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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Esta coisa das gajas serem cabras umas para as outras

28.09.16 | Maria vai com todos

 

Começo por dizer que me aborrecem estes generalismos. Eu acredito que as pessoas são cabras umas para as outras. Acho mesmo que há dentro de cada um de nós uma tendência para a filha-putice. E verdade seja dita, bem aplicada, até é saudável.

 

A quem vem isto a propósito?

No outro dia li um título parecido com o deste post aqui no Sapo. Ainda abri o texto para o ler, mas mteram-se umas quantas mil coisas a meio e nunca mais me lembrei do texto, nem o consegui voltar a encontrar. No entanto, o titulo ficou aqui a martelar.

 

As mulheres são cabras enquanto chefes, enquanto os homens são poderosos. Uma mulher vingativa, já o homem dá uma lição. Os homens que me rodeiam dizem que o Trump é uma besta; se fosse a Hillary, ela possivelmente acabaria por ser acusada de histérica. Se para as mulheres ser competitiva significa a luta pela mais bonita lá do burgo ou a mãe com o filho mais prendado, no caso dos homens é querer ser o número um no emprego - e isso, nunca, nunca é mau para eles, já para elas... umas cabras ambiciosas, já se sabe!

Por isso, amigos, não. As gajas não são cabras umas para as outras. As gajas ou não são cabras de todo ou podem ser cabras para eles e para elas. Assim, só porque sim!

Fosse eu uma das Princesas da Disney e…

28.09.16 | Maria vai com todos

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Branca de Neve, Branca de Neve e os Sete Anões

Nunca entendi o que ia mal naquele reino! O rei casa-se e tem uma princesinha. A mãe morre e ele casa-se de novo. O rei morre. Quanto muito, a outra, a madrasta, a má, é Rainha regente. Oooooooou seja, mal a Branca de Neve tenha idade para reinar, a outra vai à vidinha dela! Devia era tratar a cachopa melhor! E fosse eu a Branca de Neve, assim que chegasse ao trono, cortava-lhe a cabeça… mas até lá, ninguém me apanhava a lavar pratos, nem escadas! Onde já se viu uma futura rainha nesses preparos?

Menos mal que na casa dos anões tinha aqueles bichos todos para a ajudar!

 

 

Cinderela, Gata Borralheira

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Esta não era da realeza. Ou seja, ou limpava ou não comía! No entanto, entre fugir de casa e limpar as cuecas das irmãs e da madrasta e ainda falar com ratos, não me parece que seja preciso pensar muito! Eu fugia, mas isto sou eu…. eu que não falo com ratos, nem ratazanas! E sinceramente nunca achei aquela fada madrinha digna de confiança! Então a desgraçada passa anos numa vida de escravidão e a fada só lhe aparece, porque a cachopa quer ir à festa?!

 

 

Aurora, Bela Adormecida

Nem em miúda, a história da Bela Adormecida me convencia! Então, ela vive no bosque, tem as fadas que lhe fazem tudo…. é certo que vive afastada da família e da chiquezaaaa do palácio e respectivas mordomias. No entanto, como é que uma gaja que passa a história a dormir, ainda ganha a felicidade “para sempre”? Naaaaa, esta a mim nunca me convenceu.

 

 

Ariel, Pequena Sereia

Ok, esta era um peixe e, gosto eu de pensar, mais pela aventura do que pelo amor (com quem nunca falou), deixa o fundo do mar e dá a voz em troca. Mas que coisa é aquela que durante tanto tempo que passam juntos, ela não lhe consegue explicar quem é (nem que seja por gestos, pois pondero a opção da Ariel ser analfabeta!) ou (e porque a vida dela depende disso) espetar um beijo no moço? #tuPodesAriel

 

 

 

Mulan, Mulan

A Mulan é das minhas princesas favoritas. Gosto sempre de a imaginar no fim da história feliz da vida nas tropas Chinesas. Qual o posto mais alto do exército? General? Comandante? Capitão? Ministro da Defesa? Seja qual for, esse cargo estaria reservado à Mulan, certamente

 

 

Bela, Bela e do Monstro

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Já a Bela é, para mim, fácil de entender. Uma moça tranquila e recatada, que recusa o bonitão, em prol do feioso. A prova de como a riqueza é um afrodisíaco poderosíssimo. Ele é um monstro… ai e tal, ele tam um castelo e é podre de rico… e o que importa é o interior!

7 Mitos sobre viagens

26.09.16 | Maria vai com todos

1. Fico em Portugal, porque lá fora é tudo mais caro

Esta ideia de que Portugal é barato é um mito e tem que morrer e JÁ! Lisboa, por exemplo, já está ao preço (de supermercado e de hostel) de Paris ou Londres. O Porto está a caminho e se pensarmos que na maioria das localidades não existem opções de hostel, então, viajar em Portugal não é assim tão barato.

