Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Serão os Alemães melhores a educar crianças?

Captura de ecrã 2017-10-13, às 17.55.06.png

 

De certeza que já aqui comentei isto: se há coisa que os alemães ou os Berliners fazem bem é educar cães e criancinhas. Todos educadinhos, pouco ou nenhum berreiro. Dá gosto.

 

Mas falemos da criançada.

Faça menos frio, frio ou muito frio, andam na rua. Numa versão de bonecos Michelin, mas na rua. Ninguém se preocupa muito se andam bem vestidinhos ou arranjadinhos. As crianças andam cómodas. As roupas bem que podiam ser dos pais e as mochilas dos tempos dos avós - juro, vejo putos a ir para a escola com modelos de mochilas que já no meu tempo seriam consideradas ultrapassadas. São crianças que ainda brincam na rua, descem escorregas sem um adulto a segurá-las e vão para a escola de bicicleta. Se vos disser que até os que andam no infantário vão de bicicleta/triciclo para a escola, asseguro-vos que não estou a mentir. Vão com os pais, mas vão. Dá-me sempre a ideia que às crianças aqui é-lhes dada a liberdade para ser crianças. Um luxo.

 

Quando comento estas coisas em Portugal, pais dizem-me “pois, eu sei que é melhor assim, mas eu não consigo” e eu dou muitas vezes a tentar que simplesmente é falta de paciência. Paciência para ensinar como se faz. Paciência para ver a criança tentar, errar e corrigir. Afinal, chegar e "fazer por" é mais fácil, mais rápido e menos arriscado. 

Muitas vezes esta falta paciência, é apresentada como um medo - “ai que o menino cai, bate a cabeça e morre” ou “ai que o menino mete isso à boca, tem veneno e morre” ou “ai que o menino apanha frio, fica constipado, logo vira pneumonia e morre”!

A minha avó aos 5 anos conseguiu que eu conseguisse parar de roer as unhas, porque me diziam que tinham veneno e eu poderia morrer. Eu aos 5 anos sabia pouca coisa da vida, mas tinha claro que não queria morrer.

A minha avó dizia a minha irmã para não se aproximar dos animais de rua, porque eles mordiam - possivelmente foi bem mais chata com ela do que comigo, para evitar que ela levasse tanto bicho moribundo lá para casa. Resultado? A minha irmã ainda hoje mal toca num bicho - seja coelho, gato ou cão.

 

Quando eu digo estas coisas em Portugal, sobre a educação na Alemanha, outra contra-resposta comum é o “mas eles são muito frios com os putos”! Oi? E isso quer dizer o quê? Quer dizer que não beijam? Quer dizer que não abraçam? Quer dizer que não amam ou exprimem amor? Qual é a relação entre promover a autonomia de uma criança e ter uma relação afectiva em modo Polo Norte?

 

Mea-culpa

Eu não tenho filhos, atirem essas pedras! Sei que há coisas que não são as melhores práticas e que se um dia os tiver, possivelmente farei: pô-lo a ver desenhos animados para me deixar em paz, dar-lhe o telemóvel para a mão para que coma e afins, mas em algumas coisas, espero ser, nem que seja só um bocadinho, mais alemã! Dar asas, espaço e espaço para que caia e se volte a levantar.