Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Dicas para viver na Alemanha

 

Screenshot 2016-06-03 at 13.38.01.png

Cada caso é um caso, já se sabe e eu, na Alemanha, apenas posso falar de Berlim e no lugar de alguém que chegou aqui, para trabalhar, mas já com contrato assinado.

Resolvi também escrever, porque, amigos, a coisa não é fácil! Eu já vivi e trabalhei na Letónia e em Espanha, mas nunca me desesperei tanto como aqui! Ao ponto, inclusive, de repensar toda a mudança! Muita burocracia, a coisa demora e o processo mais lembra um cão a morder a própria cauda!! Assim que: venham, sejam bem-vindos, mas saibam o que vos espera!
 
 
 
O Anmeldung

Todos os que chegam a Alemanha têm de o fazer. O Anmeldung não é mais do que ir registar-se. Só após de ter o Anmeldung feito é que é possível fazer conta no banco, ter seguro médico, segurança social e pedir o Shcufa (mais abaixo).
O problema? O problema é que é preciso ter uma marcação, o que demora. Pode demorar mais de um ou dois meses. A marcação é feita através do site da instituição que cuida da coisa - basta googlar Anmeldung + o nome da cidade alemã para onde vais. O melhor, é fazer o pedido antes de chegar, pois (em teoria) o anmeldung deve ser feito nas primeiras duas semanas. O bom, é que estão sempre a haver desistências e para aproveitar, nada melhor do que ir fazendo refresh no site, até se conseguir uma vaga.
Outra opção, sobretudo quando se tem urgência, é ir até ao centro do bairro onde moras, pelas 7 horas da manhã e tentar que to façam ou que te dêem uma hora. É que sem o sacana do Anmeldung, toda a tua vida na Alemanha entra em suspenso.
 
Para o fazer, é necessário o contrato da casa. Caso não tenhas contrato, (normal, já que acabas de chegar), basta um papel do dono da casa em que estás instalado ou de alguém que lá viva (e que tenha o Anmeldung em ordem) a dizer que vives lá.
 
E a coisa gira (não! Nada!) é que cada vez que mudas de casa, tens de fazer uma nova marcação e ir lá informar a tua nova morada. Sim, sempre! E não, não se pode fazer online. Nem podes pedir a outra pessoa que vá por ti.
 
 
 
 
Arranjar casa

Há mil cães e poucos ossos! Seja para casa, seja para quarto. Há demasiada procura!
E aquela ideia de que Berlim é barata, já foi, já era. As casas estão mais caras e quartos a 300 euros são uma raridade.
Aconselho-te a procurares um quarto ou uma casa provisória, onde possas ficar nos primeiros meses (ou mês) ou a tentares o AirBnb. Deste modo, podes ir procurando quarto/casa mas tranquilamente. Outra opção, é tentar as agências que alugam casas temporariamente - três meses, seis meses, etc. Nestes casos, há que pagar a comissão da agência.
 
Na hora de procurar casa ou quarto, aqui ficam alguns dos sites mais populares - são bem intuitivos e fáceis de usar.
 
http://www.wg-gesucht.de/
http://www.immobilienscout24.de/
 
Cuidado com os preços, verifica sempre se o aquecimento está incluído (warm) e caso não esteja, calcula cerca de um euro por metro quadrado - sendo que nos meses frios, pode aumentar.
Se o aquecimento está incluído, esse valor paga-se durante todo o ano. No fim do Inverno, é feito o cálculo real e das duas uma: ou comprovam que gastaste mais e tens que pagar o extra ou, ao contrário, devolvem-te o dinheiro, por teres pago mais do que aquilo que consumiste. A pensar nisso, há casas cujo valor do aquecimento é mais alto, enquanto outras fazem o valor justo por metro quadrado. O gasto depende da casa. As casas mais antigas, mesmo com janelas duplas, tendem a ser frias e é quase certo que vais ter que ligar o aquecimento, nem que sejam duas horas por dia. Já as construções mais recentes tendem a conservar melhor o calor, significando menos gasto de aquecimento.
 
É muito comum aqui fazer open days. Ou seja, uma visita com dia e hora marcados, contigo e todos os interessados. Ou seja, nesse dia, vais tu e mais uns quantos ver a casa - e às vezes são muitos, mas mesmo muitos os que vão contigo! 
É nessa altura que deves fazer todas as perguntas (tem aquecimento? Possibilidade de colocar um fogão ou uma pia? Aceitam animais, etc.?). Pergunta mesmo tudo. Por aqui, gostam pouco de perguntas após alguém ser seleccionado. Eu, à custa disso, perdi uma casa.
 