Ainda este Agosto, fiz férias na Costa Alentejana e paguei mais aqui numa noite, do que na minha viagem ao Japão, por exemplo. Reservar o alojamento com antecedência ajuda (muito) a quem viaja com orçamento reduzido.

 

 

2. Viajar é caro

Obviamente que o conceito de caro e barato varia de pessoa para pessoa. Mas será mesmo caro? Há muitos países bem mais baratos do que Portugal - Tailândia, Marrocos, Indonésia (só para dar alguns exemplos de países bem turísticos e a bom preço) e hoje em dia com a loucura dos voos baratos é bem, bem fácil encontrar voos a preços bem económicos. E se falarmos dentro da Europa, hoje em dia sai mais barato apanhar um voo Lisboa Londres, do que ir de Lisboa a Beja.

 

 

3. O alojamento é caro

Acredito que sim, acredito que possa ser. A questão aqui é: quanto queres gastar? E depois pensar: como posso fazer para gastar menos? Precisas menos de um hotel XPTO e de um buffet com kilos de comida?

Opta pelo Coach Surfing, uma forma gratuita e simpática de arranjar hospedagem. Ficas em casa de locais, conheces mais da loucura local e ainda fazes amigos. Eu até no Irão fiz coach surfing e fui bem, bem feliz.

 

 

4. Isso de organizar viagens não é para mim

Vamos ser honestos: agências de viagens são caras e faz todo o sentido que assim o seja. Estamos a pagar a profissionais para que nos orientem a vida: do autocarro shuttle, ao hotel; sem esquecer da comida e de um guia. Entendo perfeitamente o bom das comodidades de viajar assim; no entanto, além do preço, há coisas que se perdem! Que coisas? O espirito de aventura. A capacidade de seres TU a organizar a tua viagem, definindo os teus tempos - é tão bom, estar num sítio onde somos felizes e dizer “que se dane, fico mais uns dias!”.

Hoje em dia há tantas ferramentas online para organizar viagens: o Trip Advisor, o SkyScanner, o Booking, que fica tudo mais facilitado.

 

 

5. Não tenho companhia

Entendo, mas (e eu acredito mesmo nisso) é bom que comeces a gostar de estar contigo! Carradas de gente vai entrar e sair na tua vida, mas tu serás a única constante na tua vida… brega? Um pouco! Mas é um facto.

Além disso, de viagem nunca estamos sós. Há sempre quem meta conversa, há outros viajantes e há em nós o maior disponibilidade para falar e contactar com os outros. Hoje em dia existem também mim fóruns online e grupos de Facebook sobre viagens, onde facilmente encontras companhia. Deixa os medos e os macaquinhos no sótão e VAI! Viajar sozinho é bom!

 

 

6. Só tenho férias quando tudo é mais caro, ou seja, Agosto

Sim, na Europa, Agosto é o mês das férias, logo, o mês mais caro. Mas não no resto do mundo ;) No Brasil, por exemplo, é Inverno. E há países onde nem existem as quatro estações, ou seja, há muito para explorar.

 

 

7. Tenho filhos, viajar com putos é um inferno

Eu, sem filhos, arrisco-me aqui a levar uma tareia dos pais e mães deste mundo. No entanto, não me parece que as crianças sejam uma razão para não ir. Pelo contrários. Vejamos. Os putos adaptam-se super bem às mais variadas situações. Mesmo no Camboja há hospitais e crianças que ficam doentes. Relativamente, àquele argumento do “ai a criancinha não se vai lembrar de nada” a minha resposta é sempre: “E?”. Os pais não contam? As memórias de família?

Há cada vez mais casais a viajarem com crianças, mesmo na Índia onde há problemas com água, era comum ver casais de viajantes com os miúdos atrás. Entendo que tem de haver uma maior logística, mas sim, pode-se e deve-se fazer. As crianças agradecem.

 

 

8. Não tenho dinheiro. Viajar é um luxo e coisa de rico

Seja, porque não se tem trabalho ou se recebe pouco, é normal que viajar não seja sempre uma prioridade. Todavia, muitas vezes, custa-me ouvir pessoas dizer que querem muito fazê-lo, mas não podem, por falta de dinheiro. No final do dia, é tudo uma questão de prioridades e ter objectivos bem definidos - aqui ficam umas dicas para poupar para viajar e também sobre como poupar durante as viagens.. Acreditem, eu, infelizmente, estou tão, mas tão longe de ser rica! 

