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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Vamos lá falar de racismo (outra vez)

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Obviamente que isto vem a propósito do menino negro e da camisola da H&M com a mensagem "coolest monkey in the jungle", mas sobretudo de muitos comentários que tenho lindo por essa Internet fora.

 

Primeiro ponto: a H&M!

Não, não acredito que tenha querido ser racista, mas isso não quer dizer que não o tenha sido. Esta campanha é, para mim, o resultado de uma empresa onde claramente quem tem ideias e quem decide são brancos.

 

E é aqui que entram as opiniões alheias, porque não, a imagem não é inocente; nem, não, o racismo não está apenas nos olhos (maldosos) de quem o vê.

É preciso entender que o racismo existe. O racismo discrimina, fere e mata - sim, em Portugal também, apesar de vivermos num país onde preferimos olhar para o lado e afirmar de boca cheia que “os Portugueses não são nada racistas” (deixem-me rir!).

 

Não interessa aquilo que vocês (pessoas bonitas e maravilhosas e não racistas) viram ou sentem. É maravilhoso saber que vocês, seus lindos, apenas vêm um menino fofo e que até chamam "macaquinho" ao vosso primo de 6 anos, por ser irrequieto. Mas isto, desculpem, não é sobre vocês!

 

Durante anos e séculos, os negros foram comparados e chamados de macaco de forma a rebaixá-los e a inferiorizá-los.

Em Itália, atiraram uma banana a uma deputada negra.

Num jogo de futebol, atiraram uma banana a um jogador negro.

Continuo? É que tudo isto não aconteceu depois de Pedro Alvares Cabral chegar ao Brasil. O racismo estrutural no mundo onde vivemos é tão forte que várias estatísticas provam que pelo mesmo crime, um negro tem mais probabilidades de ir preso do que um branco! E de ser parado pela polícia e de ser morto! E…

 

Agora imaginem-se que são mães e pais, certo? Imaginam que têm de se preocupar em não mandar bananas na lancheira do vosso filho ou com a roupa que ele veste (não vá ele ser confundido com um bandido) e outras coisas. Não ter que passar por isso é um privilegio. Sim, nós brancos somos privilegiados. Por isso, em vez de defenderem a H&M vão estudar; vão falar com negros, discutam o tema, eduquem-se!