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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

- Futebol? Não terá sido padel?

25.03.15
- Olá, venho jogar e uma amiga reservou o campo - diz ela.
- Vem para o padel? Qual o nome da amiga que reservou? - pergunta ela.
- Não é padel. É futebol. A amiga chama-se X - responda ela.
- Futebol? Não terá sido padel? - volta a perguntar a recepcionista confusa.
- Não é padel. É um campo de futebol e está em nome de X. - insiste a outra,

Gajas!

Madrid me mata e/ou coisas de (e)imigrante

10.03.15

Tomei uma decisão! Se há coisa que me chateia no bairro/cidade onde vivo é a sujidade. Valha-nos que todos os dias, as ruas são limpas, mesmo assim irrita-me (solenemente - para ser mais precisa) a sujidade: um pacote de batatas aqui, um plástico acolá, um lenço de papel além!

Igualmente irritante é o xixi, ou melhor, o cheiro do dito cujo.
Em Madrid o que não falta são bares, cafés e restaurantes e todos com donos e empregados fixes, que deixam entrar quem quer para ir fazer um xixizinho.
Mesmo assim, uma grande parte da população (masculina!) opta pelos cantos junto aos caixotes do lixo, pelas paredes, pelas rodas do carro,...

Este está bem longe de ser um acto nocturno, sendo bem comum durante o dia e praticado por machos de várias idades. Tudo começa com a mãezinha a agarrar no pirilau do pequeno petiz, em plena rua e a colocar a criança a fazer xixi e depois, claro, é vê-los aos 13, 19, 31, 70 e mais anos a seguir o procedimento, quais crias bem educadas!

Foi por isso, que há cerca de duas semanas tomei uma decisão e cada vez que vejo alguém a mijar (sim, assim, de bruta mesmo) na rua, fico-me a olhar. Encaro, para ser mais exacta!

A coisa só não é 100% efectiva, porque uma vez que começa a brotar, a urina não para, mas dá gosto vê.los, a rodar 90 graus de pénis em riste. A ver se aprendem! Ou eu - que qualquer dia isto acaba mal para o meu lado!

Really?

09.03.15
Pergunta para a Revista Máxima
A sério, que a única forma que encontraram para falar de igualdade de direitos e de feminimo, foi pôr cem homens de salto alto?

Pergunta para o Público
A sério, que a única coisa a dizer sobre este protejo foram coisas como "Do alto dos stilettos criados por Luís Onofre, ouviram-se exclamações como “isto é muito difícil!” ou “agora damos ainda mais valor às mulheres!”. Alguns dos convidados nunca tinham experimentado sapatos de salto e houve mesmo uns com “problemas de equilíbrio”, relata a directora da Máxima. Mas a boa-disposição imperou – os jogadores da equipa de basquetebol do Benfica, “todos com pés enormes”, conta, saltaram e jogaram de sapatos calçados."


Gostava de saber por que é que estes homens de áreas tão diversos não foram confrontados com perguntas como:
"Como concilias a tua carreira e os teus filhos?"
"Por que é que recebes mais 20% do que as mulheres com o mesmo trabalho que tu?"
"Por que é que nunca promoveste uma mulher?"
"Quais são as dificuldades de uma mulher na tua área?"
"Achas que se fosses mulher o teu percurso profissional teria sido igual?"
"O que tens feito pelo feminino (andar de saltos altos não conta!)?"

,,, e  a lista poderia continuar!

Ah, já agora, eu sou gaja e não uso saltos altos e não tenho preconceitos, Máxima: eu estou aqui!

Jornal Público

Joana, a operadora de call-center

03.03.15

OK, perdido por cem, perdido por mil. Joana enviou o seu cv para o call center, não tinha nada a perder. E isso não significava que ia deixar de sonhar. Um dia seria psicóloga, mas agora era mais importante pagar o quarto. Voltar para casa dos pais não era opção.

