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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Escritores com os quais (eu) embirro

29.04.16 | Maria vai com todos

Note-se, são escritores com os quais EU embirro. Isto não faz deles gente com menos ou mais mérito, melhores ou piores. É apenas a MINHA opinião, o meu gosto, o meu parecer, ok?

 

Paulo Coelho

Não há livraria que não tenha um livro dele! E não falo só de Portugal, encontro livros dele em todo o lado: na Índia, no Peru,... raios! Lembre-me de ler aos 13 anos a "Verónica decide morrer", mais tarde a "Brida" e era, vá, aceitável. Ainda lhe dei uma terceira oportunidade, com o "Rio Piedra" e depois, deixei-o de lado. Não deu mais! Tudo cliché, banal, tudo treta de auto-ajuda que já se leu, ouviu, viu em 374 mil lugares mais. Não acrescenta nada, não coça, não toca. Não entendo onde está a genialidade, muito menos a originalidade, que justifiquem milhões de livros vendidos ou o êxito mundial.

Quando dava aulas de Português, tinha sempre alunos que liam Paulo Coelho. Cada vez que ouvia Paulo, começava a revirar os olhos... parava logo, afinal "gostos não se discutem", "melhor ler que não ler", "cada um sabe de si" e, olha, "sempre é um autor de língua portuguesa". Ainda assim, admito, dá-me comichões.

 

 

Ernest Hemingway

Eu tentei. Eu juro que tentei! Tentei vezes sem conta "O Velho e o Amor", tentei "O Sol Nasce Sempre" e até "Por Quem os Sinos Dobram", mas não consigo! Chego ali à terceira página e dali não passo. E, sinceramente, nem entendo porquê. Sinto até bastante simpatia pelo Hemingway, sobretudo devido à presença dele nas Brigadas Internacionais, durante a Guerra Civil Espanhola e sempre me comoveu a história do suicidio dele - com a mesma arma com que o pai se matou. Presentinho da mãe (mulherzinha macabra,  meu ver)! Talvez daqui a uns anos a gente se entenda, para já, nada de Hemingway.

 

 

Nicholas Sparks

Este eu assumo: é desses que gosto de não gostar. História de amor alimentadas a pipocas não são a minha coisa. Admito que possa estar a ser snob, mas como disse em cima, são coisas com as quais EU embirro. São birras minhas. O Sparks é bom no género dele, faz as pessoas lerem (querem melhor do que isso, num mundo onde quase ninguém lê?) e ainda lucra (e bem). Se calhar é só inveja (minha).

 

 

Erika Leonard James

Juro que tiver de ir ao Google ver como é que ela se chamava. Eu li, meio na diagonal o livro das 50 Sombras da Erika e achei mau, muito mau, mas OK. É um estilo e, lá está, pôs meio mundo a ler e outros quantos a pinar mais e melhor - beza-a-deus por isso (eu cá acredito que gente que pina bem, é mais feliz!). O livro é mau. É mal escrito e a história da Cinderela moderna, que só pina e sujeita-se, porque "ama" dá-me cabo dos nervos! Ora então, a moça não pode pinar por verdadeiro gosto e porque gosta? Só se submete... por amor?

Adiante, aé porque na verdade, eu comecei a ficar-lhe com alergias depois de ler uma entrevista dela. Fiquei louca ao ver como a autora era pretensiosa. Ela achava mesmo que sim, sim senhora, era uma grande escritora a merecer um Nobel. Raios. Na altura do filme, havia também muito zumzum por causa dela, pelas suas exigências e como dificultava a vida aos produtores e realizadores, tendo sempre algo a dizer. Ok, podem dizer, o livro é dela, a história é dela. Obviamente que tem todo o direito a meter o bedelho, mas convenhamos, ela escreveu as sombras do Grey, não escreveu "Hamlet", nem o "Ensaio da Cegueira", nem os "Cem Anos de Solidão"! Assim que, Erika, calma amiga!

 

 

José Rodrigues dos Santos

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Confesso, que não sou muito admiradora do estilo do investigar-mais-esperto-que-toda-a-gente-e-que-descobre-tudo-e-todos - prova disso, é que do Jaes Bond, ao Sherlock não sou leitora de nenhum. Mas o José Rodrigues dos Santos tem um estilo de escrita (oh-pra-mim-que-sei-muito) que me chateia. Ele sabe. Ele investiga. Tem bastante mérito, até porque ao contrário de Dan Brown, ele não inventa. 

Sinceramente, acho que o principal problema é que é difícil dissociar o autor do personagem. O personagem principal pode ser o cão Bobi ou o calceteiro Ramiro, que na nossa cabeça, continuamos sempre a escutar o José Rodrigues dos Santos, qual professor de História cinzentão, a discursar sem fim.
Mas lá está, milhões de livros, direitos comprados, traduções em 20 (acho) idiomas. Ok, ele põe gente a ler. E isso é bom - muito bom! Mas caramba, também não faz dele um Lobo Antunes, nem um Saramago - por mais que o José Rodrigues dos Santos ache que sim!

 

E vocês, com que escritores embirram?

O meu primeiro Primeiro de Maio em Berlim

29.04.16 | Maria vai com todos

Ich bin ein Berliner

 

Domingo é o Primeiro de Maio - uhuhuhuh aposto que ninguém sabia disto. Mais: é o meu primeiro Primeiro de Maio em Berlim.

