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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Trabalhar numa startup! Ou o mundo incrível das startup!

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Portugal, a Europa e o mundo andam maravilhados com as startups: que maravilha! Todos tão jovens e empreendedores e motivados! Uma revolução! A Internet que veio para ficar, neste mundo sem barreiras e global. Tudo muito brainstorming, muito fazer update e upgrade e dar inputs! Mas tal como no convento, também na startups só quem está dentro, sabe o que vai dentro!

 

Todos somos managers

Quem trabalha numa startup, sabe bem que não existem secretárias ou recepcionistas! Existem, sim, Office Managers. Também não há operadores de call center há Hapiness Leaders. Muitos managers são pessoas que: acabaram o curso, estagiaram naquela mesma startup e que depois de dois meses como júnior, passaram logo a managers e a gerir equipas! Ou seja, profissionalismo e experiência acima de tudo!

 

Os workaholics 

Como é tudo gente jovem e fresca, sem filhos e grandes responsabilidades, o trabalho gere a vida e vive-se para trabalhar! Alguém que trabalha até às 20h00 é dedicado! Aquele que responde a um email ao sábado, um exemplo a seguir! O que come na secretária em 5 minutos, leve o título de trabalhador do mês! Numa startup não há tempo a perder, pois a empresa “é de todos”! “Ter paixão” é pôr a empresa em primeiro lugar, porque amigos, família e tempos livres… desculpem, mas, o que é isso mesmo?

 

Os salários das startup

Apesar de terem recebido milhões do investidor X e Y, de serem a empresa que mais cresceu e a número 1 do mercado, a startup continua a preferir estagiários ou, de uma forma geral, gente a quem possa pagar pouco poucochinho!. Os salários são maus, péssimos e, por vezes, até roçam o humilhante! Mas não faz mal, porque a empresa faz eventos de equipa, dá fruta e até café! E se for uma empresa à séria, até providencia aulas de ioga, porque já se sabe, se alongarmos muito e inspirarmos e expirarmos, esticar o ordenado é sempre mais fácil! Namasté a isso!

 

Os (não) processos da startup

Digo não processos, porque (na maioria das vezes) são inexistentes. Compreende-se, a empresa é nova e muitas coisas ainda estão ainda a ser criadas. Tudo muito certo. Por isso, ou nos habituamos e adaptamos a um novo processo a cada dois minutos ou “adeus sanidade mental”. Mas não faz mal, porque no universo startup a isto chama-se “inovação” e “coragem para desafiar limites”! O bom profissional startupiano, acredita-se, não necessita estabilidade, nem confiança para desenvolver o seu trabalho. Ele que se desemerde, “pardon my french”!

 

Porque a tua opinião conta! Ou não!

Dentro deste espírito, trabalhar numa startup é quase como fazer terapia. Como te sentes? Quais são as tuas frustrações? Do que gostas? Do que não gostas? Estas feliz? Sentes-te satisfeitos? Que queres aprender? Onde achas que podes melhorar? O que é que pode melhorar? Onde é que a empresa pode melhorar?

Perguntar é de valor, obviamente, mas ver a empresa a possuir informação e a não agir é cansativo e desgastante! Enfim, aborrece…mata os nervos! Porque daí, a aceitar o “mau” como normal e natural é um passinho bem pequeno e isso, numa empresa, tal como na vida, é do pior que há!

 

Para quando? Para ontem, obviamente!

Numa stratup, todas as tarefas são para ontem. O que devia sair amanhã, afinal foi planeado para daqui a duas semanas. Ou simplesmente, abortado. Dizem que é importante saber priorizar, mas como? Como? Se numa mesma hora recebemos seis tarefas prioritárias. Aí, é fácil, dizem-nos os mestres de gestão da startup! Aí decide-se em função da hierarquia: quem manda mais, pode!

 

Mas há hierarquias no mundo maravilha da startup?

Oficialmente, não. Isto é, nos anúncios de trabalho, por exemplo, não há, o termo aqui é “flat hierarchies”. Também nas entrevistas nos dizem que "não, não senhor", pois aqui "somos todos um todo, estamos todos unidos, somos uma família" - como se eu precisasse de ter família no trabalho! No entanto, vai-se a ver e as coisas são geridas à base do “porquê? Porque eu disse que sim”! Ou melhor ainda: as palmadinhas nas costas, numa tradução universal para: “tens razão, mas não!”

 

 

 

 

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