As 10 cidades mais visitadas de 2016

23.09.16 | Maria vai com todos

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1. Bangkok, Tailândia

Bangkok é a porta para quem vai viajar na Tailândia, mas também para muitos viajantes que anda pelo Sudeste Asiático. Além de um turismo barato e pensado em mochileiros, a Tailândia tem imensas opções de viagens de luxo, a preços bem, bem em conta.

 

2. Londres, Inglaterra

Que surpresa, não é? Mais uma vez, Londres no ranking das cidades mais visitadas! A Londres, volta-se sempre!

 

3. Paris, França

Correcção: a Londres e a Paris, claro está! Mas se Londres ultrapassa os 19 milhões, Paris fica-se pelos 18 - coisa pouca! 4.

 

 

4.Dubai, Emirados Árabes

Centro de negócios, cidade megalomania das luzes e das 76 mil construções modernas. Nunca estive no Dubai, sem ser no aeroporto, mais imagino sempre como uma espécie de Disney para adultos. No entanto, o Dubai estará sempre no meu coração, pois nunca me vou esquecer da alegria que foi viajar na Primeira Classe da Emirates,de Bangkok para o Dubai.

 

5. Nova York, Estados Unidos

 

 

Para já, Nova York continua na lista de cidades que quero MUITO visitar. Até um dia, amiga!

 

 

6. Singapura, Singapura

Parece que já recebeu cerca de 12 milhões de habitantes este ano… e não, eu não conto!

 

 

7. Kuala Lumpur, Malásia

Mais uma cidade asiática na lista!

 

 

8. Istambul, Turquia

Apesar do aumento de ataques terrorista, Istambul continua no top 10 das cidades mais visitadas. Eu já lá vivi e, para mim, Istambul continua a ser uma das cidades mais bonitas, mas incríveis, mais espectaculares de sempre! Há uma empresa que se atribui a Napoleão, que resume a coisa: “se o mundo tivesse uma capital, Istambul seria a cidade escolhida”… esta é capaz de ser a única coisa com a qual eu e o Napoleão estamos de acordo!

 

 

9. Tokyo, Japão

… e agora estou nostálgica! Que saudades do Japão, da comida, daquele verde!

 

10. Seoul, Coreia do Sul

Um amigo falou-me tão bem, mas tão bem de Seoul, que desde aí uma cidade que me dava um pouco igual ao litro passou para a minha lista de viagens. Definitivamente, um dia irei ou espero poder contribuir para o número de viajantes em Seoul.

Brangelina, o divórcio e o que sabemos até agora

22.09.16 | Maria vai com todos

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A Angelina pediu o divórcio ao Brad.

A Angelina pediu a custódia não de um, não de dois, mas dos (esperem, que vou contar) seis putos!
A culpa é da Angelina, porque ela é controladora.
E má.
Aquilo era gaja que nem deixava o Brad ver a bola, tadinho.
O Brad mcoitadinho, nem respirava.
Mas toda a gente sabe, que ele já anda metido com outra.
E logo com uma lambisgóia francesa, uma badalhoca, já se sabe - pff, francesas! Ainda mais actriz!
Também, depois do que ela (ela, a ordinarona da Angie) fez à pobrinha da Jen, bem que mereceu. Puuuumba! Aprende, Angelina.
A Jennifer Aniston é que está toda feliz com a notícia. Fez-se justiça. É o karma! Ela sabia que era só uma questão de tempo. Todos sabíamos, pois era bom demais para ser verdade!
Na verdade, toda a gente sabe que a Aniston está feliz com a vidinha dela. Ela nem quer saber do divórcio da Angelina Jolie e do Brad Pitt para nada!
Mas uma coisa é certa, a Angelina dá dois a zero à Jen.
Mas uma coisa é certa, a Jen dá dois a zero à Angelina
A Angelina é gira. É Jolie. E boazinha. E podre de rica. Eu sempre gostei mais dela.
Vais-se a ver e a culpa é do Brad.
Metia-se nos copos. E nas drogas, não me admirava nadinha, nadinha!
Até tratava mal os putos.
A Angie é que fez bem em pedir o divórcio. Se bem que o Brad já disse que estava muito tristinho.
Mas isto é lá notícia que interesse? Cambada de desocupados! Problemas são o défice, a fome no mundo e o desemprego!!!! Isto são coisas do foro privado de cada um, ninguém tem nada que ver com isso. Deixem-os em paz. Eles pediram privacidade.
E já agora, os putos ficam com quem?

Vivendo fora, estas são as coisas das quais sinto mais saudades de Portugal*

22.09.16 | Maria vai com todos

Um café e uma esplanada

Sabem aquele cafezinho, depois de almoço, numa esplanada ao ar livre e com o sol a bater cara?! Quando penso em Portugal, é esta a memória mais forte que tenho e nessa minha memória, é Inverno! Nada bate um sol de inverno.