Ainda antes de pensar que poderia alguma vez viver aqui, já ouvia falar do 1 de Maio em Berlim. Era quase como o Queen's Day (agora King - ou não?) na Holanda, tipo uma Queima (de um dia) com toque Berliner! Como em todo o mundo, celebra-se também aqui o Dia do Trabalhador. Aqui, com mais alegria, com concertos, festa e comida e bebida na rua, em particular em Kreuzberg, o bairro turco e onde todos querem viver em Berlim. No dia 1 de Maio é também "permitido" aos neonazis, fascistas desta terra sair à rua.

Já houve, noutros anos, batatada, carros queimados e outros mimos que tais. É, dizem, o dia mais ocupado da polícia de Berlim, que escolta, separa e acompanha todos estes protestos.

No domingo será o meu primeiro Primeiro de Maio em Berlim e estou em pulgas para a festa! Custa-me imaginar tanto entusiasmo pela rua, regados com tanto álcool e dança e música... na Alemanha. Ok, que estamos em Berlim, mas continuamos na Alemanha. Inicialmente o plano era um barbacue, mas o sacana do tempo não parece querer contribuir. Assim sendo, brunch reforçado e ala para a festa!

Obviamente que dispenso a parte violenta, mas faltar ao Primeiro de Maio, é como viver em Lisboa e não ir ao Santo António.

Ich bin ein Berliner

27.04.16 | Maria vai com todos

 

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Um dos momentos mais divertidos do meu dia, é pela manhã, quando chega o autocarro.

Junto à paragem estou eu e uns quantos alemães, à espera do dito cujo. Todos dispersos, uns com o telemóvel, outros a lerem ou a olhar para o nenhum, ...!

De repente (música de suspense), avista-se o autocarro (o volume aumenta) e cada um, de forma desinteressada e dissimulada,vai-se chegando, até que o autocarro se aproxima cada vez mais (música frenética) e, num piscar de olhos, lá estão eles. À porta. Prontos para entrar. Firmes. Não há idoso, mulher com carrinho, nem sequer preocupação com quem chegou primeiro, que os detenha!
Esta modalidade alemã, de ver quem chega primeiro é deveras divertida.

Aliás, tenho vindo a constatar, que não é só o autocarro. É um efeito que as filas provocam nos alemães.
Por exemplo, no supermercado, estou eu a aproximar-me da caixa e logo sinto uns passos apressados atrás de mim. Do nada, zás, lá estão ele/ela/eles/elas, a passar-me à frente!

E, sim, eu divirto-me com isto. Melhor ainda, só quando deixo alguém passar-me à frente. É a única vez que ganho neste jogo.

 


NOTA: este texto é meramente divertido e para rir, pois aqui a autora gosta muito dos alemães e considera as filas em Berlim um programa de entretenimento ao mais alto nível.

Sábado à noite em Berlim

27.04.16 | Maria vai com todos

Ich bin ein Berliner

 

Concerto de hip hop. O grupo é francês (e bom), pelo meio muitos agradecimentos em francês e em inglês. A vocalista está claramente surpreendida com tanta euforia e pergunta se há franceses na assistência.

E estamos em Berlim, claro que há.
Pergunta depois se há gente de outros países.
E estamos em Berlim, claro que há.
Inglaterra.
Canadá.
Nova Zelândia.
Marrocos.
Síria.
Comigo estavam italianos e indianos.

Caramba, como eu gosto de Berlim.

Cantinho da Leitura

22.04.16 | Maria vai com todos

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O Quarto de Jack | Emma Donoghue 


Sinceramente, comprei o livro há anos. Comecei a ler, deixei. O narrador é uma criança, ou seja, o livro é uma visão infantil da história e, achei, o inicio pouco atractivo, com toda a descrição do quarto.
Depois de todo o zumzum à volta do filme e decido à falta de livros, lá peguei eu no livro. A parte pior ficou para trás - toda a descrição infantil e chegamos à história pura e dura. Obviamente, que o olhar continua a ser o de uma criança, mas houve um desenvolvimento da história. A coisa andou.
Gostei mais. Tem partes fofinhas (já vos disse que o narrador é um puto de cinco anos?), o que tendo em conta todo o horror (uma jovem mulher que vive num quarto aprisionada, onde é tratada como escrava sexual e pelo meio tem um filho) é algo novo. Diferente, vá!

E Se fosse Consigo? Racismo em Portugal

21.04.16 | Maria vai com todos

 

Só ontem à noite é que vi a primeira reportagem do programa "E se fosse consigo?" da Sic, cujo tema era o racismo em Portugal. Adorei. Fazem tanta, mas tanta falta programas assim. Reportagens que nos obriguem a reflectir e que nos incitem a agir. É serviço público no seu mais puro sentido.

Sempre que o tema vinha à baila, com a família e amigos, eu sempre defendi "sim, em Portugal há racismo". OK, Portugal pode não ter casos extremos como os EUA, onde o número de negros assassinados pela polícia, supera (e muito) o dos brancos; da Itália, onde os próprios deputados brancos insultam deputados negros de "macacos" e outros adjectivos, etc., etc., etc. Mas façamos uma reflexão profunda.

Quantos de nós tivemos colegas negros na escola? Ou ciganos? Ou Indianos? Eu, assim de repente, conto um cigano apenas.

Desde 1974, quantos políticos negros?

Quantos presidentes, directores ou pessoas em carga de chefia?

Jornalistas? Apresentadores de TV?

Mesmo atores negros, aparecem apenas em telenovelas ou ficção histórica... a fazer de escravos, obviamente. E quando são histórias actuais, já se sabe que a "história" daquele personagem será a exposição ao racismo e, com sorte, a superação do racismo. Quando a minha mãe me disse que, por fim, ia haver uma telenovela com uma protagonista negra, acrescentou logo: "mas passa-se em Angola e vão falar de racismo". A sério? Não teremos todos nós amigos, vizinhos, colegas de trabalhos negros ou de outras raças e etnias? A ficção não devria ser mais... real?

