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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

A Indonésia

 

Ir ou não ir?

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Gili Meno, Bali, Indonésia

 

Sempre ir, sempre ir! O país é incrível! São 17 508 ilhas, distribuídas pela Ásia e pela Oceânia, com fronteiras terrestres com Malásia (na ilha de Bornéu), Timor-Leste (em Timor) e Papua-Nova Guiné (na Nova Guiné) e marítimas com as Filipinas, Malásia, Singapura, Palau, Austrália (ufff) e com o estado indiano de Andaman e Nicobar.


De todas as ilhas, Bali é a menina bonita da Indonésia! As praias atraem todos os anos, milhões de turistas. Até porque há praias para todos os gostos: para surf, mergulho (vale a pena ir à Indonésia só para tirar o curso de mergulho, é suuuuper barato), festas, relax e muito mais! Bali é também cheia de templos, cerimónias e superstições. No entanto, um país tão grande tem muito mais para oferecer: cascatas, 98238 mil parques e reservas naturais, selva, exotismo e, perto de Yogyakarta, está o complexo de Borobudur, considerado o maior monumento budista do mundo, construído no século VIII.

A Indonésia é também o país com a maior população muçulmana do mundo, havendo inclusive um ministério dedicado às peregrinações a Meca! O que não significa que não seja um país super colorido, cheio de vida e dinâmico - também com aquele calor, só o bravo dos bravos poderia andar de burka ou de vestes negras! Mesmo as mais conservadoras, usam vestes com cor, sendo o castanho do mais escuro que vi por lá! A Indonésia é também tido como um exemplo de tolerância religiosa, já que aqui várias religiões convivem pacificamente. É o caso do Hinduísmo (religião dominante em Bali, onde me pareceu bem mais fervoroso e cheio de rituais do que a Índia), Budismo, Confucionismo, Islamismo e Cristianismo. Estas são consideradas as religiões principais e os indonésios têm que escolher uma, que consta depois no bilhete de identidade. No entanto, no país há muitas mais religiões e práticas espirituais, embora não sejam oficialmente consideradas.
Sinceramente, não notei qualquer tipo de conflito religioso. As pessoas misturam-se e têm amigos (e familiares) de diferentes religiões. Todos pareciam ter claro que quando há problemas/conflitos são movidos por interesses financeiros e a chamada "inveja", que pode ser económica ou social. Por exemplo, muitos cristão são chineses. E os chineses são também os maiores empresários do país. Quanto ao extremismo, muitos encolhiam os ombros. 

 


Mochilar ou não mochilar?

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Munduk, no norte de Bali

 

Apesar da crescente popularidade dos voos domésticos, o que significa também voos baratos, viajar pelo país pode ser feito de ferry (entre ilhas), comboio e autocarro. E, claro, muito aluguer de mota, que sempre ajuda a poupar! Se estás a pensar em mochilar na Indonésia, um conselho: ter tempo. E paciência.
Transportes públicos não é algo que abunde na Indonésia. Mesmo em Bali, a tão turística Bali, ter que ir de táxi ou reservar um motorista para o dia é comum. E sai caro - ou pelo menos, caro para um Backpacker, que queira viajar barato. Para ir até Munduk desde o Terminal de ferry, pagamos cerca de 40 euros para uma viagem de três horas - que acabou por demorar mais do dobro!
De Munduk, no norte de Bali, até ao porto onde se apanha o ferry para Java (outra ilha) tivemos que ir de táxi até Seririt. Porquê de táxi? Ora, só há um autocarro por dia, que passa às 6 da manhã. O autocarro está sempre tão cheio, que na maioria das vezes, nem passa por Munduk. Obviamente, que tivemos de ir de táxi e dali apanhar um dolmus (umas carrinhas tipo táxi) para Gilimanuk, onde se apanha depois o ferry para Java. Estas coisas tardam, não há horários definidos e é preciso paciência. Paciência também para andar a descobrir quem são as pessoas na localidade  com serviços de transporte e bater a umas quantas portas à procura do preço barato.
Novamente: isto são dicas para quem viaje com dinheiro contado. Isto é backpackers, gente low cost e que vai e explora os locais que não são atracão turística ou que querem fugir ao turismo de massas. Pessoas que dormem em potenciais quartos com baratas e sem ar condicionado! Caso contrário, e sobretudo em Bali, quase todos os hotéis e hosteis asseguram serviço de carro - pagos à parte, claro está!

