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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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O feminismo das Capazes

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Quando soube que ia haver um colectivo feminista em Portugal, as Capazes, bati palminhas de excitação. Que bom! Ainda mais fiquei feliz de haver tantas mulheres conhecidas a apoiar e a usa o seu mediatismo para a apoiar o feminismo.

Há muito que acompanhava (e acompanho) vários colectivos, especialmente do Brasil, como o Feminismo sem demagogias ou o Não Me Kahlo. Aplaudo de pé, toda a capacidade de sensibilização e de mobilização que têm conseguido no Brasil. E, sinceramente, esperava algo assim das Capazes.

 

Não aconteceu.

Assumo-me como feminista, porque acredito na igualdade de géneros. Como feminista, a violência domestica feminina preocupa-me tanto como a masculina. Sim, estatisticamente ser gaja é bem mais complicado, quer em Portugal, quer no mundo; mas isto não é uma competição! Os homens também têm muito a beneficiar com o feminismo - além do óbvio: viver numa sociedade mais justa para todos. Problemas como a alienação parental ou a custódia das crianças, parecem-me boas razões para os homens se juntarem à causa.

Não acredito que as mulheres sejam melhores em nada, nem que tenham maiores capacidades de liderança ou uma sensibilidade mais apurada. Acredito que o meio e a educação são bem mais importantes. Também não acho que as mulheres são melhores mães ou seres superiores ou mais capazes, como o site Capazes tantas vezes apregoava. Muitos textos pareciam-me sempre superficiais, senti sempre que faltava ali uma representação mais profunda de uma boa parte da sociedade de Portugal. Tudo isto, fez com que tirasse o meu Gosto e deixasse de seguir as Capazes.

 

Esta semana um amigo passou-me um texto publicado no site - podem lê-lo AQUI - e que me deu bastantes, MUITAS comichões. Fica aqui um troço:

 

“(...) tempo de retirar aos opressores o poder de oprimir. E, na democracia, o poder se exerce pelo voto. A suspensão temporária do poder do voto dos homens brancos”

 

Oi? Como? Ai, então, a maneira de igualar isto é parar a democracia um bocadinho? Ai, isto agora não me dá jeito, vamos lá tirar o voto ao homem branco e pôr tudo nos eixos?! Mas está tudo louco.

A democracia não é brinquedo, para ser dado e tirado. Ai, o Trump ganhou? Buuuuuuuh democracia! A democracia é má! É suja! Ai, o Calimero ganhou? Viva! Viva a democracia, a melhor coisinha deste mundo e arredores! Hip, hip, hurra!

Ai, o homem branco chateia? ‘Bora tirar-lhe o direito a votar? Mas esperem, quem é este homem branco? O senhor dono disto tudo, o senhor que dorme debaixo da ponte? São mesmo todos? O meu homem branco feminista também? O homem branco de Portugal e o homem branco da Dinamarca estão no mesmo saco? Como funciona isto?

 

Por favor, alguém que explique às Capazes como funciona esta coisa do feminismo, da igualdade e da democracia, pois eu acho que elas não estão a perceber.

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