Também na música sempre houve separação. Por isso, considero os Buraka Som Sistema tão, mas tão importantes em Portugal. Foi o começo de ver brancos e negros no mesmo espaço, a dançar a mesma música e a aceitação do kuduro e de algo "africano", como bom, com qualidade. Algo artístico.  Recordo-me tão bem de nos tempos da universidade ir a um bar/discoteca de música africana com amigos e não haver mais nenhum branco por lá metido, sem ser eu ou alguém do meu grupo de amigos.

O desporto talvez seja a área mais democrática. Afinal, olha-se mais ao talento, do que à cor da pele. Todavia, nem o desporto é indiferente à questão racial, como todos sabemos. Basta recordar episódios como insultos, bananas e, claro, as claques no seu melhor! Haver em Portugal, uma estátua ao Eusébio, não torna o país não racista.

Recordo-me que quando a actual Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, tomou posse, isso foi notícia. Na reportagem da SIC falavam disso e remetiam para ela uma declaração em que a ministra dizia que em Portugal, sim, havia racismo, mas estava institucionalizada a ideia de que não. É que em Portugal, continuamos a olhar para o lado, com preconceitos disfarçados de "Eu não sou racista/homofóbico/xenófobo/etc., pois até tenho um amigo que..., mas..." E o problema vem depois do "mas". Mas "na minha família não", mas "para evitar sofrimento, é melhor que os meus filhos não", mas "até compreendo quem...", mas "é preciso ver que Portugal...".

 

Pois, Portugal. Esse país que durante séculos enriqueceu graças ao comércio de pessoas escravas e que até aos anos 70 travava uma guerra colonial. Obviamente, que o tema "racismo" é irrelevante e que "nós", portugueses, nada temos que ver com isso. Por tudo isto, usar o argumento que "Portugal é um país de brancos", daí não vermos mais negros nas mais diversas áreas, é, desculpem, uma treta. Há sim, falta de oportunidade. Amigos meus diziam que nas entrevistas de trabalho era sempre a mesma história: por telefone tudo bem, chegada ao local... "é mesmo Português?" ou "Fala mesmo bem."

 

Quando vi a reportagem da SIC dei por mim, como todos, a pensar: "o que faria eu se escutasse aquelas palavras?". Se fosse há uns anos atrás, sei que iria responder, retaliar. Mas agora... não sei se é porque estou a ficar velha, acomodada e/ou sem paciência para gente burra, mas a verdade é que não sei mesmo se me meteria. Acho até que teria até visto aquilo como um assunto pessoal. O que é errado. Racismo é crime. Tal como a violência doméstica. Devemos todos intervir, chamar a polícia até.

No Brasil, onde o racismo é discutido de forma diária, esta criminalização (de vez em quando, pelo menos) é levada de forma bem séria. Recordo-me de uma historia de uma adepta que insultou o jogador da equipa adversário, com comentários racistas. Foi filmada e criminalizada. E, claro, no século XXI isso significa também redes sociais. O caso ganhou proporções mediáticas, com a adepta a chorar baba e ranho na TV pública, a pedir perdão e a usar o argumento como o "calor e a paixão futebolística" como argumento.

E é argumento? Não. Não é, nem pode ser. Não pode ser mesmo. E vamos ser honestos e conscientes. Quantas vezes dissemos "branco de merda?" ou "corre, branco" ou "vai-te foder, branco do caralho?". Alguma vez ouviram isto? Obviamente que o racismo é um pau de dois bicos, de muitos bicos. De certeza que há brancos que já sofreram racismo. No entanto, tendo em conta a dimensão histórica, social, cultural, económica, entre outras, sem dúvida, que ainda é contra as pessoas negras que ele mais se manifesta. Milhões de pessoas foram escravizadas e ainda no século XX, a segregação racial era mesmo "uma coisa". Ainda hoje é. Uma mãe com um filho negro, sabe que o seu filho tem mais problemas de ser perseguido, agredido e até assassinado pela polícia do que uma mãe de um filho branco. Imaginem, agora, ter que viver com essa angústia.

 

"E se fosse consigo" fez ainda o velho exercício, da boneca branca e da negra, fazendo perguntas a várias crianças sobre "qual a boneca bonita?" e "qual a boneca má?". Ouvir crianças negras a dizer que não gostam da própria cor e que se acham feias pela cor que têm, foi avassalador para mim. Claramente estamos a fazer muita coisa mal. Precisamos de mais bonecas de todas as cores, de mais cantoras de todas as cores, de mais atores de todas as cores, de mais publicidades de todas as cores... precisamos definitivamente de um mundo com muitas mais cores.

Cantinho da Leitura

18.04.16 | Maria vai com todos

Comer, Rezar e Amar | Elizabeth Gilbert

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Vi o filme já há algum tempo, gostei, mas não o suficiente para despertar o interesse e ler o livro.

A história é bem ligeirinha, mulher divorciada e de coração partido, deixa tudo e passa um ano em Itália, a aprender italiano (e a comer); na Índia a meditar e em Bali, ora a aprender meditação balinesa, ora a fazer amigos, ora a apaixonar-se por um brasileiro. Muito justo. Com o principal mérito de não ser ficção, mas sim alguém que O FEZ de verdade!

