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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Guia para viajar no Japão

O Japão era daqueles países que sempre esteve na lista de viagens. Porém, nunca no topo. Não pelo Japão, mas porque havia sempre outros países e também por ser um destino caro, que é. Foi também por isso que esta foi das viagens que melhor organizei e planeei na vida. Confirmando-se o senso comum que, sim senhora, planear é a chave para viagens (mais) baratas. Se gostei do Japão? Adorei. Se quero voltar. Sim, sei que um dia voltarei. Se recomendo? Muitíssimo.

 

Japão clima: Quando ir?

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O clima do Japão não difere muito das quatro estações da Europa, ainda que os Invernos não sejam tão rigorosos ou chuvosos. Nota-se mais Primavera e o florescer das árvores e das flores é algo muito bonito. E há muitas cerejeiras, que dão aquelas flores cor-de-rosinha – os tais cherry blossom trees, que já fazem parte da imagem de marca do país. A verdade é que é muito bonito e os Japoneses valorizam mesmo a coisa, tornando tudo mais especial.

Eu fui ao Japão em Abril, ou seja, já este processo estava a finalizar, mas ainda apanhei algumas no norte é liiiiiiiiiiiiindo. Lindo mesmo.

Depois de ter lá estado, acho que o outono tem de ser muito bonito também. Há imensos parques e jardins e o verde da vegetação é... único! Como se fosse uma nova cor – cá em casa, chamamos-lhe o “verde Japão" e só na Indonésia vi algo semelhante. Caso nos faz pensar que durante a noite, anda alguém a polir as folhas, folhinha por folhinha, para ficar tudo tão bonito. Dizia eu, que o Outono também deve ser muito bonito, com a chegada dos vermelhos e amarelos, as cores da estação.

 

O Japão é caro?

Viajar dentro do país é caro. O metro é caro. O alojamento no Japão é caro. Assim sendo, planear e reservar com antecedência é SUPER importante. Já comer pode ser mais barato. Há imensas cadeias de fast food BOAS e a dar 10 a zero ao MacDonalds - e mais baratas. Nos supermercados vende-se comida baratinha, inclusive umas caixinhas com a refeição completa. Imagino que um Japonês ache aquilo a pior coisa do mundo. Eu achava beeeem saboroso. Comi sempre muito bem e bem diversificado.

 

A comida no Japão é boa?

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Oh meus amigos!! É excelente. Como eu dizia, há imensa opção. Até porque a gastronomia japonesa não se limita ao sushi – se bem que só com isso, já seria feliz. Há ytambém carne muito boa, ramen (a sopa) variado, especialidades de caril, etc. Uma dica, consultem os menus no exterior e vejam os preços antes de entrar. Há locais MUITO caros - mas também há muitas opções de restaurantes de sushi baratos, não se preocupem. Todavia se vos toca um, onde têm um Sushi Chef só para vocês... bem, isso paga-se.

Há poucos menus em inglês. No entanto, quase todos os restaurantes têm menus com imagens ou aquelas montras com comida plastificada, basta apontarem para o que querem. Ah, a pastelaria é óptima! Não há mesmo nada que no Japão façam mal, verdade seja dita!

Aproveitem também para provar as coisas esquisitas que por lá há: Kitkat de morango, gelados de chá verde, bolos com recheio de feijão,...

 

Como são os transportes no Japão? Viajar no Japão é difícil?

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Na Internet encontram imensa informação em inglês, o que é óptimo para organizar a vidinha. No local, podem contar com uma rede de transportes SUPER eficiente e MEGA  pontual. Se o comboio é às 16h23 é às e 23. Se aparece um às e 19, aquele não é o vosso.

Uma dica: comprem um cartão SIM para telemóvel Japonês antes de irem – podem comprar na Internet e pedir para entregar no vosso hostel. É que ter Internet no Japão é MUITO útil. O Google Maps funciona muito bem e em total sintonia com os transportes, sendo ideal para viajar dentro das cidades.

