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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

A Igreja, o Bloco e Jesus que tem dois pais

 

Lá vamos nós... outra vez! A Igreja afrontada, os ofendidos do costume a dizer "é demasiado!" e o Bloco a provocar para chamar a atenção (e a celebrar) - e pelo meio, felizmente, a lei a ser aprovada!

E sabem que mais? Isso é bom, porque significa apenas que vivemos num país onde cada um tem o direito à sua liberdade de expressão, de se indignar, de se manifestar, de apoiar, de achar graça! E amigos, isso é bom, e é a democracia no seu melhor! Viva!

Obviamente, que o Bloco de Esquerda sabia que ia provocar. Agitar.
Obviamente, que os beatos iam ficar ofendidos. E os bispos e os padres e as freiras.
Obviamente, que isto ia dar barulho, mas não era esse o objectivo? Pôr as pessoas a pensar não é isso mesmo? Sejamos francos, um católico que siga e respeite as leis da Igreja, acredita que Maria e José eram um casal, certo? Acredita também que o Espírito do Santo engravidou Maria, sem relação carnal, sendo ela virgem no momento da concepção. Esse bebé, acreditam eles, é Deus. Os católicos aceitam isto, tal como José aceitou. E segundo a Bíblia, Jesus era também carpinteiro como o pai - o pai José, porque Deus-todo-habilidoso é o criador. Não há mentira no cartaz, nem maldade.

Indignem-se à vontade pessoas.
Riam-se também.
Assinem petições.
Partilhem a anedota com os amigos.

Agora o que não façam é pedidos de censura ou boicotes ao cartaz, para que não sejam publicados ou retirados. Ser Charlie é isto e a liberdade é isto também.
E, por favor, nem comecem com a história do "há limites". Lamento, mas não há. Se vamos começar a discutir, cada um tem os seus definidos. Há quem não tolere piadas sobre o cancro (e está no seu direito) e há quem se ofenda com anedotas sobre o Joãozinho!
Se aceitamos o argumento do "deve haver limites", temos que aceitar também a ideia que um dia, em algum momento, alguém ou alguma identidade venha dizer "isto, pode", "isto, não pode"... e se olharmos ao passado, já sabemos como acabam estas histórias - ele foi a Inquisição, ele era o queimar livros judaicos, ele era o lápis azul! Assim que amigos, ofendai-vos como Jesus vos amou!

 

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