Há livros que fazem sentido serem lidos num sítio e ler o Comer, Rezar e Amar de Elizabeth Gilbert, fez bastante sentido para mim, lê-lo na minha viagem a Bali. Como disse, a história em si não é nada de espectacular, nem a escrita; o principal ponto positivo é ser uma história verdadeira. 
Uma coisa que me assusta no livro é que quando se deu clique na vida da autora, ela tinha 30 e poucos. Tinha acabado de comprar uma casa e estava a tentar engravidar, quando percebeu que não era nada daquilo que queria. É assustador ver como para uma mulher que ainda não tem filhos é/foi tão difícil quebrar com rótulos e com todas as pseudo-regras estabelecidas. Ok, ela estava casada, mas mesmo assim... Eu entendo a ansiedade quando há crianças pelo meio. Afinal, não se pode simplesmente ir quando há um pai/mãe do outro lado. Agora no caso dela... faz-me pensar na capacidade de começar tudo de novo. De nos soltarmos. De sermos livres. Na coragem de ir e criarmos para nós mesmos um "novo princípio" - não que seja necessário ir até à Itália para isso, mas sem dúvida que se come melhor!

Aliás, apesar de ser dinâmico, as partes relativas as angustias amorosas e dramas existenciais, sinceramente, aborreciam-me um pouco. Muitas mensagens do livro soam a cliché ("tu consegues", "não desistas", "o tempo que cura todo", bla bla bla). 


Foi só quando li o livro, que me apercebi de todo o buzz que há à volta do livro, a ser recomendado pela Oprah e pela Hilary Clinton. Os feedbacks positivos foram quase tão intensos como os negativos. Nos últimos anos, parece que o livro passou a ser a Bíblia de mulheres de todo o mundo, que procuram incentivo para a "tal" mudança. Mulheres infelizes, presas a casamentos sem sentido, vidas ocas, etc. Da minha parte só posso dizer: se incentiva a quem quer mudar para melhor e a ser mais feliz? Leiam-no, então!

O Brasil, Dilma, o impeachment, Deus e a beatice

18.04.16 | Maria vai com todos

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A beatice dá-me comichões.
Sempre deu. Pessoas que andam sempre com "jesus", "Alá" ou "Jeová" na boca cansam-me! Se Buda ou Deus existem, devem estar tão, mas tão, mas tão cansados de ter as costas largas. De servirem de argumento para tudo!

Aqui estamos nós, Abril de 2016, uma moção de impeachment contra Presidente do Brasil, Dilma. A senhora ainda não foi associada a nenhum dos casos de corrupção, o nome dela não está em tribunal, nem ligado de forma directa; mas parece que foi ela que deixou tudo isto acontecer - antes o Brasil era o paraíso, corrupção é algo novo. Tudo culpa dela, a malandra!


Pessoalmente, Dilma poderia ter feito melhor, Lula também, assim como tantos outros. Entendo que o Brasil não é um país fácil. Até porque é um país tão grande, que controlá-lo não é fácil. Os dois, a meu ver, perderam muito com aquela história do "agora vais ser ministro, para não ires preso", mas adiante.

 

Doi, sim, a mim dói-me um bocado, ainda mais porque todo este processo está a ser levado por uma oposição de beatos, evangélicos, CORRUPTOS, que são bem mais assustadores do que Dilma e Lula.
Uma dos principais cabeças desta campanha, Eduardo Cunha é até suspeito de ter contas na Suíça, é. E claro: importante membro da bancada evangélica, um homofóbico do pior e com zero escrúpulos. É esta a opção, Brasil?
Ontem, dia da votação do impeachment da Presidente, entre bandeiras, lágrimas e gritos, ouvia-se isto:

"Pela minha esposa, Paula" (beijinhos para ela também)
"Pelo meu neto, Gabriel" (melhor que um carro telecomandado)
"Por Deus" (ele agradece)
"Pelos evangélicos" (essa gente boa e tolerante)
"Pela defesa do petróleo" (obviamente)
"Para que os meus filhos não aprendam sexo na escola" (oi?)
"Pelos vendedores de seguros do Brasil" (essa classe tão mal tratada!)

Ninguém falou em corrupção, na importância de mudar o estado do sistema judicial ou criminal do país. Posto isso, obviamente que não houve votas pela educação, nem pela saúde ou a pensar nas minorias. Menos ainda, a explicar o porquê de Dilma ser o grande problema brasileiro - dizer que "ela é um problema", não é, a meu ver, uma justificação. Dizer "fora Dilma", muito menos.

Menos mal que houve confetis. 

 

 

Cantinho da Leitura

16.04.16 | Maria vai com todos

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Durante a minha viagem à Indonésia, li o livro de "Indonesia etc - Exploring the Improbable Nation" da inglesa Elizabeth Pisani.
A autora viveu durante vários anos na Indonésia e trabalhou para a Reuters, como jornalista e mais tarde no Ministério da Saúde. Ela refere-se à Indonésia, como o seu "bad boyfriend". Aquele namorado(a) que temos, gostamos muito, muito; apesar de lhe reconhecemos 377 mil imperfeições, mas que ao mesmo tempo estamos desesperados para que os nossos amigos gostem dele(a).
Para tentar explicar o inexplicável (corrupção, superstições, poluição, os contrastes económicos do país, etc.) ela viajou durante um ano pelo país - falamos da Indonésia, ou seja, um país como mais de 17 milhas, das quais, 6 mil são habitadas.