Outra dica: façam bem as contas às viagens que vão fazer. Por exemplo, nós compramos o Japan Rail Pass. Com este passe podíamos andar nos comboios da Japan Rail (JR), uma das maiores companhias ferroviárias japoneses (há várias). A JR opera os Shinkansen, o comboio rápido e várias rotas de comboios regionais e urbanos, que funcionam quase como metro nas cidades grandes. Há passes para 7, 14 ou 21 dias, Nós compramos um para 14 dias, que custou 400  e pouco euros. No final da viagem, fizemos as continhas e vimos que poupamos mais de 200 euros graças ao passe. Em Tóquio, usávamos o comboio como quem usava o metro, andávamos bastante, mas poupamos muito também. Façam BEM as contas, para ver o que mais compensa. Ah, este passe tem de ser conseguido através de uma agência oficial no país onde estão, sendo levantado depois numa estação no Japão. Nós levantamos o nosso no aeroporto.

 

O que ver no Japão? O que fazer no Japão? O que visitar no Japão? Onde ir no Japão? Quantos dias para visitar Japão?

Depende sempre do tempo e gostos de cada viajante. Nós tínhamos 3 semanas e mais uns dias no Japão. O que fizemos foi assinalar num mapa tudo o que queríamos ver e depois criámos uma rota. Este foi o nosso roteiro no Japão:

 

1. Tóquio

Foi chegar e apanhar logo o comboio para Kyoto. Só visitamos a capital, mesmo no fim da viagem.

 

2. Kyoto /Quioto

Kyoto é uma fofura, uma cidade onde ainda podemos ver aquele Japão tradicional, com as suas casinhas, ruas estreitas, pequenos restaurantes, os tradicionais machiya (edificos antigos de madeira) e até senhoras de kimono e gueixas - fiz uma figura de totó a pedir uma fotografia a uma!. Claro que estamos no Japão, isto é, há modernização para todo o lado, arquitectura impressionante, construções megalómanas – até porque não nos podemos esquecer que uma boa parte do país foi destruído na II Guerra Mundial. Kyoto foi poupada e é a cidade que ainda melhor preserva este Japão dos postais. Em Kyoto visitamos:

 

- Templo Fushimi-inari Shrine

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Preparem essas perninhas para subir e subir e subir. Quanto mais subimos, melhor nos apercebemos do quão grande é a cidade. Visitei o templo no meu segundo dia no Japão, ou seja, tudo me causou uma grande impressão e impacto. Na área, visitamos ainda um castelo e foi o meu primeiro encontro com os jardins japoneses... que perfeição, pessoas. Nada ao acaso, tudo tão harmonioso. Lindo. E faz sentido, muitos jardins são projectados por arquitectos. o que explica muito, isso e o feng shui 

 

- Nara

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Nara fica a poucos km de Quioto. Lá apanhamos o comboio, mais os Japoneses todos e fomos. No século I (sim I, 1, um), Nara era a capital do Japão. Aqui está o Templo Todaiji, onde está o Buda gigante - 15 metros de altura! Coisinha pouca! Ainda assim, a coisa mais impressionante de Nara são os bambis! Toda a zona é um parque natural, onde centenas (milhares) de veados andam à solta! Alguns chegam-se mesmo aos turistas, sobretudo se houver comida para rapinar. Uns fofos.

Em Nara, há vários templos e shrines, umas espécies de alminhas dedicadas às almas passadas e guardiões (dos templos, das florestas, etc.) e são muito bonitos. No Japão, a maioria da população é Budista e/ou  Xintoísta (espirituais, que prestam culto e respeito aos antepassados e à Natureza). Ponho e/ou, porque muitos Japoneses adoptam praticas das duas religiões no dia a dia. 

 

- Floresta de Bambu

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Outro dos meus sítios favoritos. Vale a pena alugar uma bicicleta para explorar a zona. Pelo meio, de 8287 bambus, há casas de fazer suspirar e mais bambus e jardins lindos (já vos disse que são lindos os jardins no Japão?) e mais bambus e macacos e mais bambus. Vale muito a pena.

 

Pelo meio, visitamos outras atracções de Quioto, como o Golden Tremple e fomos também a Osaka.