Em Berlim, não sentes (ou eu não senti) que preferem alemães a estrangeiros. Aqui é tudo sobre o dinheiro e a estabilidade financeira e profissional de cada um. É por isso, que depois das visitas (sejam elas individuais ou em grupo) é comum os interessados terem que enviar uma serie de documentos:
  • Um questionário que te é dado pela agência/senhorio. É sobre ti e sobre quem vai viver contigo - nome, data de nascimento, quanto ganhas, empresa, há quantos anos trabalhas, nacionalidade, etc.;
  • Contrato de trabalho;
  • Facturas das últimas três rendas pagas na Alemanha - um texto simpático do senhorio antigo é sempre de valor. Caso nunca tenhas vivido na Alemanha, explica isso no email. Eu cheguei a enviar as minhas antigas rendas de Madrid:
  • Schufa (já lá vamos!).
 
Depois disto, é esperar que digam sim ou não - o que pode demorar.
Ah, outro detalhe interessante, a maioria das vezes são as pessoas que vivem na casa e que vão sair, que ta mostram. A maioria das vezes nunca vais ver o senhorio. Eu, por exemplo, nunca vi o meu. Foi tudo por agência, cujos gastos ficam a cargo do senhorio.
 
 
 
O Schufa

Ora o schufa mais não é do que um documento que certifica que o teu saldo bancário é positivo e que tu não tens dívidas no país. Literalmente pagas 25 euros a uma empresa, para que entre na tua conta bancária e escrutine tudinho. Eles depois passam um certificado, dando-te um aval positivo ou negativo.
Para isso, é obrigatoriamente necessário que tenhas uma conta num banco alemão - e isso, só é possível fazer depois de ter o Anmeldung e para fazer o Anmeldung, necessitas de uma morada! Como diria o Gabirel, o Pensador "isto anda tudo ligado".
Assegura-te que quando vais fazer o Schufa já tens dinheiro na conta, pois o valor é-te debitado na e se não tens nada, corres o risco de ficar com saldo negativo... e com um Schufa de parecer negativo, ninguém te aluga nada.
 
"Mas se eu nunca vivi na Alemanha, é óbvio que não tenho dívidas no país... preciso mesmo dessa coisa?"
Isso, perguntava eu muitas vezes! Sejamos práticos e imaginemo-nos no lugar de quem aluga e com 20 macaquinhos (ou mais, muitos mais) a querer alugar uma casa. Com tantos candidatos, a falta de um papel é sempre uma forma rápida de descartar alguém. E, verdade seja dita: são alemães. Não têm o que é pedido? Então: adeeeeeeeeus!
 
O Schufa pode ser feito online e demora uns dias. Em Berlin, pode ser feito no Postbank (correios) do centro comercial Arcade, junto ao metro Schönhauser Allee. Fazem-no na hora, só têm que levar a papelada toda: Anmeldung + dados da conta bancária + passaporte ou cartão do cidadão. Certifica-te que tens dinheiro na conta, para pagar o Schufa.
 
 
 
 
Colocar o nome na caixa do correio

Aqui não há rua X, primeiro direito ou terceiro esquerdo. Aqui as moradas são apenas constituídas pelo nome da rua, o número da porta e o código postal. Para que recebas a carta, o teu apelido (sempre o último) tem que estar na caixa de correio. Se não está... adeus cartas - não é à toa que todos os alemães se queixam do serviço de correios, que já agora, funciona também ao sábado.
Os alemães, pelo menos foi esta a minha experiência, são bastante tensos, com esta questão e pouco receptivos a colocar o apelido de outra pessoa na caixa do correio - isto, caso alugues um quarto ou uma casa temporariamente. Isto tudo seria irrelevante, se posteriormente não tivesses receber cartas, algumas bem importantes como o Amnmeldung ou o seguro médico, etc. Além disso, estamos na Alemanha, o online aqui é um bicho papão. Tudo chega por correio, inclusive a factura do pagamento do salário.
 
 
 
Arranjar trabalho

Berlim é uma cidade cheia de oportunidades. Seja para trabalhar em bares e cafés ou em empresas. Há muitas empresas jovens e start ups - o que nem sempre significa salários justos ou que vão ao encontro das belas médias dos salários na Alemanha..
Falar Alemão não é essencial, nem para sobreviver, nem para trabalhar, nem para socializar. O inglês é muito poderoso enquanto língua de comunicação, mas caaaaaaaaaaaaalma! Não penses que podem chegar ao banco e falar inglês ou que todos os empregados da segurança social são fluentes em inglês, ok? Isto (ainda) é a Alemanha e o idioma oficial é o alemão. E durante todo o processo, em algum momento, o Alemão vai fazer falta.
 