Contando a sua jornada e de forma leve e, por vezes, engraçada Elizabeth Pisani consegue falar dos vários aspectos da vida do país: cultura, religião, economia, o colonialismo holandês, turismo, educação, indústria, História, etc. Apesar de por vezes fazer algumas considerações, com as quais podemos (ou não) concordar, por norma é bastante correcta, limitando-se a enumerar factos e a contar historias/episódios. E isso é bom, porque não julga, não cria pré-conceitos no leitor.
Tudo isto contribui para que tenha conseguido criar um bom livro de viagens, que se lê com gosto e, mais importante, que nos anima a viajar pelo país. Eu ADORA viajar, ADORO ler, mas literatura de viagens não está no meu topo de preferências. Aborrecem-me as descrições, as interpretações tão pessoas e muitas vezes os juízos de valor que são feitos. Obviamente que há livros muito bons, atenção! Este é um deles!

Pense duas vezes antes de andar de elefante

15.04.16 | Maria vai com todos

 


Sempre que um amigo meu vai de viajar para a Tailândia, dou por mim a recomendar o mesmo sítio: o Elephant Nature Park, perto de Chiang Mai.
Este parque é como um santuário de elefantes, que são muitas vezes resgatados (leia-se comprados) aos donos, para que os elefantes possam viver em boas condições.

Quer na Tailândia, quer noutros países, os "passeios de elefante" são bastante comuns. Vários turistas desembolsam um bons euros para passear em cima do bicho.
O problema, sinceramente, não é a "carga humana" - já viram um elefante? Se um cavalo consegue transportar sem problema um ser humano, imaginem um elefante. Somos uma pluma. Além disso, no meio de florestas e selvas é perfeitamente compreensível que se usem elefantes para transportar cargas, bens agrícolas, etc. Sim, o ideal seria que fossem animais selvagens e livres, mas isso também seria o ideal para os cavalos e até mesmo para os gatos. Nenhum animal nasce ou foi concebido para ser "doméstico", isso sempre foi tarefa humana. Avante.
Com os elefantes, a principal questão das organizações que estão no terreno é a forma como são domesticados. As organizações entendem o quão vital é o uso dos elefantes (e outros animais) na economia e sustentabilidade de muitos agricultores e construtores - e, claro, agentes turísticos. A pensar nisso, canalizam esforços para que a dita "domesticação" seja feita de forma correcta e sem violência.

Semanas depois do nascimento, os bebés elefantes são retirados das mães e metidos em jaulas de bambu. Durante semanas e meses, toda a aldeia agride, bate, espanca, chicoteia, etc. o bebé elefante. Tudo isto ainda é mais cruel ainda quando se conhece a natureza de um elefante. Falamos de animais extremamente protectores e sensíveis, que vivem em família e, mais, são animais que choram, o que, do ponto de vista humano, torna tudo ainda mais emocional. Para a mãe do elefantes, isto é também bastante traumático e muitas não lidam bem quando são separadas das crias.
Com este ritual, os praticantes acreditam que estão a tirar os "espíritos maus" do elefante, como se toda aquela violência não fosse sentida pelo elefante bebé, mas sim, pelos seres malignos que nele habitam. Acreditam que retirados os espíritos, o elefante fica dócil. Tornando-se, assim, domesticável.
Na verdade, tornam-se animais nervosos, constantemente agitados e a viver em stress. São animais que nunca estão parados e muitos acabam por morrer antes do previsto. 

 

No Elephant Nature Park há elefantes que foram resgatados de toda a Tailândia. Cada um tem a sua história. Ficam aqui algumas.

Uma das coisas que nos dizem no parque é, "olhos! Cuidado por onde andam, pois há muitos elefantes cegos". Oi? Pois bem, muitos donos para os subjugar, para os fazer andar mais rapidamente, etc. usam umas pequenas foices, bem bicudas, com que lhes vão batendo. A pele de um elefante é bastante dura, daí a foice ser tão afiada. Para o castigo ser mais efectivo, usam a foice para agredir os olhos do elefante muitos acabam cegos.

Também havia elefantes coxos, devido às bombas que (ainda) existem, sobretudo na fronteira com a Birmânia e do Camboja.

Havia uma elefante enorme, que de um lado era como se tivesse um corpo gigantesco a sair. Juro que pensei que seria um tumor ou algo assim, mas a história era pior. A elefante tinha ficado grávida e uma gestação elefante pode ir até aos 22 meses. Na recta final, as pobres mães pouco se mexem, afinal, há um bicho que pode chegar aos 100 quilos dentro delas. O dono tinha pressa que o animal parisse, pois precisava dela para trabalhar e... forçou o parto. Resultado? O bebé morreu e a mãe ficou com aquele "defeito" para sempre, passando também a ser inútil (para ele).

 

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Hora do banho.

 

A fundadora do parque é uma tailandesa chamada Lek Chailert. O pai e toda a família eram caçadores de elefantes e ela optou por dedicar a sua vida a salvá-los. O parque vive de doações e do dinheiro das visitas. Há também voluntários que podem ficar durante dias e semanas (pagando alojamento, obviamente) e alguns eram estudantes de veterinária.  Além dos elefantes, o parque dedica-se também a salvar cães, que na Tailândia não são propriamente visto como os "melhores amigos" do homem e, por norma, são bastante destratados.

Esta foi possivelmente a actividade mais cara que fiz na minha viagem à Tailândia. Se não me engano, paguei cerca de 50 euros por um dia, mas vale totalmente a pena. Fiquei com pena de não ter feito mais dias.O sítio é lindo, verde, cheio de montanhas e com um rio. Os elefantes andam livres, na companhia das suas novas famílias (existem bebés) e é bom quando sabemos que estamos a pagar para um local que trata bem e respeita os animais, sem truques, chicotes ou sem forçar situações. O dinheiro é também usado para resgatar outros animais. Sim, porque os donos, mesmo com os animais cegos ou coxos, só os deixam ir, depois de receber uma boa quantia. 

