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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Ovários com prazo de validade

Captura de ecrã 2017-01-20, às 11.51.20.png

 

Ontem fui à ginecologista fazer revisão à máquina - está tudo bem, obrigadinha, não se apoquentem. Foi a minha primeira visita à ginecologista na Alemanha - tudo muito bom, muito eficiente, sim senhora, assim vale a pena. No meio das perguntas do costume, lá vem o e “um dia vai querer ter filhos?”. Vou sim, sim senhora. Um dia. Lá para a frente. No futuro.

Ao que ela atira, com o mesmo profissionalismo como quem diz “pratique mais desporto” ou “cuidado com alimentação”, “fale com o namorado e não adie muito mais” e que ela era médica e via cada vez mais casos de mulheres gravidas depois dos 35 e que via muitas coisas. Não entrou em detalhes. Eu também não perguntei, que a ignorância às vezes é uma bênção.

 

Até a biologia nos lixa, a nós, mulheres. Até aos 20 e 30, os nossos ovários e corpos estão fofos e frescos, abertos e sedentos de reprodução. Até aos 35 a coisa ainda se tolera, mas de sobrolho franzido, seguindo-se um “olhe que depois disso, fodeu”. Putos com três olhos e tentáculos em vez de braços. Em contrapartida, os homens lá andam férteis, confiantes e é vê-los a ser aplaudidos por serem papás aos 60 anos. Ok, pelo menos disto eles não têm culpa, mas deixem-me dramatizar um pouco mais.

Esta pressão, e não falo da social, mas do corpo, chateia-me.  Saber que o meu próprio corpo não tem as vontades alinhadas com as minhas deixa-me zangada. E, sim, eu sei que a Janet Jackson foi (ou vai ser?) mãe aos 50, mas lá no fundo eu sei que o (meu) caminho não é bem por ali.

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