 

O croissant de queijo (branquinho) e um Compal

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Sobretudo se for um croissant do Arco Íris, a pastelaria junto à Estação de Coimbra A. E quem diz os croissants do Arco Íris, diz os Pastéis de Belém dos Pasteis de Belém, os Palmiers da Vénus, o Pão de Deus da Padaria Portuguesa, o pão da Vasco da Gama e a broa da Padaria Pão Quente.

  

Sopinha

Há lá coisa melhor do que uma pessoa andar aos papeis, sem saber o que comer e entrar num sítio qualquer e pagar menos de 2 euros por uma sopinha, assim, só numa de despachar?! 

 

A menina

Se há coisa que enche o meu coração cheio de ternura é ouvir, em Portugal, alguém a tratar-me por “menina”. “A menina quer…?”, “A menina precisa…?”; “A menina vai…!” e acho mesmo fofinho, quando se fala da Menina Ana, mesmo que ela já tenha 70 anos. A menina (eu) gosta muito.

  

As livrarias

Longe de mim armar-me em pseudo-intelectual, que lê muito, mas fazem-me falta. Sempre gostei de entrar, nem que fosse por uns 15 minutos e ver o que há de novo e de velho e ainda dar uma olhadela nas primeiras páginas dos jornais e desfolhar revistas.

  

O sol

Ok, que há dias cinzentos. Sim, eu sei que chove. E em Portugal faz um friozinho do caralhinho, continua a ser o país onde sinto mais frio - e eu já vivi na Letónia, com - 25 graus! Mas em Portugal há mais probabilidades de sol e mesmo quando a chuva não para, há uma brechinha, um raio. Um arco-íris.

 

O teatro

Sempre fui uma pessoa teatreira, hábito que perdi fora de Portugal - pela língua, por não me identificar com os projectos, pelo tipo de humor, por simples desconhecimento e ignorância. Faz falta!

 

O oceano está à esquerda

Eu sou uma naba com o norte e o sul, são conceitos que não me fazem sentido e mapas são, para mim, um mistério. Em Portugal, sei que o oceano está à esquerda… e, assim, se faz a coisa.

 

 

*Obviamente que amigos e família estão em primeiríssimo lugar

1 em cada 3 brasileiros culpa mulher em casos de violação

21.09.16 | Maria vai com todos

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Não sou eu que o diga, é sim o Datafolha*, depois de uma pesquisa nacional feita a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

 

Trocando por miúdos, isto significa que um terço da população do Brasil acredita que a vítima, aquela que é violada, abusada, agredida, humilhada, etc., é que tem a culpa. Ou como se diz em bom tuguês, “estava a pedi-las”. E porquê?


Porque devia estar em casa, porque levou uma saia muito curta, porque facilitou ao falar com estranhos, porque bebeu uns copos, porque estava a cair de bêbada, porque anda em más companhias, porque...

PAROU

Nada justifica tal acto. O homem ou mulher que o pratique é o verdadeiro CRIMINOSO. Não a vítima. Até quando vão perceber isto?! Obviamente que isto é um estudo e que vale o que vale, mas enquanto haja uma alma limitada que pense assim, estamos todos e todas bem f*... lixados.

 

Podíamos até dizer que nas escolas acontecem violações ou que na maioria dos casos, estes acontecem dentro de casa e são praticados por conhecidos - amigos da família, tios e, sim, pelos próprios PAIS! Não há nada que justifique a violência. A humilhação. A violação. Até quando vão ser as vítimas as culpadas? Xiça!

 

 

O Datafolha entrevistou na primeira semana de agosto, 3 625 pessoas de 217 cidades do Brasil

Eleições na Alemanha: em quem votar?

17.09.16 | Maria vai com todos

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Amanhã são as eleições aqui no burgo e eu já posso votar, apesar de só viver em Berlim há um ano! Note-se que são eleições para a cidade, nada a ver com a Merkel ou com a Alemanha, estarei apenas a eleger quem vai nos próximos cinco anos decidir a vida do meu bairro, algo a que os alemães chamam fofamente de Bezirksverordnetenversammlung!

 

 


A questão é: em quem votar?
Levo mais de meia hora a ler programas de partidos e a fazer teses e a pesquisar, para ver se consigo tomar uma decisão. Mas para já, o mais fascinante é:

- Existem 21 partidos (sim, 21!!!)! 21 partidos!!

- Destes 21, dois são de extrema-direita! Como é que isto é legal e pode existir, eu não entendo.

- Há um partido, com um arco-íris no logo, mas cuja grande preocupação é a dos animais.

