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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Vamos lá falar das praxes

 

Setembro, o regresso às aulas e as notícias de sempre! Começando pelos pais que deixam as suas crianças no infantários e as naturais ansiedades e, dêem-lhe mais uns dias, começam os jornais com o “ai-Jesus” da praxe.

 O tema não é fácil, levantando paixões e ódios e, claramente, muitas intrigas, respostas e emoções à flor da pele.

 

Comecemos pelo básico: não se trata de ser contra ou a favor da praxe, trata-se, sim, de definir o que é a praxe. Se falamos de ir beber uns copos, no espírito do "somos todos amigos" e “anda cá, que sou teu padrinho e ainda te ajudo a ver casas, com os apontamentos e a comer gajos/gajas”, eu acho bem, eu acho fixe. Se há gente que se diverte a andar de joelhos e a rebolar (que as há e não são mais ou menos estúpidas por isso), também acho bem. 

 

O problema é que a praxe em Portugal tem claramente ultrapassado todos os limites. Dizer que as praxes são mortais, infelizmente não é hipérbole. Além do Meco, houve outros casos, também graves, com alunos a parar ao hospital e outras fatalidades que tais. Uma coisa é irmos pelo shit happens e, sim, acidentes acontecem. Todavia, quando assim o é, de quem é a responsabilidade? Que porra é essa de condutas de praxe, onde “não se fala, não se conta”. Está tudo parvo? Agora um código de conduta de um grupo de estudantes, sobrepõe-se à lei? 
E antes que comece o mimimi do isso, do Meco (por exemplo), não é praxe. Lamento, meus amigos, mas foi. Foi isso que reuniu aquelas pessoas e as levou àquela praia. Podemos dizer que não representa o espírito da coisa, mas essa discussão não leva a nada.

 

Mais, até quando as universidades vão continuar a pagar e a gastar dinheiro com comissões de praxe? Sim, porque essa gente recebe dinheiro. No meu tempo, o Dux da Universidade de Coimbra era um gajo com mais de 20 matriculas (a serio, um tipo que estava há mais de 20 anos para acabar o curso!!!!!!) e que recebia dinheiro por chumbar ano após ano…

 

No entanto, chateia-me também a ideia de se proibir a praxe. Gostaria de acreditar que adultos de 18 anos que já podem beber, votar e escolher uma profissão têm também capacidade para mandar à merdinha gente que lhes grita e lhes dá ordens, caso isso os incomode. Sempre que leio “proibir as praxes”, em prol da defesa, só penso, não estamos a cair na infantilização? Que raio de adultos estamos a formar?

 

Eu praxei, fui praxada e diverti-me bastante. No entanto, quando a coisa me chateou ou me aborreceu ou só porque sim, levantei-me e fui à minha vidinha. Sei também que nem todos os alunos são assim. Sei também por experiência que há gente que praxa e que é estúpida que nem uma porta. Pessoas que não sabem parar. É que não se trata de saber os limites; trata-se, isso sim, de ter consciência de que os limites variam de pessoa para pessoa. A linha do que é ou não humilhante é pessoal e individual. Quando os pró-praxe abrem a boquinha para  dizer “ah pois e tal, mas a mim…”, pois é amigo, não é de ti que estamos a falar.

Nos últimos anos, ficou provado que há muitas vozes que não se conseguiram fazer ouvir e para quem a brincadeira acabou mal. Pelo meio, há famílias destroçadas, feridas (físicas e interiores) que não se curam e sonhos que não se cumprem. Como é que se resolve isto?

 

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