O salário mínimo na Alemanha são cerca de 1100 euros limpos e dependendo da cidade e do estilo de vida, pode ser ou não suficiente. Para Berlim e a viver num quarto, ou seja, dividir casa, é um valor que chega para viver satisfatoriamente, mas sem grandes luxos.
 
 
 
O seguro médico

Aqui é obrigatório ter um seguro médico privado, a menos que o rendimento bruto de alguém seja muito baixo ou que a pessoa possua subsídio de desemprego - nesse caso, paga o Estado. O mais popular é a TK. O seguro é retirado directamente do salário.
 
 
 
Os impostos são altos?

São, muito.
Claro que depende do escalão e daquilo que recebe cada um, mas os impostos podem ultrapassar os 40% do salário. E nem caem na conta, são logo retirados. E sim, mesmo quem recebe o salário mínimo paga impostos. Os tais 1100 euros limpos de salário mínimo, são de um salário de (cerca de) 1500 euros.
 
 
 
E os transportes em Berlim?

Só posso mesmo falar de Berlim e, a verdade, é que são muito bons! A cidade é grande e a cobertura é muito abrangente, com metro (subterrâneo e de superfície), autocarro e eléctrico.
É barato? Não, não é barato, o passe mensal é de quase 80 euros! Mas por exemplo, depois das oito da noite, podes viajar com outra pessoa, tal como ao fim-de-semana. O bilhete não é pessoal, ou seja, com fotografia nome, o que permite que possa ser usado por qualquer pessoa. Há-os também com descontos para estudantes e idosos, assim como bilhetes só para quem viaja só depois das 10h00, etc. E, claro, apesar de haver várias zonas, o bilhete cobre todos os meios de transporte..
 
Ah, e aqui ninguém pense que pode andar de metro sem bilhete. Em menos de dois meses já apanhei mais de revisores, que não andam de farda, vestem roupa normal e do nada revelam-se... e multam.  E as multas são de 60 euros para cima.
 
bicicleta é outro meio de transporte bem popular em Berlim e a cidade também é plana, com muitas ciclovias e tudo com muito civismo (nada a ver com os ciclistas malucos da Holanda! ou com os peões parvinhos de Madrid! ou com os condutores idiotas de Portugal), o que facilita bastante.
 
 
 
Ter cão em Berlim 

Aqui são poucos (ou nenhuns) os sítios que barram a entrada a animais - sobretudo cães. É comum vê-los nos transportes públicos e há até quem os leve para o trabalho. Nesse aspecto, sem dúvida que Berlim é uma cidade fácil. Mas atenção que para ter um animal, há que pagar uma taxa. Este é um tema sobre o qual ainda tenho que me informar!

 

 

 

Ser mãe, ser pai em Berlim

Não há sistemas perfeitos, mas comparando com o sul da Europa, onde o apoio familiar é essencial para os jovens pais, a vida familiar na Alemanha tem vários apoios das empresas e das instituições. A começar pela licença de maternidade, que começa seis semanas antes do nascimento. Depois do bebé nascer, a mãe tem direito a pelo menos 14 semanas, com possibilidade de prorrogação até um período que pode chegar aos três anos. Durante este tempo, a empresa não pode despedir a mãe/o pai e, importante, até ao primeiro ano a mãe/o pai beneficiam de um subsídio, baseado no salário líquido.

E depois há imensas escolas e infantários pelos bairros, muitos parques com baloiços e desde muito cedo, os putos ganham imensa autonomia - é comum vê-los com dois anos a ir de bicicleta atrás dos pais ou aos 9 a irem sozinhos para a escola, de metro e autocarro. Não há birras... e o melhor: em Berlim, há crianças que brincam nas ruas e nas praças.

 
Mas afinal, Berlim é barato ou não?

É.
Não é.
Comer é barato, não é Portugal, atenção! Mas mesmo assim e tendo em conta que é uma capital europeia, há várias opções de restaurantes baratos em Berlim - três euros por uns noodles ou cinco euros um prato de massa (há muitos restaurantes asiáticos e italianos por estas bandas). Há muitos concertos e espectáculos gratuitos e festa na rua e gratuita nunca falta!
 Há também muitas lojas de roupa em segunda mão, super baratas; assim como grupos de Facebook que vendem coisas e inclusive dão - dão frigoríficos, camas, mesas, etc. Um dos grupos mais populares é o Free Your Stuff BerlimEu consegui uma estante e um guarda-roupa. No Facebook também é fácil de encontrar grupos para actividades com crianças, voluntariado, cuidados com os animais, etc.
É uma cidade despretensiosa, onde há um forte espírito comunitário e as pessoas passam tudo de umas para as outras, sem grandes problemas.
 
 
Como disse, cada caso é um caso e cada pessoa uma história e melhor tentar que ficar na dúvida! Boa sorte!

6 comentários

Comentar post