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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

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Depois do mariconço do RAP, o Santo da Fernanda Câncio

22.12.16

O que seria da vida sem uma boa polemicazinha, não é verdade, minhas jóias? E já que o mundo lá fora está que dói - ele é a Síria, o ataque de Berlim, a fome que continua, a violência que mata; foquemo-nos, então, nas coisas sérias e importares do mundo, até porque rir ainda é o melhor remédio!

"E o que aconteceu agora, Maria?" perguntam vocês!

Olhem pessoas mai-lindas: depois das mariquices do RAP, novo drama e novo horror e nova  tragédia! Menos mal que a Fernanda Câncio, jornalista do DN, está sempre alerta para nos chamar atenção dos verdadeiros flagelos mundiais. A gravidade é tanta, que limito-me a fazer copy paste, longe de mim reproduzir tão vis palavras:

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Roubadinho do humorista Rui Cruz, aqui, que isso é gente que já se sabe não tem noção do limite e vai arder no inferno. Diz a Fernanda que desejar "Santo Natal" é sem noção, que há que lutar contra as discriminações, pois é importante respeitar as religiões dos outros. Menos mal que a Fernanda Câncio está atenta, veio corrigir costumes... até porque eu, uma confessa alérgica à Igreja e ao Vaticano, já andava a planear uma bombita, uma pequenita, por cada vez que me disseram semelhante ofensa!

Ainda a Cornucópia ou vamos repensar a cultura em Portugal

21.12.16

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Quando estalou o tema da Cornucópia, estava eu a meter-me num avião. Fiquei triste. É sempre triste ver uma casa fechar, uma casa de artes, de inspiração e de cultura. Não se trata de gostar ou não gostar do que faz a Cornucópia. De gostar ou não do Cintra. A Cornucópia é uma casa com quase 50 anos, um marco no teatro nacional e por onde passaram grandes Artistas - e por artistas não falo apenas de actores, falo de encenadores, cenógrafos, responsáveis pelos figurinos e pela maquilhagem.

 

Quando depois li a entrevista do Luís Miguem Cintra ao Público fiquei com os nervos em franja. A Cornucópia recebe da DGArtes cerca de 300 mil euros para um período de quatro anos. Segunda Cintra, esse valor é insuficiente para o nível a que a Cornucópia está habituada a trabalhar e, por isso, têm de fechar - é justo! E note-se que falamos de uma companhia que chegou a receber 600 mil euros por ano do Estado! Não me compete a mim dizer à equipa da Cornucópia que se adaptem, pois os tempos são outros. Entendo perfeitamente que há padrões aos quais estão habituados e parece-me justo, que assim queiram seguir. Só me deixa triste que a reflexão não se tenha estendido aos restantes núcleos artísticos de Portugal.

 

A cultura em Portugal, aliás fazer cultura em Portugal é extremamente difícil. Extremamente precário. Quando este ano, a meio do semestre a DGArtes cancelou financiamentos, inúmeros grupos ficaram com a vida suspensa e espectáculos cancelados. Isso significa falta de oferta cultural, mas também dinheiro que não entra. Companhias que não desenvolvem trabalho. Público sem espectáculos. Artistas sem salário.

 

Podemos discutir aqui o estado da cultura em Portugal, do horror e até injustiça deste esquema da DGArtes e de subsidio-dependência. Podemos falar também do alto que é o IVA na cultura. Ou discutir sobre a preferência dos portugueses, que gastam mais dinheiro na Zara do que a ir ao teatro. Ou até dos escassos apoios que as câmaras e autoridades locais dão aos “seus” artistas - em Guimarães, a Câmara Municipal paga todos os meses o aluguer da Fábrica, não o cedendo a artistas para espectáculos. Ora se o aluguer está pago, por que não? Recentemente, o vereador da Cultura da Câmara de Coimbra disse que com “umas sandes” os pagamentos ficavam feitos! Mesmo a Gulbenkian, que depois da DGArtes, deve ser o organismo cultural que mais apoios dá em Portugal, muitas vezes paga viagens e nada mais. O resto é pago pelos profissionais do próprio bolso.

 

A Cornucópia vai mesmo fechar e, a meu ver, é bom que não se tenha convertido na excepção à regra. Não acho que a Cornucópia tenha que se saber adaptar ou que tenha de viver com menos. Também lamento e me preocupa MUITO todos os artistas que em Portugal vivem e trabalham de forma tão precária - sim, e eu sei do que falo, Tenha pena que o fim da Cornucópia não tenha sido usado para repensar a cultura em Portugal. Até porque todos os dias são muitos os grupos que terminam e fecham portas, sem que isso seja noticia.

