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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Não são os turistas pá, é a gestão

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De repente, os turistas são a peste. Vá-de-retro essa gente do demo! Cruzes credo, água benta neles! Gente que só vem para aqui explorar o nosso sol, enfardar pasteis e dormir nos nossos lençóis de flanela! Raça malvada. O turismo devia ser oitavo pecado mortal! Pessoas, os turistas são fixes. De certeza que pelo meio há muitos que são má gente, mas isso é outra coisa. E sabem que mais, eles trazem dinheiro. Reconhecimento e até investimento. 

 

Querem saber o que é mau?

  • A preguiça legislativa.
  • O deixar andar da parte dos políticos, que mais do que nunca têm que ser rápidos a agir.
  • A má gestão - para não dizer inexistente.
  • A ambição e ganância desmedida.
  • A exploração contínua dos trabalhadores.
  • Os salários dos locais que não acompanham o resto.

E a lista pode continuar!

 

No outro dia, lia um artigo em que usavam a Alcadesa de Barcelona, Ada Colau de ser anti-turistas. Não, não é. Ela simplesmente sabe, e lembra-se, que quem votou nela foram os cidadãos de Barcelona, não os turistas ou quem manda nos bancos e nas imobiliárias. Portugal, em particular as câmaras de Lisboa e do Porto têm muito para aprender com Barcelona!

Ela que tem combatido o Airbnb, mas também os bancos e as empresas imobiliárias que possuem apartamentos vazios no centro da cidade e contribuem para a especulação imobiliária e o aumento louco das rendas de casa. Recentemente, proibiu também os segways em determinadas zonas de Barcelona, por considerar que os peões têm direito a (pasmem-se!) caminhar!

Barcelona não se limita a proibir, até porque sabem da importãncia do turismo para a cidade. É por isso que está a ser criado um Plano de Estratégia para a cidade, pensado exclusivamente no desenvolvimento sustentável do turismo em Barcelona. Leram bem? O objectivo não é terminar com o turismo, é repensá-lo, planear, gerir. É torná-lo sustentável, respeitando os próprios recursos naturais da cidade e evitando a sua saturação! Fazer com que turistas e cidadãos possam estar igualmente felizes e viver a cidade!

 

Lisboa e o Porto já começam a dar sinais de saturação provocado pelo turismo de massa, que parece não ter controlo.

Não há quem não se queixe dos preços das rendas, dos tuc-tucs e da dificuldade de arranjar casa no centro ou simplesmente caminhar. Triste é ver tantas notícias sobre o crescimento do turismo e do aumento de receitas e ver empresas que continuam a explorar trabalhadores e a alimentar a precariedade. Enfim: a ganância desmedida no seu melhor, num país com um salário mínimo inferior a 600 euros e com preços de primeiro mundo, onde alugar casa custa mais do que Madrid ou o supermercado é quase sempre mais caro do que os valores da Alemanha! 

 

Senhores das câmaras e das empresas e dos serviços, imagino que agora andem todos mais ocupados com as eleições e a fazer cartazes catitas; mas giro, giro era começarem a tomar medidas que protejam todos: vizinhos e turistas. Aprendam, senhores… ou será tarde demais! É que depois fica chato.

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