Na Indonésia, entre chegar ao sítio, visitar o sítio e sair do sítio, leva tempo! Há que esperar pelo transporte e quando digo esperar, é mesmo esperar. Os atrasos são comuns. Por exemplo, os autocarros/dolmus muitas vezes só partem depois de estarem cheios, o que implica a dar umas quantas voltas à localidade, encher e partir. Horários parecem ser mitos, excepto para o comboio. Quanto ao comboio: lento e não sendo mal, não é um TGV de conforto, com direito a ver os filmes iranianos mais deprimentes de sempre!

 

 

Ferry

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Gili Meno, em Bali

 

Ora dediquemos ao ferry uma categoria. Afinal, com tantas ilhas viajar de ferry e ou de barco é prática comum.
São comuns também os acidentes e (pior) mortes e, imagino, que isto não seja nada animador se planeias ir à Indonésia, certo? Mas nada melhor do que estar bem informado e, verdade seja dita, basta ir ao Google e o que não falta são notícias sobre ferrys a afundar na Indonésia!
Quando estava no ferry para Banyuwangui só pensava: "mas como é que esta porra pode afundar e morrer gente?". A sério, aquel foi o ferry mais lento em que fui. Demora 45 minutos entre Bali e Java, algo que poderia ser feito em bem menos. Até um barco a remos seria mais rápido! E depois não é só a velocidade é água, que tendo em conta o calor, não é propriamente gelada para se morrer de hipotermia, nem o mar muito agitado. Como era possível haver sempre mortos nas notícias? Ou acidentes? Já tínhamos lido que muitos ferrys afundam, porque o peso vai mal distribuído (sem comentários!) e mais tarde descobri que a razão pela qual muita gente morre é ainda mais estúpida. Há viagens de autocarro entre as duas ilhas e, claro, o autocarro atravessa o mar de ferry. E quem viaja de autocarro, mesmo no ferry, não pode sair da camioneta durante a viagem. Agora, imaginem: os autocarros, juntamente com camiões de carga, carrinhas, etc. entram no ferry e estacionam lado a lado. Estacionam tão juntinhos que abrir portas é uma missão impossível. Agora, imaginem, aquela coisa começar a afundar e estar dentro do camião ou do autocarro. Ok, não faz falta imaginar, mas assim, fica fácil entender o porquê de haver mortes. Lamentável. Também descobrimos que só recentemente, começaram a pedir na hora da compra do bilhete dados (como nome e passaporte) aos passageiros. Parece que em Fevereiro houve um acidente e ainda hoje estão por identificar os mortos, pois nem se sabia ao certo quantas pessoas iam no ferry.

 

 

Come-se bem?

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Torrada com queijo e chocolate - ou a prova em como foram os holandeses a colonizar a Indonésia

 

Deixemo-nos de temas mórbidos e falemos de coisas boas: COMIDA! Bem, a coisa vive de ora de arroz, ora de noodles e não sai muito dali. Sendo, o arroz o claro vencedor! Nasi Goreng, arroz com vegetais e ovo nas suas mais variadas expressões - bife, vaca, sea food (três camarões) e nada de porco, que afinal estamos num país muçulmano! Muito Gado-Gado e muita sopa. As sopas foram o que eu mais gostei. Juntava-lhes sempre água, porque faz muito, mas muito (mesmo muito, muito!) calor e sabiam-me à vida!
No entanto, custa-me a entender como é que um país com uma costa tão grande e que durante anos foi (colonizado pelos holandeses e) exportador de especiarias como canela, noz-moscada, baunilha ou cravo-da-índia haja tão pouca variedade culinária.
A não perder as panquecas e a banana frita. E a fruta, sendo também muito comuns os sumos de furta - melancia, goiaba, limão, laranja, manga (dependendo da época), etc. Também há muita fruta à venda na rua e nada melhor do que passear e lambuzar-se de ananás. Detalhe: na Indonésia é costume comer com as mãos.

A não perder, além dos vários restaurantes de rua, onde se come (e bem) a menos de um euro são os Padang. Os Padang são restaurantes na Indonésia, onde há vários tipos de comida (sempre com arroz) e molhos à escolha, há também carne, peixe frito, saladas, etc. Há-os por todo o país e são baratos e bons e bem locais. É só chegar, apontar para o que se quer e comer. Uma das minhas coisas favoritas era um molho, bem intenso, de carne. Delícia.
Delícia também é o frango frito. Eu nunca comi no KFC, mas sei que o da Indnésia dá-lhe 10 a zero! 