Se um dia vão à Tailândia, não deixem de ir aqui! Vale MESMO a pena! 

Afinal, quantos são os Portugueses emigrados?

12.04.16 | Maria vai com todos

 

Diz o Expresso, que nunca houve tantos portugueses emigrados, o "maior número de sempre" escrevem. Olha lá a novidade, mas o artigo tem números, o que é bom!

Diz que são mais de 2,3 milhões de Portugueses que estão fora.

Diz o artigo, que o Reino Unido é o principal destino. "No total, cerca de 175 mil portugueses residem agora naquele país. O fluxo é composto, sobretudo, por jovens adultos — um terço tem entre 25 e 34 anos. Muitos são qualificados." Só quase 5 mil são enfermeiros. Bélgica e França continuam a ser opções, sendo que é em França e no Luxemburgo que estão os emigrantes com menos qualificações. Curioso é ver a Noruega na lista. Segundo o Expresso, "a Noruega transformou-se num dos principais destinos de emigração dos diplomados portugueses. É, aliás, neste país que reside a comunidade portuguesa com maiores habilitações em todo o mundo."

Parece que desde os anos 60/70, que Portugal não via uma coisa assim. Note-se, nos anos 60/70 havia uma guerra colonial, à qual o sexo masculino dificilmente conseguia escapar. Nos anos 60/70 havia também um senhor, que mandava naquilo tudo e punha e dispunha ao seu belo prazer. Falamos do senhor Salazar que acreditava, que bom é ser pobrezinho e humilde e que saber ler e escrever, já era mais do que suficiente. Portugal era um país de agricultores e onde mulheres pariam filhos, como quem contrata mão-de-obra.

O artigo refere ainda que muitos destes emigrantes não tencionam voltar, que para isso teria que haver por parte de Portugal uma capacidade para oferecer melhores trabalhos, condições laborais e salários. E já agora, acrescento, melhor qualidade de vida com leis e incentivos que permitam conciliar trabalho e família. Quando isto acontecer, avisem-me que eu volto. Até lá, mantenho o plano de voltar depois de estar reformada.

Conversa com a mãe pós-férias

12.04.16 | Maria vai com todos

Cheguei da Indonésia e qual boa filha. telefonei à minha mãe. Foi mais ou menos isto:

Eu - Estou. mãe?

Mãe - Sim, filha! [A minha mãe atende sempre assim as minhas chamadas. Um clássico!] Já chegaste?
Eu - Já. Cheguei à pouco... bla bla bla... o voo... whiskas saquetas onde fomos e por onde andamos... ui ui e o tempo? [Esse esterno tópico]... mimimimi só há arroz e "siiiiiiiiiiiii", tirei muitas fotografias e  mais o diabo a sete!
Mãe - E amanhã vais trabalhar?
Eu - Oh, vou! Não me apetece nada! [Voz dramática e carregada de mimo] Estou fartinha de trabalhar!
Mãe - Francamente! Com essa idade? Ainda agora vieste de férias!
Eu - Se eu pudesse não trabalhava!
[E lá começa o discurso, porque o trabalho é bom. O trabalho dignifica e tem mais 76 mil vantagens. Trabalhar é importante. O brio profissional. fazer dinheiro e a carreira. Onde já se viu não fazer nada? Ai, ai, ai, mau, mau, mau]
Eu - Tu falas, falas, mas estás cheia de vontade de te reformar. Ainda no outro dia dizias, que se pudesses...
Mãe - Isso é só às vezes! Outras, só quero trabalhar!
 
NOTA: A minha mãe sabe precisamente quantos dias, meses e anos lhe faltam para a reforma.

Guia para viajar na Indonésia

11.04.16 | Maria vai com todos

 

Ir ou não ir?

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Gili Meno, Bali, Indonésia

 

Sempre ir, sempre ir! O país é incrível! São 17 508 ilhas, distribuídas pela Ásia e pela Oceânia, com fronteiras terrestres com Malásia (na ilha de Bornéu), Timor-Leste (em Timor) e Papua-Nova Guiné (na Nova Guiné) e marítimas com as Filipinas, Malásia, Singapura, Palau, Austrália (ufff) e com o estado indiano de Andaman e Nicobar.


De todas as ilhas, Bali é a menina bonita da Indonésia! As praias atraem todos os anos, milhões de turistas. Até porque há praias para todos os gostos: para surf, mergulho (vale a pena ir à Indonésia só para tirar o curso de mergulho, é suuuuper barato. E claro, também para fazer mergulho!), festas, relax e muito mais! Bali é também cheia de templos, cerimónias e superstições. No entanto, um país tão grande tem muito mais para oferecer: cascatas, 98238 mil parques e reservas naturais, selva, exotismo e, perto de Yogyakarta, está o complexo de Borobudur, considerado o maior monumento budista do mundo, construído no século VIII.

A Indonésia é também o país com a maior população muçulmana do mundo, havendo inclusive um ministério dedicado às peregrinações a Meca! O que não significa que não seja um país super colorido, cheio de vida e dinâmico - também com aquele calor, só o bravo dos bravos poderia andar de burka ou de vestes negras! Mesmo as mais conservadoras, usam vestes com cor, sendo o castanho do mais escuro que vi por lá! A Indonésia é também tido como um exemplo de tolerância religiosa, já que aqui várias religiões convivem pacificamente. É o caso do Hinduísmo (religião dominante em Bali, onde me pareceu bem mais fervoroso e cheio de rituais do que a Índia), Budismo, Confucionismo, Islamismo e Cristianismo. Estas são consideradas as religiões principais e os indonésios têm que escolher uma, que consta depois no bilhete de identidade. No entanto, no país há muitas mais religiões e práticas espirituais, embora não sejam oficialmente consideradas.
Sinceramente, não notei qualquer tipo de conflito religioso. As pessoas misturam-se e têm amigos (e familiares) de diferentes religiões. Todos pareciam ter claro que quando há problemas/conflitos são movidos por interesses financeiros e a chamada "inveja", que pode ser económica ou social. Por exemplo, muitos cristão são chineses. E os chineses são também os maiores empresários do país. Quanto ao extremismo, muitos encolhiam os ombros. 