- Um partido chama-se Piratas - Piraten Berlin.

- Outro dedica-se sobretudo a questões associadas aos mais velhos. Há ainda outro que defende que parte do dinheiro do bairro deve ser investido na investigação de doenças associadas à velhice.

- Existem pelo menos dois partidos que se focam na educação espiritual e são para gente com uma visão holística do mundo (wtf!!!).

- Estou quase a votar nos comunistas, porque defendem as 30 horas de trabalho semanais!

- O Die Partei tem como fundamento uma revista satírica alemã, chamada... Titanic.

- Vários partidos defendem que todos os habitantes devem ter uma renda fixa dada pelo Estado.

- Parece que um dos principais temas a debate é sobre o estacionamento no meu bairro.

- A (quase) confirmação que a Merkel é bem mais de esquerda do que a Europa pensa que ela é!

 

Que animação! Estou fascinada!

Um ano em Berlim ou o que é que tem Berlim de especial

16.09.16 | Maria vai com todos

 

Berlim está-se nas tintas

Berlim é aquele amigo cool e fixe de quem todos gostamos, mas que não mexe o cu, nem se esforça muito. Não tem os mesmos ténis que todos têm, nem ouve as mesmas músicas ou fala dos mesmos filmes... e nem precisa! Gostamos dele assim!

 

Bebe-se cerveja na rua, no parque, no metro: EM TODO O LADO

Ninguém olha de lado, não há juízos de valor, nem mesmo quando se vê mães com crianças numa mão e uma cerveja na outra! O único pensamento que nos ocorre é: “Scheisse, onde está a minha cerveja?”. O problema resolve-se facilmente, indo a um Späti, que deusz-oz-benza estão abertos 24 horas. A melhor cerveja de Berlim? A Augustiner, obviamente - sim, eu sei que é de Munique, mas para mim será sempre a cerveja de Berlin! Meta para os próximos dois anos: andar de bicicleta e beber cerveja ao mesmo tempo.

 

A (não) moda de Berlim

O sentimento geral aqui é: ninguém quer saber! Ninguém olha para a tua saia, nem se sais à rua de pijama ou tens o cabelo com quatro cores! Quanto à cor: preto, preto e preto, seja verão ou inverno! Extravagância em Berlim, é um vestido vermelho.

 

Reciclar garrafas

Em Berlim, somos pagos para reciclar garrafas. Vai-se ao supermercado e por cada garrafa depositada, recebemos uns cêntimos, que podemos trocar por dinheiro ou descontar nas compras. É por isso que é comum ver pessoas a recolherem garrafas no parque, por necessidade. E, desculpem a mariquice, emociona-me. Falo a sério, sempre que vejo um montinho de garrafas limpas e vazias, num canto do parque ou junto ao caixote do lixo, disponíveis a ser recolhidas, emociono-me. Há uma certa dignidade na forma como a coisa é feita e eu acho isso bonito.

 

Berlim é uma cidade comunitária e generosa

Basta ir ao Facebook e encontrar 873 mil grupos que nos dão conselhos, que dão camas e sofás (sim, dar, gratuitamente), que nos tomam conta dos bichos e até dos putos. Berliner, amigo é. É também uma cidade, onde mesmo quem não fala nadinha de Alemão se safa - tipo eu e mais umas quantas milhares de almas!

 

A bicicleta

Poder ir trabalho e voltar de bicicleta é uma bênção! Até mesmo com o moço a escangalhar-me os nervos, eu sou feliz. Sobretudo quando sabemos que um carro não nos vai passar em cima; que o autocarro não buzina, que as motas nos dão prioridade; que os peões entendem que a ciclovia não é para eles e que nenhum taxista nos vai empurrar, só porque sim (e porque é estúpido) - ou melhor, poder acontecer, pode; mas há menos probabilidades. O que eu gostava mesmo? Andar de bicicleta sem ter que colocar as mãos no guiador.

 

Street Art

A maior galeria de Berlim é o Muro de Berlim, que é também a maior galeria a céu aberto do mundo! Mas as amostras de arte urbana em Berlim, não se limitam ao muro. Há street art por todos os cantos da cidade, onde há sempre um detalhe, uma gravura, uma porta, um mural,… e eu gosto destes detalhes, que são para mim, uma forma de contar histórias.

 

Ser Berliner

Ser Berliner não significa nascer em Berlim ou ser uma bola de Berlim (piadinha bouah). Eu sou uma Berliner, a cidade é minha também e é também a casa de milhares de estrangeiros. Sabiam que eu até já posso votar?

