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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Os limites do humor

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Longe de mim, achar que sou capaz de impor ou estabelecer limites ao humor. A meu ver, o humor não tem limites, eu sou menina para me rir de piadas de velhinhos e aleijados e não acho que isso me faz insensível, nem faz nascer em mim qualquer tipo de potencial para discriminar quem quer que seja. Pelo contrário! Gosto de humor negro, uso a ironia como se não houvesse amanhã e o sarcasmo é meu amigo. Aprecio humor negro e acho que a rir se corrigem costumes, se consciencializa e podemos ser todos mais felizes.

Se acho piada a tudo? Bem, depende da piada e da sua qualidade - e não do grupo visado!

 

A que propósito vem tudo isto?
Guillermo Zapata nem 48 horas esteve como "concejal" de Cultura y Deportes del Ayuntamiento de Madrid. Razão? Uns antigos tweets de 2011, com piadas negras. Aqui fica o mais polémico:

“¿Cómo meterías a cinco millones de judíos en un 600? En el cenicero”

 

O próprio defendeu-se com a liberdade de humor e depois meteu a mata, na minha opinião, com a história de que usava o Twitter para fazer experiências pessoais e que aquele tweet foi descontextualizado, que foi retirado de “una conversación sobre los límites del humor y aquello que se puede y no se puede decir en las redes y fuera de ellas". Ok, pode até ser ou não ser, o que importa? Porque razão não pode ele publicar ou achar piada ao tweet? Podia até estar a twitar para um amigo judeu! E mesmo que não estivesse...

Ok, este senhor tem agora um papel político, certos comentários não lhe ficam bem, nem piadinhas que deixam parte do mundo tão sensível - ainda que eu imagine uns quantos judeus a rirem-se com a piada ou até a ser dita em Seinfeld, mas avante! Todavia, num país como Espanha (e Portugal) onde políticos suspeitos e julgados em tribunal se candidatam e ganham eleições, este senhor demitiu-se sem ter tido sequer a oportunidade de começar, porque tweetou! Pois, sim, somos todos Charlie!

 

E depois, claro está, há ainda outras cem mil sitiuações, onde ninguém se demite. Engraçado!