 


Mochilar ou não mochilar?

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Munduk, no norte de Bali

 

Apesar da crescente popularidade dos voos domésticos, o que significa também voos baratos, viajar pelo país pode ser feito de ferry (entre ilhas), comboio e autocarro. E, claro, muito aluguer de mota, que sempre ajuda a poupar! Se estás a pensar em mochilar na Indonésia, um conselho: ter tempo. E paciência.
Transportes públicos não é algo que abunde na Indonésia. Mesmo em Bali, a tão turística Bali, ter que ir de táxi ou reservar um motorista para o dia é comum. E sai caro - ou pelo menos, caro para um Backpacker, que queira viajar barato. Para ir até Munduk desde o Terminal de ferry, pagamos cerca de 40 euros para uma viagem de três horas - que acabou por demorar mais do dobro!
De Munduk, no norte de Bali, até ao porto onde se apanha o ferry para Java (outra ilha) tivemos que ir de táxi até Seririt. Porquê de táxi? Ora, só há um autocarro por dia, que passa às 6 da manhã. O autocarro está sempre tão cheio, que na maioria das vezes, nem passa por Munduk. Obviamente, que tivemos de ir de táxi e dali apanhar um dolmus (umas carrinhas tipo táxi) para Gilimanuk, onde se apanha depois o ferry para Java. Estas coisas tardam, não há horários definidos e é preciso paciência. Paciência também para andar a descobrir quem são as pessoas na localidade  com serviços de transporte e bater a umas quantas portas à procura do preço barato.
Novamente: isto são dicas para quem viaje com dinheiro contado. Isto é backpackers, gente low cost e que vai e explora os locais que não são atracão turística ou que querem fugir ao turismo de massas. Pessoas que dormem em potenciais quartos com baratas e sem ar condicionado! Caso contrário, e sobretudo em Bali, quase todos os hotéis e hosteis asseguram serviço de carro - pagos à parte, claro está!

Na Indonésia, entre chegar ao sítio, visitar o sítio e sair do sítio, leva tempo! Há que esperar pelo transporte e quando digo esperar, é mesmo esperar. Os atrasos são comuns. Por exemplo, os autocarros/dolmus muitas vezes só partem depois de estarem cheios, o que implica a dar umas quantas voltas à localidade, encher e partir. Horários parecem ser mitos, excepto para o comboio. Quanto ao comboio: lento e não sendo mal, não é um TGV de conforto, com direito a ver os filmes iranianos mais deprimentes de sempre!

 

 

Ferry

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Gili Meno, em Bali

 

Ora dediquemos ao ferry uma categoria. Afinal, com tantas ilhas viajar de ferry e ou de barco é prática comum.
São comuns também os acidentes e (pior) mortes e, imagino, que isto não seja nada animador se planeias ir à Indonésia, certo? Mas nada melhor do que estar bem informado e, verdade seja dita, basta ir ao Google e o que não falta são notícias sobre ferrys a afundar na Indonésia!
Quando estava no ferry para Banyuwangui só pensava: "mas como é que esta porra pode afundar e morrer gente?". A sério, aquel foi o ferry mais lento em que fui. Demora 45 minutos entre Bali e Java, algo que poderia ser feito em bem menos. Até um barco a remos seria mais rápido! E depois não é só a velocidade é água, que tendo em conta o calor, não é propriamente gelada para se morrer de hipotermia, nem o mar muito agitado. Como era possível haver sempre mortos nas notícias? Ou acidentes? Já tínhamos lido que muitos ferrys afundam, porque o peso vai mal distribuído (sem comentários!) e mais tarde descobri que a razão pela qual muita gente morre é ainda mais estúpida. Há viagens de autocarro entre as duas ilhas e, claro, o autocarro atravessa o mar de ferry. E quem viaja de autocarro, mesmo no ferry, não pode sair da camioneta durante a viagem. Agora, imaginem: os autocarros, juntamente com camiões de carga, carrinhas, etc. entram no ferry e estacionam lado a lado. Estacionam tão juntinhos que abrir portas é uma missão impossível. Agora, imaginem, aquela coisa começar a afundar e estar dentro do camião ou do autocarro. Ok, não faz falta imaginar, mas assim, fica fácil entender o porquê de haver mortes. Lamentável. Também descobrimos que só recentemente, começaram a pedir na hora da compra do bilhete dados (como nome e passaporte) aos passageiros. Parece que em Fevereiro houve um acidente e ainda hoje estão por identificar os mortos, pois nem se sabia ao certo quantas pessoas iam no ferry.

 

 

Come-se bem?