 

Amar vs odiar o BVG

Quem chega a Berlim rapidamente se apaixona pelos transportes da cidade: eficientes, uma rede enorme e, vá, cómodos. Com o tempo começam as queixas: os autocarros que não chegam, os preços (caros para xuxu), etc. Mas depois o BVG tem das redes sociais mais divertidas de sempre e é no BVG, que se encontra a gente mais louca de Berlim. Só de pensar no padrão dos assentos do metro, já me estou a rir!

 

Há sempre qualquer coisa para fazer

E nada sabe tão bem do que ir para o parque, deitar e dormir uma sesta. Se o sol está quentinho, então, sabemos que é um dia bom.

 

Quando o karaoke é fixe

Berlim é cool (já disse isto antes?), logo  torna cool tudo o que toca, inclusive o karaoke! Beber copos e ir para o Karaoke de Warschauer ou uma tarde no Mauerpark, com umas cervejas e a cantar com estranhos o "Baby One More Time" são o suficiente para momentos bem felizes.

 

1st of May

O dia 1 de maio comemora-se em todo o lado, mas para lixar a extrema direita da Alemanha, que se manifesta neste dia; em Berlim converteu-se na maior festa da cidade. Concertos no bairro, parques cheios de gente, picnics e churrascos, numa celebração sem fim.

 

A música em Berlim

Há house, há techno e essas coisas hypsters e modernas e depois há a Britney dos anos 90 e os Backstreet Boys. Sabem aquelas canções que andamos todos a cantar às escondidas? Aqui são hino! Isso e bandas que ninguém conhece, debaixo da ponte ou à sombra de uma árvore e a tocar, em concertos de rua. È que aqui para-se para escutar!

 

Tempelhof Feld

Quem é que nunca, no aeroporto, pensou: “fixe, fixe era andar aqui de bicicleta ou correr por aqui!”. Obviamente que isso em Berlim é uma possibilidade. Desde que fecharam o Aeroporto de Tempelhof, que o espaço se converteu num gigante parque, o maior da cidade! Viram? Não virou estacionamento, nem prédios luxuosos: é um parque!

 

Comida típica de Berlim

Numa cidade tão internacional, ninguém põe a mão no peito para defender a culinária a alemã. Se houvesse uma votação para um prato típico de Berlim, eu sugeria o hambúrguer - e hambúrguers como os de Berlim não há! E para já, meus amigos, só tenho a dizer: Burgermeister, bates muuuuito forte cá dentro!!! O de Kotti era uma antiga casa de banho pública.

 

Bunkers

Uma pessoa vai ali fazer um actividade de não sei quê e PAU, está num antigo bunker de guerra. E esta, hein?

 

Bombas

Quando aluguei a minha casa e a visitei pela primeira vez, de chave na mão, havia um papel da polícia a pedir às pessoas para não sair de casa no dia X, pois iriam desarmar uma bomba que tinham encontrado na área. Como? Uma bomba? Foi assim que descobri que em Berlim, volta e meia, é comum encontrarem-se antigas bombas da II Guerra Mundial, que são depois desactivadas. 

 

Alexanderplatz

Eu que sou uma pessoa perdida para a geografia, louvo esta torre! Uma alminha anda perdida, levanta a cabeça e alaaaaaaaa, lá está a torre da TV de Alex. Pode não ser bonita, que não é; mas orienta-nos!

 

Warschauer Straße

Continua a ser uma das minhas zonas favoritas da cidade. Se alguém souber de uma casa, por favor, avise. Eu gostava mesmo de viver por aqui.

 

O tempo em Berlim

Falar do tempo é tópico universal. Num país de dias cinzentos, não é excepção. Com o sol tudo muda aqui: as pessoas, o humor, a dinâmica da cidade,… Em Berlim, defende-se a ideia que para apreciar as coisas boas (o sol, a paz, a liberdade de escolha, etc.), se deve primeiro viver o mau ou não valorizamos o que temos. Quando escuto isso, dou por mim a revirar os olhinhos, do tipo “pois, sim, Amélia, tivesses tu sol todos os dias e logo falávamos”. Aqui secretamente eu me assumo, é verdade! Nunca um dia de sol foi tão precioso para mim como aqui!

 

Há Primavera em Berlim

Sabem aquela coisa dos passarinhos, o verde, as flores a nascerem e as árvores e a florirem. Isso existe aqui e, sim, é muito lindinho.

 

Cães e putos

Desculpem-me os mais sensíveis por colocar tudo na mesma categoria, mas algo de muito bom os alemães andam a fazer com os cães e com as criancinhas! Se por um lado, é comum ver cães no metro e em restaurantes; por outro, é incrível viver numa cidade, onde os putos ainda brincam na rua, vão de bicicleta para escola e andam de transportes sozinhos. Well done, Berlin!