 

3. Naoshima

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Imaginam que iam ali a Vila Nova da Rambona e pedem ao Siza Vieira ou ao Frank Gehry para projectar um museu de arte contemporânea. E ele faz. Foi o que aconteceu com Naoshima, uma ilhota no sudeste do Japão, com pouco mais de 3 mil habitantes. Estão a ver aquelas aldeias, onde se plantam couves e onde toda a gente deixa a porta aberta? Naoshima é assim. Coma diferença que recebe mais de 400 mil turistas por ano! Tudo isto, porque um multimilionário Japonês, que acredita na arte enquanto papel transformador de comunidades isoladas, convidou um arquitecto vencedor do Pritzker Prize (o Nobel da Arquitectura), Tadao Ando  para ali projectar um museu de arte contemporânea. Hoje em dia há vários museus e obras de arte espalhadas pela ilha. As ilhas vizinhas tem seguido o exemplo e tive pena de não termos tido mais tempo para as explorar.

Seria de esperar que houvesse uma loucura de lojas de recuerdos e bares na ilha, a pensar nos turistas. Pois não, não há. Depois das 20h00 fechava tudo, havia um super-mercado e no dia seguinte, ao almoço, estávamos num restaurante com um menu com três pratos de opção... e fomos felizes.

Dica: vale a pena alugar uma mota ou um carro para explorar Noshima. Não façam é como nós! Forretas, alugamos uma bicicleta e foi terrível, porque aquilo são só subidas e mais subidas e mais subidas. Ah, não percam o Museu do James Bond. Parece que há uma historia do 007 que decorre ali e há um maluquinho a tentar convencer a produtora do filme a fazer um filme na ilha. Para isso,  construiu um museu (gratuito) na própria garagem, onde colecciona todo o tipo de freakalhices do 007 – Japoneses 

 

4. Hiroshima

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Em 1945, foi lançada a bomba atómica em Hiroshima e Nagasaki. O Japão rendeu-se. A guerra acabou. Hiroshima foi totalmente devastada e a cidade não se esquece, afinal, ainda hoje a população sofre as consequências da radioactividade na pele - literalmente. É triste, mas viajar também é isto.Foi das cidades no Japão, onde senti uma maior abertura das pessoas com estrangeiros. Ou pode ter sido só impressão – atenção, não que os japoneses sejam má rés ou antipáticos, mas são almas reservadas, metidas nas suas vidinha e que se podem, evitam grandes contactos ou trocas de olhares. Todavia, se pedirem ajuda, ninguém vira as costas.

 

5. Itsukushima

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Não muito longe de Hiroshima está a ilha de Itsukushima. Muitos bambis e um templo muito popular. Quando fomos, coincidiu com a Golden Week, uma semana com feriados e festividades no Japão, ou seja, havia imeeensos Japoneses a viajar em família. A ilha estava cheia e foi muito divertido.

 

6. Nagoya

Esta é a terceira maior cidade do Japão. Suuuper moderna e é aqui que vive a maior comunidades de brasileiros no Japão. Daí que se celebre o Carnaval e haja placas escritas em Português – quando no metro vi informação e placas em Português, quase caí de cu.

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A principal razão para virmos aqui foi o Caminho de Edo, um caminho milenar, entre montanhas, que unia as duas principais cidades do Japão: Kyoto e Edo (hoje Toquio), unindo, assim, o império/país. Apesar de haver partes em que a estrada corta o caminho, é ainda possível fazer troços do caminho original, caminhando entre as montanhas. Nós fizemos Magome – Tsumago. Imaginem todos os adjectivos mais fofinhos e... é isso tudo. Aquele Japão dos postais e filmes está ali. Casinhas pequenas, com os seus quintas e plantações, muito verde, montanhas, pequenos shrines e pagodes, fontes: um amor. Conhecemos um senhor Japonês que ali tem casa, embora só lá vá nas férias ou nos tempos livres e que nos contou que ele e outros vizinhos lutam para manter o local puro e impedir investimentos loucos na zona. Parte do acordo é precisamente ninguém vender as casas a empresas ou investidores. O Japão é incrível, certo?

 

7. Sapporo

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Estão a ver o norte, bem lá no norte do Japão? Aí em cima fica Sapporo! Aqui já fazia fresquinho e sentia-se o ar mais puro. Sapporo é também a marca de uma das mais famosas cervejas Japonesas, cuja fabrica, perdão, o restaurante visitamos. Fomos ta,bém à zona costeira e ao Parque Moerenuma e, vento, muito vento. O Moerenuma foi projectado por um arquitecto e é absolutamente incrível. Tem imensas colinas, sendo ao mesmo tempo super amplo, o que dá uma sensação de espaço infinito. Demorou 23 anos a ser construido! O melhor de Sapporto? Muita coisa, mas comer ouriço do mar está lá no topo.

