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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Sobre o "quem me dera voltar atrás", a nostalgia e a Queima das Fitas - e o Facebook

 

"Aproveita agora!"
"Estes são os melhores anos da tua vida!"
"Olha que depois..."

Aos 13 anos já ouvia isso. Mais tarde, durante os tempos da universidade, ui,... o discurso intensificou-se e já era ladainha.

Sempre que ouvia alguém a dizer-me isso pensava "caramba, então, e depois?" Se já estava a viver os melhores anos, se não iria haver nada melhor do que "aquilo" na minha vida, para quê continuar? Melhor ficar por ali e poupar-me a dramas e horrores e dissabores que iam chegar depois. Nunca ninguém me falou do valor da independência, de poder andar nua em casa, de poder comer gelado ao jantar, laurear a pevide o quanto queria, enfim: nunca ninguém me falava bem da vida adulta. Parecia que ser uma jovem/estudante/adulta/maior de 18 anos, a viver à custa dos pais, é que era!

 

E por que razão falo disto?
Porque, amigos, começou há uns dias a Queima das Fitas de Coimbra - cidade onde nasci, cresci e estudei. E se para uma boa parte da população, isso não interessa nada; outra anda claramente a beber copos, enquanto a outra... anda a morrer de saudades, chorando lágrimas de sangue e traçadinho, pelos "melhores anos da vida" (deles).
Digamos que todos os anos, quando começa a Queima, o meu Facebook inunda nostalgia. Fotografias antigas. Frases e escritos sentimentais.

"Ai a saudade!"

"Minha Coimbra do Mondego!"

"Os bons velhos tempos!"

"Esses bons tempos que já não voltam!"

"Quem me dera voltar atrás!"

 

Se era bom não fazer grande coisa na vida e passar os dias (e as noites) com os amigos? Era, pois! Era do caraças! Ia-se, atenção que falo de mim, às aulas de vez em quando; estudava-se na véspera; saía-se de segunda a domingo; bebia-se vinho de 80 cêntimos; o ir tomar um café" terminava às 6 da manhã, hora a que se ia tomar o pequeno-almoço; dormir até ao meio-dia, enfim, acho que já deu para entender o meu ponto! Sim, era bom, mas daí a voltar para trás, a preferir esta velha vida à actual, isso não.

Também não acho que a vida era melhor antes - e olhem que se há pessoa que aprecia estar no choco até à uma da tarde, essa pessoa sou eu.

Como diz a minha avó, "cada coisa a seu tempo e cada coisa tem um tempo". E também ajuda gostar da vida que tenho. Gosto muito, mas mesmo muito, das coisas que fiz depois da universidade - os amigos que fiz, as pessoas que conheci, as amizades que mantive, as viagens, trabalhos (mesmo os caca!), experiências, etc.
A vida muda todos os dias. Mudar não é sinal de evoluir ou de regredir, nem de estagnar. As coisas são simplesmente diferentes e até do menos bom, é importante tirar proveito. Além disso, eu acredito sempre que o melhor está para vir, está para acontecer.

Obviamente, que pelo meio faço muita merda e se voltasse atrás, faria muita coisa nova e/ou diferente, mas mesmo assim, olho para o passado com alguma tranquilidade e com o sentimento de que o aproveitei e vivi bem.

 

 

Bem, esperem! Há, sim, uma coisa de que sinto falta.

Na universidade, sabem aqueles dias em que dizemos "amanhã tenho mesmo que ir às aulas"? Aquela aula que não podem mesmo perder, à qual não podemos MESMO faltar? E depois, no dia, acordar e pensar "aaaaaaaaaaaaaah, foda-se", virar para o lado e voltar e dormir! Isso sim, isso, era poder!