Amor em tempos modernos

15.09.16 | Maria vai com todos

Hora de almoço e um grupo de mulheres a falar de gajos - “olha-me esta, ganda coisa” pensam vocês e clicam na cruzinha do topo superior direito! De facto, não é nada de especial, digo eu a quem continua por aqui - obrigadinha, já agora!

Mas a verdade, é que eu dei por mim a ficar de boca aberta, enquanto ouvia conversas sobre Tinder, Facebook e afins e relacionamentos e gajos. Eu como sou uma mulher com relacionamento, estou (claramente) desactualizada, mas parece que agora já não se sacam homens nos bares, agora o “online” é que está a dar.

 

Sendo, assim, a grande questão é: “como saber que o gajo é decente?”. Sim, porque hoje em dia, uma gaja já se dá por satisfeita com um tipo que tenha trabalho, seja limpinho e corte as unhas. O mundo é uma selva, os bons parecem estar todos ocupados ou são gays (queixa recorrente) e parece que os requisitos são mínimos.

A conversa dividia-se entre o “nem pensar, os gajos no Tinder e afins só querem quecas” versus “uma amiga (de uma amiga de uma amiga) conheceu o namorado no Facebook e já estão de casamento marcado”. Pode ser de mim, a cantar de galo, porque tenho moço; mas assumo-me céptica. Essa coisa de achar o gajo ideal no Facebook e encontrar o amor no Tinder soa-me quase tão utópico como a paz no mundo ou depois de uma borracheira e umas pinadelas, encontrar o amor da vida. São coisas que não quadram, não casam, não fazem pandam... ou vai-se a ver e eu sou uma cínica do pior, o que também é bem possível!

 

A verdade é que eu não conheço nenhum caso. Sem ser amigos de amigos, a quem nunca vi a cara, nunca conheci ninguém cujo relacionamento tenhado começado online. Conhecia um rapaz que usava o Facebook para encontrar gajas giras, meter conversa e com quem depois ia beber uns copos e, quando a coisa ia bem, davam umas cambalhotas. Isso parece-me mais realista. Tal como usar o Tinder para sexo - e, sinceramente, nada contra. Usem preservativo e divirtam-se que a vida são dois dias e sexo sem compromisso faz bem à pele.

Por outro lado, entendo que vivemos às pressas, que o mundo é cruel e as grandes cidades podem ser tramadas para se conhecer gente e, logo, fazer amigos e, logo, apaixonar-se - já vos disse que sou cínica? Pois, também sou muito céptica com o amor à primeira vista.

 

E vocês, que me contam? Quero histórias e experiências? Iluminem-me!

Vamos lá falar das praxes

11.09.16 | Maria vai com todos

 

Setembro, o regresso às aulas e as notícias de sempre! Começando pelos pais que deixam as suas crianças no infantários e as naturais ansiedades e, dêem-lhe mais uns dias, começam os jornais com o “ai-Jesus” da praxe.

 O tema não é fácil, levantando paixões e ódios e, claramente, muitas intrigas, respostas e emoções à flor da pele.

 

Comecemos pelo básico: não se trata de ser contra ou a favor da praxe, trata-se, sim, de definir o que é a praxe. Se falamos de ir beber uns copos, no espírito do "somos todos amigos" e “anda cá, que sou teu padrinho e ainda te ajudo a ver casas, com os apontamentos e a comer gajos/gajas”, eu acho bem, eu acho fixe. Se há gente que se diverte a andar de joelhos e a rebolar (que as há e não são mais ou menos estúpidas por isso), também acho bem. 

 

O problema é que a praxe em Portugal tem claramente ultrapassado todos os limites. Dizer que as praxes são mortais, infelizmente não é hipérbole. Além do Meco, houve outros casos, também graves, com alunos a parar ao hospital e outras fatalidades que tais. Uma coisa é irmos pelo shit happens e, sim, acidentes acontecem. Todavia, quando assim o é, de quem é a responsabilidade? Que porra é essa de condutas de praxe, onde “não se fala, não se conta”. Está tudo parvo? Agora um código de conduta de um grupo de estudantes, sobrepõe-se à lei? 
E antes que comece o mimimi do isso, do Meco (por exemplo), não é praxe. Lamento, meus amigos, mas foi. Foi isso que reuniu aquelas pessoas e as levou àquela praia. Podemos dizer que não representa o espírito da coisa, mas essa discussão não leva a nada.