 

8. Tokyo

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Deixamos a capital para o final. E quando eu achava que já seria difícil ser surpreendida, afinal já levava quase três semanas no país, fui. Caramba, que cidade! Demorávamos sempre a ir de A a B, porque pelo meio encontrávamos sempre alguma coisa para ver ou fazer – uma exposição, uma livraria ou simplesmente uma loja. A arquitectura é simplesmente de babar. Imagino sempre este tipo de conversa em Tóquio:

- Olá. Sou arquitecto. Quero fazer um edifico lala, com três asas e que salte à corda.

E fazem. Vi coisas que nem imaginava serem possíveis. A zona da cidade onde estão as lojas e marcas de luxo, a Avenida Omotesando , é simplesmente de babar, pela criatividade dos edificos. Esqueçam os trapos da Channel ou os saldos da Zara e olhem para os prédios das lojas e escritórios!. Oh my!! 

Dica: se querem ir ao Museu Ghibli, dedicado aos filmes de animação dos Estúdios Ghibli (de filmes como Totoro, Ponyo ou O Túmulo dos Pirilampos  - o que eu chorei com este filme!!) de Hayao Miyazaki e Isao Takahata, comprem os bilhetes antes, pois esgotam logo, logo. E não, a culpa não é dos turistas, mas dos Japoneses.

 

 

Que mais devo fazer no Japão?

Há muitos mais locais para visitar no Japão. Por isso, quero tanto voltar. E depois há experiências que não podem perder: ir ao karaoke (so munch F.U.N!), os restaurantes, ir  às lojas de Manga (que mundo) e às de gadgets; comer muito e, a sério, ir à casa-de-banho. Juro, se um dia tenho uma casa minha, vou encomendar uma sanita japonesa. Aquilo tem até um botão para aquecer o tampo, senhores! No meio disto tudo, olhem muito, observem ainda mais. Adorava olhar para as pessoas, para os gestos, os rituais... fascinante. Ok, eu sei que são pessoas e não bichos, mas  que querem?! Tudo tão meticuloso, tão pensado, tão organizado, tão fofo. Sim, o Japão pode ser um lugar estranho, mas em bom.

 

Alojamento no Japão

Novamente: reservem antes. Com antecedência é mais fácil (e possível) encontrar opções baratas, mas (e como tudo) já depende do bolso de cada um! Eu, mesmo viajando com o meu namorado, em Tóquio e Kyoto dividimos o quarto como mais gente, para poupar - podem ver mais dicas sobre como poupar em viagem, aqui. Mas, deixem-me que vos diga, que mesmo assim eram hosteis com excelentes condições, limpinhos, com cozinha e staff 5 estrelas. 

 

Os Japonese são simpáticos?

Como dizia antes, não esperem grandes alegrias vindas deles. Ninguém vira as costas, mas deu-me a sensação que se poderem evitar, evitam. Digo sempre, meio a brincar, que fizemos mais amigos no Irão do que no Japão! Os Japoneses são muito reservados e é uma cultura mais fechada. Li histórias de pessoas que nasceram no Japão, mas que por terem um dos pais de outra nacionalidade, não tinham traços Japoneses e que por isso, eram postas de parte. Por outro lado, não houve ninguém a quem perguntássemos algo que não nos ajudasse de alguma forma. 

 

O Japão é seguro?
Seguríssimo. Nunca vi policia na rua, mas é incrível a ordem e segurança que paira no ar. Logo na primeira noite em Quioto, deixei o telemóvel no restaurante. Quando voltei, lá estava ele. As pessoas são muito sérias e correctas. Em 2016, morreram 6 pessoas por disparo de arma no Japão, acho que isto diz muito sobre a segurança no Japão.

 

É fácil viajar sozinho no Japão?

Sim. Não. É seguro e com Internet orientam-se bem. E há tanta coisa para ver e fazer, que acho que aquininguém se aborrecem. No entanto, como não é muito fácil interagir com os locais, pode ser um pouco solitário. Ainda assim, eu acho que iria. Viajar é sempre bom e viajar sozinho também e recomenda-se.

 

 

Também pode ver o guia para viajar na Tailândia e na Índia.

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