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Torrada com queijo e chocolate - ou a prova em como foram os holandeses a colonizar a Indonésia

 

Deixemo-nos de temas mórbidos e falemos de coisas boas: COMIDA! Bem, a coisa vive de ora de arroz, ora de noodles e não sai muito dali. Sendo, o arroz o claro vencedor! Nasi Goreng, arroz com vegetais e ovo nas suas mais variadas expressões - bife, vaca, sea food (três camarões) e nada de porco, que afinal estamos num país muçulmano! Muito Gado-Gado e muita sopa. As sopas foram o que eu mais gostei. Juntava-lhes sempre água, porque faz muito, mas muito (mesmo muito, muito!) calor e sabiam-me à vida!
No entanto, custa-me a entender como é que um país com uma costa tão grande e que durante anos foi (colonizado pelos holandeses e) exportador de especiarias como canela, noz-moscada, baunilha ou cravo-da-índia haja tão pouca variedade culinária.
A não perder as panquecas e a banana frita. E a fruta, sendo também muito comuns os sumos de furta - melancia, goiaba, limão, laranja, manga (dependendo da época), etc. Também há muita fruta à venda na rua e nada melhor do que passear e lambuzar-se de ananás. Detalhe: na Indonésia é costume comer com as mãos.

A não perder, além dos vários restaurantes de rua, onde se come (e bem) a menos de um euro são os Padang. Os Padang são restaurantes na Indonésia, onde há vários tipos de comida (sempre com arroz) e molhos à escolha, há também carne, peixe frito, saladas, etc. Há-os por todo o país e são baratos e bons e bem locais. É só chegar, apontar para o que se quer e comer. Uma das minhas coisas favoritas era um molho, bem intenso, de carne. Delícia.
Delícia também é o frango frito. Eu nunca comi no KFC, mas sei que o da Indnésia dá-lhe 10 a zero! 

 


As pessoas?

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Templo de Borobudur, perto de Yogyakarta

As pessoas são incríveis, educadas e simpáticas. Em alguns sítios, eu sou branca, branca a fugir para o cor-de-rosa, sentia-me uma Lady Gaga de tantas fotografias, mesmo assim as pessoas conseguiam fazê-lo de forma educada. Em Yogokarta, num espectáculo de teatro de sombras wayang kulit, acabei na orquestra a tocar xilofone - eu que nem com os ferrinhos me safo.
Mesmo na capital, em Jacarta, tinha sempre aquela sensação de aldeia. De sorrir a toda a gente e dizer "olá" a todos por quem passamos. Muita gente perguntava de onde éramos. E em Bali era comum o de onde vínhamos e para onde íamos. Descobri depois que era uma pergunta comum, uma coisa bem hindu, que simboliza o balanço e o equilíbrio, que remete à importância de saber de onde viemos e para onde vamos.

 


É caro?

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Floresta dos Macacos em Ubud (Bali)

 

É caro?

É.
Não é.
Bali pode ser caro. O que é de turismo (pura e duro) é caro. Chegamos a pagar mais do que em Berlim para comer. Só em Java é que começamos a poupar mais significativamente.
Uma coisa é certa: na Indonésia há assumida e claramente dois preços. O preço para locais e o preço para turistas. Isto é assumido e não representa um constrangimento para ninguém. Ter poder e capacidade para regatear é também importante, mas por vezes, parecia que havia como que um pacto interno no país e de um taxista para o outro, por exemplo, o preço não mudava muito.
No final e bem organizado, gasta-se pouco; mas como disse, não é um país fácil. Para chegar a algum sítio, aquilo que poupamos num hotel barato e com baratas, acabamos por gastar num táxi. Por isso, é que acho importante ir bem orientado e com tempo. 

E também não esquecer que apesar dos megalómanos centros comerciais de Jacarta, dos carros de vidros esfumados e dos hotéis de luxo, a Indonésia é um país onde alguns habitantes vivem com menos de dois dólares por dia. Muitas pessoas alimentam-se do que cultivam e é comum ver professores e outros funcionários públicos, dedicarem-se  a outros negócios e à prática da agricultura de subsistência. Há ilhas onde a electricidade não chegou (usam-se geradores) e onde carros não entram. E isso pode ser, aliás, é também muito charmoso.

Quando se fala de dinheiro, vem sempre o tema da corrupção. Acredito que sim, acredito que exista (obviamente que existe), mas não nos passou nada, assim que, sem comentários sobre o tema.

 


O que fazer?

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 Tempo Pura Ulun Danu Bratan, em Bali


Praia, ioga, templos: este é possivelmente o principal cartão postal da Indonésia, mais particularmente de Bali. Bali possui ofertas de turismo para jovens mochileiros e para reformados, enfirm: agrada a todos. Bali está-se a tornar num Puket (na Tailândia) de festas loucas, música pum-pum-pum e muito álcool. Mas a Indonésia é muito mais do que isso. 

Os templos do século VIII de Borobudur (perto de Yogyakarta) ou a Floresta dos Macacos em Ubud (Bali) são dos locais mais visitado na Indonésia. Também no top 10 está a ilha de Komodo, com particular para os parques naturais onde vivem os Dragão-de-komodo. Também conhecidos como crocodilos-da-terra é a maior espécie de lagarto na terra. São também comuns elefantes, orangotangos, macacos e rinocerontes.
A Indonésia tem mais de cem vulcões activos. De vez em quando lá há umas erupções e voos cancelados e aeroportos fechados. Muitos visitantes podem fazer trekkings pelos vulcões do país, com passeios nocturnos e com direito a ver o sol nascer no topo do vulcão.
Além dos terraços e campos de arroz (lindo!), da imensa selva e vegetação (mesmo à beira da estrada), a Indonésia tem uma costa infinita para praia, surf e também para os amantes de mergulho. E Jacarta com os seus arranha-céus vale a pena pelo contraste e mistura, já que ao lado de um hotel de cinco estrelas está um canal fedorento e a cinco minutos de uma lixeira a céu aberto, estão algumas das principais atracções turísticas! Só indo e suando. O que dizer também do trânsito? Só mesmo indo! 

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