 


As pessoas?

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Templo de Borobudur, perto de Yogyakarta

As pessoas são incríveis, educadas e simpáticas. Em alguns sítios, eu sou branca, branca a fugir para o cor-de-rosa, sentia-me uma Lady Gaga de tantas fotografias, mesmo assim as pessoas conseguiam fazê-lo de forma educada. Em Yogokarta, num espectáculo de teatro de sombras wayang kulit, acabei na orquestra a tocar xilofone - eu que nem com os ferrinhos me safo.
Mesmo na capital, em Jacarta, tinha sempre aquela sensação de aldeia. De sorrir a toda a gente e dizer "olá" a todos por quem passamos. Muita gente perguntava de onde éramos. E em Bali era comum o de onde vínhamos e para onde íamos. Descobri depois que era uma pergunta comum, uma coisa bem hindu, que simboliza o balanço e o equilíbrio, que remete à importância de saber de onde viemos e para onde vamos.

 


É caro?

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Floresta dos Macacos em Ubud (Bali)

 

É caro?

É.
Não é.
Bali pode ser caro. O que é de turismo (pura e duro) é caro. Chegamos a pagar mais do que em Berlim para comer. Só em Java é que começamos a poupar mais significativamente.
Uma coisa é certa: na Indonésia há assumida e claramente dois preços. O preço para locais e o preço para turistas. Isto é assumido e não representa um constrangimento para ninguém. Ter poder e capacidade para regatear é também importante, mas por vezes, parecia que havia como que um pacto interno no país e de um taxista para o outro, por exemplo, o preço não mudava muito.
No final e bem organizado, gasta-se pouco; mas como disse, não é um país fácil. Para chegar a algum sítio, aquilo que poupamos num hotel barato e com baratas, acabamos por gastar num táxi. Por isso, é que acho importante ir bem orientado e com tempo. 

E também não esquecer que apesar dos megalómanos centros comerciais de Jacarta, dos carros de vidros esfumados e dos hotéis de luxo, a Indonésia é um país onde alguns habitantes vivem com menos de dois dólares por dia. Muitas pessoas alimentam-se do que cultivam e é comum ver professores e outros funcionários públicos, dedicarem-se  a outros negócios e à prática da agricultura de subsistência. Há ilhas onde a electricidade não chegou (usam-se geradores) e onde carros não entram. E isso pode ser, aliás, é também muito charmoso.

Quando se fala de dinheiro, vem sempre o tema da corrupção. Acredito que sim, acredito que exista (obviamente que existe), mas não nos passou nada, assim que, sem comentários sobre o tema.

 


O que fazer?

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 Tempo Pura Ulun Danu Bratan, em Bali


Praia, ioga, templos: este é possivelmente o principal cartão postal da Indonésia, mais particularmente de Bali. Bali possui ofertas de turismo para jovens mochileiros e para reformados, enfirm: agrada a todos. Bali está-se a tornar num Puket (na Tailândia) de festas loucas, música pum-pum-pum e muito álcool. Mas a Indonésia é muito mais do que isso. 

Os templos do século VIII de Borobudur (perto de Yogyakarta) ou a Floresta dos Macacos em Ubud (Bali) são dos locais mais visitado na Indonésia. Também no top 10 está a ilha de Komodo, com particular para os parques naturais onde vivem os Dragão-de-komodo. Também conhecidos como crocodilos-da-terra é a maior espécie de lagarto na terra. São também comuns elefantes, orangotangos, macacos e rinocerontes.
A Indonésia tem mais de cem vulcões activos. De vez em quando lá há umas erupções e voos cancelados e aeroportos fechados. Muitos visitantes podem fazer trekkings pelos vulcões do país, com passeios nocturnos e com direito a ver o sol nascer no topo do vulcão.
Além dos terraços e campos de arroz (lindo!), da imensa selva e vegetação (mesmo à beira da estrada), a Indonésia tem uma costa infinita para praia, surf e também para os amantes de mergulho. E Jacarta com os seus arranha-céus vale a pena pelo contraste e mistura, já que ao lado de um hotel de cinco estrelas está um canal fedorento e a cinco minutos de uma lixeira a céu aberto, estão algumas das principais atracções turísticas! Só indo e suando. O que dizer também do trânsito? Só mesmo indo! 

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