Ficou surpreendia com a rapidez com que responderam. Dois dias depois foi feita uma pré-entrevista, com dinâmicas de grupo. Sacou a psicóloga dentro dela e mostrou-se firme, sem ser inflexível. Joana comportou-se como uma líder, capaz de ouvir os outros, mas ao mesmo tempo determinada.
Na entrevista seguinte, sentiu-se confiante, o que se traduziu numa contratação.
Explicaram-lhe que haveria um mês de formação com um salário um pouco inferior ao salário mínimo. Só depois de passar essa formação, seria contratada. Joana arriscou. Não tinha nada a perder. Prometeu aos pais que seria o último mês.
Esforçou-se muito, estudava em casa, lia os protocolos, estava atenta na formação.

A formadora irritava-a. Uma licenciada em história que começava as frases por "é assim" e dizia "prontos", Trabalhou no call center dois anos e há dois meses dava formação. Todos diziam que era namorador do formador.
Joana ficou aliviada quando soube que ia ser contratada. Quando viu o contrato, até se emocionou. Tinha começado a acreditar que eram miragens. Os valores não eram altos. Ia receber o salário mínimo, mais subsídio de alimentação e bónus. Com sorte chegaria quase aos 700 euros. Naquele momento parecia uma fortuna. Ficou surpreendida, quando leu o nome do empregador. Um colega explicou-lhe que eram subcontratados, na verdade quem os empregava contratualmente era a empresa de trabalho temporário que fez a entrevista. Detalhes, pensou a Joana.
Surpreendeu-a também ver que do curso de formação, todos tinham passado. Excepto três que tinham desistido a meio. Joana sentia-se confiante, mas sabia que muitos ali não eram como ela.

Nos dois primeiros meses logo se apercebeu que não estava minimamente preparada.
Havia tanta coisa que não sabia! Tinha que estar a pedir apoio constantemente. E a ajuda tardava e enquanto isso o cliente em espera. Só um momento, por favor. Só um momento, por favor. Só um momento, por favor. E depois havia a pressão do tempo! As constantes avaliações, discurso positivo, não digas "problemas", fizeste mal, oferece-lhe este pacote, o desconto não se aplica a este cliente, manda-os para o Apoio Técnico (mas eles que liguem, para paga a chamada), não fales dessa alínea,... E depois o ruído, tanto barulho. Tanta gente!
Joana esforçava-se por cumprir as regras, seguir os procedimentos e conseguir o bónus. Eram mais 70 euros! Já pagava o passe!

Tal como o mês da formação, Joana ia para casa e agarrava-se ao computador, enviava cv's e procurava, procurava.
Aos almoços foi começando a conhecer melhor os colegas. Apesar do subsidio de almoço, todos traziam comida de casa. Havia muitos licenciados em psicologia, assim como enfermeiros ou engenheiros. Bem na verdade, eram apenas licenciados, já que nunca nenhum trabalhara realmente na área. Muitos viviam com os pais. Muitos estavam ali há meses e já tinham deixado de procurar. Nem valia a pena! Além disso, ali ganhava-se fixe, argumentavam.
Havia também mãe, sim, sobretudo mulheres, que baixavam os olhos. Joana pensava que para elas, com filhos para criar, 700 euros não podia ser ganhar fixe!

E ela, ela Joana?
O que é que ela fazia ali?
Nos três primeiros meses, os quase 700 euros ajudavam-na a suportar o trabalho. Pela primeira vez, era independente financeiramente. Comprou as botas que sempre quis. Chegou a um altura que o trabalho virou rotina. Um dia, Joana deu-se conta que há já uma semana que não procurava anúncios. Estaria ela a desistir de si mesma? Estava resignada?
Joana sabia que se se esforçasse como até ali, em dois anos ou menos poderia subir de posto. Ela era diferente dos outros. Podia até ser formadora. Ela sabia que davam preferência aos de dentro. Sempre seria algo mais relacionado com a área dela e o salário era um pouco maior. Por que não fazer carreira?
Relacionando-se mais com as pessoas certas e com a atitude correta, sem dúvida, que ela podia chegar lá.

Que mais podia ela fazer?




Leia a primeira parte aqui.

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