O Natal começa daqui a umas horas

16.12.16

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Mais loguinho, ponho-me num voo e ala para Portugal. Apesar das luzes de Natal, do cheiro a Natal, dos mercados de Natal, do calendário (e das prendas) de Advento, do cheiro a Natal, dos jantares de Natal (afa!!!)... acho que só vai saber mesmo a Natal quando aterrar em Portugal e quando chegar a casa dos meus pais.

 

No fundo, podemos até todos fechar os olhos e achar que o Nata uma paisagem branca, com os gorros enterrados até às orelhas, enquanto fazemos bonecos de neve.

No entanto, na vida a sério ou pelo menos na minha vida, o Natal é o sol de inverno, a botija de água quente, os lençóis polares e a árvore de Natal, feita com decorações de há 30 anos, enquanto se vai descobrindo enfeites novos. E, claro, isso e chegar a casa e ver o bacalhau de molho. 

Isto do mariconço do RAP e das paneleirices dele

16.12.16

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Ainda estou aqui a tentar entender o que aconteceu com o RAP (Ricardo Araújo Pereira) e as paneleirices.

Sim, palavras são ofensivas.

Sim, todos temos o direito a sentir-nos ofendidos e a ripostar.

Sim, a homofobia é um problema; perdão, crime.

 

Mas  agora a sério, alguém acha mesmo que quando o RAP usa termos como “mariconço” ou “paneleirices” está a ser homofóbico? A sério? Ele? Como se não existissem contextos e mais, e mais importante, como se uma mesma palavra não possa ter mais do que um significado. E desde quando é que a linguagem constrói a nossa identidade, ao ponto de palavras terem de ser banidas?

 

Eu digo muito "paneleirices". E já agora, eu digo muito "mariquinhas". Quando? Assim:

  • “Não gosto de vestidos com folhos, nem com muitas paneleirices!”
  • “Sempre que faço depilação com cera, choro. Sou muito mariquinhas”.

A sério que ofendi alguém? Fui contra alguma lei? Desrespeitem orientação sexual ou o que seja? Se sim, peço profundas desculpas, essa não era a minha intenção... não sendo isso razão para ser linchada publicamente, nem acusada de homofobia.

 

Numa coisa, o RAP tem razão, o politicamente correto está a tornar-se mais asfixiante do que a censura. Todos são juízes da moral e dos bons costumes, sem olhar a quem ou ao contexto. Qualquer comentário origina sensibilidades e ofensas. Como se evitar palavras, acabasse com os preconceitos. Como se não falar dos temas, os fizessem desaparecer.

Chega de proibir. Chega do “não se pode”. Vivemos demasiados anos sem liberdade, para agora nos refugiarmos naquilo que “é correto” ou “fica bem dizer” - e isto, vale para ambos os lados. Racismo, homofobia, machismos, etc. combatem-se com argumentos, não com proibições ou limitações e, muito menos, falsas acusações!

Como convencer um emigrante a regressar? Com balões verdes

14.12.16

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A AEP anda cheia de planos, ideias e ambições para que os jovens emigrantes regressem à tão amada pátria, este solo tão nosso, o nosso Portugal. O objectivo é, e passo a citar, "potenciar os conhecimentos que adquiriram".

O programa chama-se "Empreender 2020 - Regresso de uma Geração Preparada" e diz que vai conhecer estes jovens emigras super qualificados, super espertos e super tudo, saber se querem voltar e depois, vai ajudar a criar as condições necessárias para o regresso dos mesmos. Tudo certo - pena não haver nada assim para os emigrantes não jovens, nem para os jovens não emigrantes, mas fica aqui a dica à AEP.

Agora perguntam vocês: "qual foi a primeira iniciativa?".
Perguntem lá.
Eu conto, foi, então, lançar centenas de balões verdes e brancos, iluminados com leds. Epa, espectacular. Se há balões eu volto. Já.

Eu e os 43 mil jovens emigrados... Alto! Isto é só para 26 desses 43 mil, porque os que não têm licenciatura podem continuar por lá.

 

 

PS: Juro que adorava ter tido capacidade para inventar isto, mas é real. Li na TSF.