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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Cultura da corrupção em Portugal

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A Transparency International publicou o Barómetro Global da Corrupção, onde diz coisas como:

  • Mais de 80% dos Portugueses acham que o Estado deixa-se influenciar por representantes de grande poder económico;
  • O parlamento, as empresas e as câmaras são os sectores mais expostos à corrupção;
  • 51% dos Portugueses considera a corrupção um problema político, ao qual o Estado deveria dar mais importância;
  • 48% defende que a corrupção em Portugal tem piorado;
  • 39% diz não ver melhorias;
  • 34% dos Portugueses acredita que os deputados estão de alguma forma envolvidos em casos de corrupção. Quanto às autarquias, o valor passa para 31% e nas empresas 32%. O mesmo valor recai sobre os funcionários do Gabinete do Presidente da República;
  • … e os números continuam.

Portugal, assim como outros países no sul da Europa, como Espanha ou Itália, mais do que problemas de corrupção, tem a meu ver uma verdadeira cultura de corrupção. Se não vejamos:

 

No café, o empregado engana-se no troco e dá-lhe 1 euro mais. Você:

  1. Volta atrás e devolve o dinheiro
  2. Encolhe os ombros, pensa “azar o dele, sorte a minha” e segue caminho
  3. Fica com o dinheiro e com o sentimento de culpa

 

Durante os tempos da universidade, tive alguns colegas que tinham carro ou os pais tinham dois carros e que mesmo assim recebiam bolsa e outros benefícios dos Serviços Sociais. Em Portugal, inclusive, parece não haver pudor em contar esquemas usados para pagar menos impostos. É, por coisas como estas, que defendo que existe em Portugal uma verdadeira cultura de corrupção. Encolhemos os ombros; fazemos o mesmo, porque "se o vizinho pode, eu também"; aocstumamo-nos a viver com a situação e já achamos tudo normal! Não se enraíza a ideia de que,por exemplos, ao não pagar impostos, estamos roubar a nós mesmos. Sim, porque o Estado somos nós. Todos nós.

 

Obviamente, que a inércia da Justiça também não ajuda. Os casos demoram anos, muitos acabam por prescrever e apesar da legislação ser fraquinha, não se vê nem um deputado a tomar a iniciativa para proceder a alterações. Da minha parte, não me interessa que os corruptos apodreçam na cadeia. Por mim, que devolvam o dinheiro e fiquem impedidos de exercer cargos públicos estaria já seria bastante bom. O pior mesmo é ver a inércia e ainda pior, ver que quando por fim os “maus” são apanhados e ainda assim conseguem ganhar eleições - sim, que este Portugal tão escandalizado com Trump, parece ter-se esquecido do Isaltino ou da Fátima Felgueiras. Nesta lógica, se um dia o Socrates chega a presidente não me surpreenderia! Obviamente que o Estado tem que agir, tem dele de partir o exemplo. No entanto, compete-nos todos nós, cidadãos, começar por dar o exemplo e agir em conformidade. É que até ficar com aquele euro a mais, é uma forma de corrupção. Estamos a ficar com dinheiro indevido, dinheiro que não é nosso. E começa-se, aliás, começamos assim, em pequena escala!

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