 

Mais, até quando as universidades vão continuar a pagar e a gastar dinheiro com comissões de praxe? Sim, porque essa gente recebe dinheiro. No meu tempo, o Dux da Universidade de Coimbra era um gajo com mais de 20 matriculas (a serio, um tipo que estava há mais de 20 anos para acabar o curso!!!!!!) e que recebia dinheiro por chumbar ano após ano…

 

No entanto, chateia-me também a ideia de se proibir a praxe. Gostaria de acreditar que adultos de 18 anos que já podem beber, votar e escolher uma profissão têm também capacidade para mandar à merdinha gente que lhes grita e lhes dá ordens, caso isso os incomode. Sempre que leio “proibir as praxes”, em prol da defesa, só penso, não estamos a cair na infantilização? Que raio de adultos estamos a formar?

 

Eu praxei, fui praxada e diverti-me bastante. No entanto, quando a coisa me chateou ou me aborreceu ou só porque sim, levantei-me e fui à minha vidinha. Sei também que nem todos os alunos são assim. Sei também por experiência que há gente que praxa e que é estúpida que nem uma porta. Pessoas que não sabem parar. É que não se trata de saber os limites; trata-se, isso sim, de ter consciência de que os limites variam de pessoa para pessoa. A linha do que é ou não humilhante é pessoal e individual. Quando os pró-praxe abrem a boquinha para  dizer “ah pois e tal, mas a mim…”, pois é amigo, não é de ti que estamos a falar.

Nos últimos anos, ficou provado que há muitas vozes que não se conseguiram fazer ouvir e para quem a brincadeira acabou mal. Pelo meio, há famílias destroçadas, feridas (físicas e interiores) que não se curam e sonhos que não se cumprem. Como é que se resolve isto?

 

Trabalhar e ter filhos

09.09.16 | Maria vai com todos

 

No outro dia, aqui no Sapo, um blogue contava que o patrão lhe disse, não sei se meio a sério ou meio a brincar, que se engravidasse não lhe renovaria o contrato.

No outro dia, tive uma entrevista para Portugal e em menos de cinco minutos lá vieram as perguntas: "tem filhos? Pensa ter? Casada? Solteira? Com namorado?". Fiquei logo com azia - e fiz por comunicar a minha azia.

 

Este é um tema que com muitas amigas tenho falado e discutido nos últimos tempos. É certo que não é normal, nem ético ou legal, perguntar a um entrevistado este tipo de perguntas. Todavia, depois dos 28, nas entrevistas de trabalho, muitas mulheres começam a sentir a pressão do "já pariste, vais parir ou estás para parir". E mesmo que ninguém nos diga na cara, "temos pena, mas não estamos para dar trabalho a mães ou a pré-mamãs", a verdade é que sabemos que a coisa está lá. Que a coisa existe de facto e nos (às mulheres) limita a vida e as opções e, mais importante, as oportunidades. 

O bidé

06.09.16 | Maria vai com todos

 

Durante os tempos que vivi em Madrid, de vez em festa, falava-se do bidé. Sobretudo porque uma amiga italiana se queixava da ausência dos ditos nas casas de Madrid, seguindo-se à queixa o gesto de um chap-chap, ou seja, das mãos a abanar e agitadas no entre-pernas - sim, amigos, isto é um chap-chap ou se preferirem, um tudo abana, tudo areja. Eu concordava, falava do bidé, essa pela comum dos sanitários de Portugal e que noutros países que vivi/visitei também não era comum.

 

Adiante.

Recentemente, em Berlim, o bidé foi tema de conversa - aqui também não são muito comuns. Perguntaram-me se em Portugal se usava o bidé e eu disse que sim, sim senhora, claro que em Portugal os bidés são uma coisa comum. Assim que o disse, atacou um italiano:

- Vocês em Portugal têm bidé, mas não compreendem para que serve!

 

Como? Pára tudo! Como assim não compreendemos? Nós Portugueses tantas vezes considerados dos mais limpinhos da Europa, gente que toma dois banhos por dia e lava bem atrás das orelhas... como assim não entendemos o bidé?

E foi assim que eu descobri que não, o bidé não é para limpar e lavar os pés, nem serve apenas para a pedicure (e que jeitão que dá!) e também o seu uso inicial não se limita à lavagem das partes lá de baixo ou a pôr os putos entretidos, enquanto brincam com barquinhos.

O bidé serve (preparados?) para lavar o rabiosque cada vez que se faz o cocozinho. Ou seja, um italiano caga e lava-se no bidé - raça de gente limpa! A cada caquinha, ala, lá vão eles ao bidé. Isto, porque o papel higiénico não é suficiente, mais: o papel higiénico não é higiénico o suficiente. Todos os Italianos presentes confirmaram-me que sim, que usam o bidé com esse intuito e que fora de Itália, lhes custa não ter um. E esta, hein?

E vocês, sabiam disto?

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