouvia um “eles dizem mal” - 80% das vezes eram professores de Português de Portugal a reclamarem dos professores Brasileiros. E esta é uma ideia generalizada (e estúpida) que se estende  também aos PALOP, como se o Português de Moçambique ou de Angola fosse inferior - "ah e tal, eu não percebo o que eles dizem", pois, amigos, é reciproco. Comessemos nós mais telenovelas Angolanas como papamos as do Brasil e estaria o caso arrumado!

 

A língua não é uma coisa morta. Ela é afectada pelo tempo e pelo meio. E isso é bonito. A sua diversidade (fonética e vocabular) deve ser exaltada. Falar bem não é usar palavras de 15 silabas, nem ser capaz de usar frases com palavras como anticonstitucionalmente, ok?