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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Ver ou não ver

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Acabo de ler no Público, que no dia 3 de Julho vai a debate a lei do aborto, por sugestão do grupo Direito a Nascer.

 

Primeiro, permitam-me que diga, que acho sempre bonito que pessoas tão preocupadas com a natalidade e o direito à vida, se foquem tanto na criminalização do aborto e em divagar pérolas poéticas como “tal despenalização levou à liberalização e promoção do aborto”! Por que será que estes grupos nunca optam por um verdadeiro discurso pró-vida? Um discurso de tolerância e empatia para com a mulher, falando-lhe das opções, apoiando-a, abrindo-lhe portas para outros caminhos como a adopção ou ONG's e/ou outros organismos que podem ajudar nestes casos.

Sempre que leio algo destes supostos grupos pró-vida, fico sempre a que as mulheres que optaram por abortar, são todas umas levianas, sempre de perna aberta e que optam pela IVG, porque sempre é mais barata do que a pílula.Mesmo mostrando-lhes números, mesmo revelando que o número de interrupções tem baixado e que nunca foram tão baixos, esta gente insiste em atirar pedras. Melhor ainda quando se mete a Igreja na história e lá vem Jesus à baila - o verdadeiro "amar como Jesus amou"!

 

Adiante.

Na nova lei, vão estar em discussão as taxas moderadores, para começar.

Ok, de acordo. Hoje em dia paga-se por um pé partido ou por uma ida às urgências. Posso entender a lógica. Mesmo achando que o cerne do tema seria ressuscitar o SNS e não dar-lhe (ainda) mais facadinhas, mas posso entender a lógica. Infelizmente, outros problemas existem, entre eles os valores dos contraceptivos. Preservativos não são baratos. A pílula também não e por aí fora. E actualmente também já não são comparticipados - só facadinhas no SNS, como se vê! 

 

Quanto à objeção de consicência, posso estar mal informada, mas não há médicos que sejam afastados, são os próprios que têm essa liberdade. É assim?

 

E depois, a cereja no topo do bolo destes senhores, é que seja obrigatório mostrar a ecografia e não vá a batoteira fechar os olhos, ainda tem que assinar. Segundo o Público, essa é uma opção que é dada a muitas mulheres. E assim deveria ser: uma opção! Obrigar a assinar? Obrigar a ver uma ecografia? Mas onde estamos? Que crueldade mesquinha é essa? A ideia é que depois se mude de ideias ou levar um "recuerdo" para casa?

Alguma das pessoas que assinou ou que defende esta ideia, tem noção da crueldade que isto representa para uma mulher? Desejada ou não, uma gravidez altera uma mulher e não falo só do corpo! Não acredito que nenhuma mulher faço um aborto de ânimo leve, nem que esse momento não a marque para a vida.

 

Caros amigos Direito a Nascer, NINGUÉM defende o aborto, defende-se a despenalização, o direito de uma mulher não ser tratada como criminosa e a ser assistida com todos os cuidados médicos e sanitários que necessita e com acompanhamento psicológico. E não, não é assim que a taxa de natalidade vai aumentar! Usem essa energia para outros caminhos! Invistam em alternativas. Um bocadinho mais de amor, por favor!