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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Barbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho: Se é assim com eles, como seria comigo?

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Na minha opinião, os meios de Comunicação Social (sérios) deram pouca atenção ao caso de Manuel Carrilho e Bárbara Guimarães. O assunto foi muitas vezes tratado como se fosse matéria cor-de-rosa e sensacionalista, quando afinal falamos de crime público.

 

Este caso demonstra como a Justiça tem de ser mais rápida (há quanto tempo é que isto se arrasta?), ainda mais quando há crianças pelo meio. E, sobretudo, a importância de julgar estes casos como um todo.

Ora vejamos: Carrilho é condenado, ainda que com pena suspensa, por ter agredido Bárbara Guimarães já depois do divórcio e ainda assim detém a custódia de um dos filhos. Como é que é possível que a Justiça não comunique e permita que estes casos sejam tratados independentemente, sem que um afecte o outro? Podemos admitir que um agressor eduque um menor?

 

A semana passada, Carrilho foi absolvido de violência doméstica, mas desta vez de agreções praticada antes do divórcio. Até aí, posso entender. Posso entender que a juíza diga que não há provas, apenas testemunhos e não lhes dar credibilidade. Não quero ir por aí!

Agora o que me indigna mesmo, mesmo muito, são os comentários da juíza na hora de soltar o veredicto  - a mesma juíza que o advogado de Bárbara Guimarães tentou afastar do caso por tratamento discriminatório. A mesma juíza que o tratava a ele, de “senhor doutor” (ou professor!) e a ela, de Bárbara! A mesma juíza que quando Bárbara Guimarães testemunhou disse que a condenava por não ter falado antes e alegou que se Manuel Maria Carrilho era bom antes da filha nascer, não era depois disso que iria mudar - porque, segundo esta juíza (Joana Ferrer) as pessoas não mudam!

Pois bem, essa mesma juíza, disse agora não considerar não ter havido violência doméstica porque e passo a citar "Bárbara Guimarães é uma mulher destemida e dona da sua vontade, pelo que não é plausível que na sequência das agressões tenha continuado com o marido em vez de se proteger a si e aos filhos”. Alegando também que como Bárbara Guimarães dizia nas revistas que estava tudo bem, então, era porque estava tudo bem!

 

Esta ideia de que a violência domestica só afecta as senhoras da aldeia, as senhoras de personalidade submissa ou as senhoras sem dinheiro tem de acabar! É urgente uma maior formação dos juízes para entender a complexidade da violência nas dinâmicas de um casal. E, sobretudo, orientar/educar/explicar/falar aos juízes da complexidade do ser humano! As pessoas não são boas, nem más. As pessoas mentem, sujeitam-se, etc.

 

2017 foi um ano do caraças no que toca a acórdãos judiciais em casos de violência domestica! Quem não se lembra do juíza Neto de Moura e as suas belas considerações sobre a Bíblia e a honra do macho para justificar a virilidade ofendida de um homem, que usou um maçarico com pregos para agredir a mulher - uma adultera, logo (e segundo este juiz) ““uma mulher que comete adultério é uma pessoa falsa, hipócrita, desonesta, desleal, fútil, imoral. Enfim, carece de probidade moral”.

 

Quanto ao caso da Barbara Guimarães, quando digo que é importante fazer uma reflexão séria sobre o mesmo, não o digo por ser ela a Barbara Guimarães, nem por ser ele o Manuel Maria Carrilho - se bem que defendo a ideia de que os políticos acusados de crimes não devam receber qualquer dinheiro público, mas isso já é outro tema!

 

O que importa aqui ressaltar é: se isto é assim com ela, como será com a D. Ana da padaria? Como será comigo?

Como é que um homem ou uma mulher vítima se sente com forças e coragem, depois de assistir a  tudo isto, de denunciar o(a) parceiro(a)?