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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Ich bin ein Berliner

09.01.16 | Maria vai com todos

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Nos últimos dias nevou, muito, muito!
Eu fraquinha, no dia anterior à neve, despedi-me da minha bicicleta, porque este frio tornou incompatível (para mim, obviamente!) o ato de pedalar. Aliás, pedalar ainda conseguia, mas usar as mãos para travar, era um sofrimento.
Assim sendo, agora apanho o autocarro. Enquanto espero, não consigo deixar de me deslumbrar com a destreza dos (resistentes) ciclistas berlinenses que dia após dia, continuam a ir para o trabalho de bicicleta. Aquilo que antes era ver passar bicicletas, tornou-se um desfile leeeento de gente a pedalar não na neve, mas contra a neve! E a lama! E aquela mistura lamacenta! Claramente há ali talento, ninguém cai ou perde o equilíbrio - também ainda não há gelo. Hoje vi um desistente. Pedalou até um pouco depois da paragem do autocarro, mas dali não passou. Voltou atrás, acorrentou a bicicleta à paragem do autocarro e ali ficou à espera do mesmo. Sorri-lhe cumplicemente, porque, amigos, não é um fraco, aquele homem tinha um propósito, tentou e esteve quase. Aplausos!
Outro ponto alto destas observações são os outfits. Obviamente que eu não sou uma grande blogger de moda, mas como dizer? Há criatividade, há estilo, há até cor - o que abunda pouco por estas bandas! Cada um enfaixa-se como pode, há gente com roupa de neve, gorros e cachecóis, onde mal se vê o rosto e muitas fitas elásticas a prender mangas e calças, para que não entre nem um fiozinho de frio.

Ich bin ein Berliner

08.01.16 | Maria vai com todos

 

Todos os dias, vá quase. Não, é memso todos os dias! Comecemos: todos os dias em Berlim eu digo olá/bom dia a alguém e há sempre, juro, sempre uma alma que não me responde! Nem um olhar, um sorriso ou qualquer sinal corporal que dê a entender que me ouviu! Pode ser o senhor do autocarro, um colega de trabalho, a senhora do supermercado ou qualquer outra alma desta cidade. Raios partam, pessoas! Eu só quero um "hallo"!

Sozinha, mas pura. Sempre!

07.01.16 | Maria vai com todos
 

Uma foto publicada por sofia (@sofiamaced0) a

 

Ela nunca tinha saído ali da aldeia. Bem, às vezes ia até à cidade para ir ao hospital, mas era ir e vir, que aquilo fazia-lhe muita confusão. Até lhe fazia mal a cabeça! Não, ali na sua casinha é que ela estava bem. Sossegadinha! E sem dar confianças a uns e a outros! Não podia confiar em ninguém! Nem nas vizinhas! Ela bem sabia que a Aninha à frente era uma coisa e atrás era outra! Sempre tivera a língua afiada, aquela mulher! E a Graça, sempre de manga arregaçada e boca arreganhada! A dar confiança a todos os que passam. Aquela mulher!
Tinham tocado à porta. "Venha à festa, mulher!" Qual festa? Era só o que lhe faltava agora, anda por aí, com uns e outros! E ela lá tinha idade para isso!
E mesmo que tivesse, o que importava? Ela bem se lembrava dos bailaricos de antes. Eles e elas a fazerem-se de inocentes, mas só mesmo um ceguinho é que não via aquelas trocas de olhares e roças e roças! Uma vergonha! Aquilo não era ambiente para ela.
"Os bailaricos são a ruína" dizia ela muitas vezes. A primeira vez que foi a um, foi quase arrastada pela Teresinha, como se daquela gaiata saísse alguma coisa de bom! Sempre fora uma cabeça de vento, a Teresinha! Mal chegaram ao baile, ela bem que a queria pôr a dançar, onde já se vira? Cruzou os braços e encostou-se à parede. "Deus Nosso Senhor ajude esta gente" era tudo o que pensava. Foi quando o Manel da Virgínia se chegou junto dela. Matreiro. Cheio de falinhas mansas. "Não danças?" insistia o manhoso. Sempre fora muito descarado! Ela bem sentiu aquilo no meio das pernas dele, a roçar na anca dela. Que atrevido. E insistiu. Institiu! Mas ela manteve-se hirta, como uma mulher séria. Uma pura. Embora não entendesse aqueles calores que sentia. Estaria doente? Não ia dar parte fraca. ALi ficou, hirta.
No dia seguinte, acordou com uma chapada do pai! A ordinarona da Laureana contara a todos que a tinha visto com o Manel. Diziam que os dois tinham rolado na palha! "Como os cabritos" berrava-lhe o pais aos ouvidos! Ela? Ela? Seria um sonho? Ela bem tentou explicar tudo ao pai, de lágrimas nos olhos, enquanto este a açoitava. Que desilusão! Mas ela não tinha feito nada, só tinha ficado ali. Como se o pai acreditasse! Envelheceu e morreu sem voltar a dizer a palavra "filha".
Mais de sessenta anos tinham passado, mas ela tinha aprendido a lição. Aquilo não era sítio para ela. Na opinião dela, se lhe perguntassem, não era sítio para ninguém! Mas as outras que fossem, que fossem e andassem por lá metidas com uns e outras. Ela dali não saia. Era só o que lhe faltava! Sozinha, mas pura. Sempre!

Propósitos para #2016

04.01.16 | Maria vai com todos

Não tenciono deixar de comer massa, nem de enfardar sushi! E cruzes-credo, que a vontadinha de de ir para o ginásio é tanta, como de andar sem luvas com este frio! Vou continuar amiga do meu vinho e do meu gin tónico - e da cerveja, que agora vivo em Berlim! Também não é desta que faço uma conta poupança, pois está claro que vou continuar a laurear a pevide. Posto isto, que vou em fazer em #2016?


Aprender alemão! Isso e muitas beijinhos e abraçar muito, porque três meses depois de chegar a Berlim, dei por mim a pensar que sou uma pessoa física! Isso e que o sol faz muita falta! E, raios, preciso mesmo de aprender alemão, apesar de que cada vez que tento dizer uma palavra, ainda nem ir a meio e já me faltar o ar! Sacanas, como é que eles conseguem?

 

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