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Maria vai com todos

Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens. Istambul. Riga. Cinco anos em Madrid. E agora Berlim.

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Colecção A Formiguinha, Majora #3

As Caras Trocadas

(Colecção Formiguinha, Editora Infantil MAJORA - Porto, Portugal)
As Caras Trocadas
Estas história é sobre duas meninas com as caras trocadas.
Mas vamos ao princípio. Era uma vez uma mulher de "maus fígados" que tinha uma filha e se casou com um viúvo, que também tinha uma filha. A filha era "sovina" e "feia como um bode" ilustra a Formiguina, enquanto a enteada era liberal (??) e linda como o sol.~
Pela manhã, lá ia a mulher acordar a enteada aos berros, obrigando-a a trabalhar e assegurando-lhe que caso o serviço não fosse feito, que lhe moeria o copo de pancada. Depois ia ao quarto da filha, que fica na cama e a quem a mãe lhe levava pãozinho e mel, pois estava magrinha. Ou seja, a mulher enchia a filha de "paparicos e festinhas e à enteada dava-lhe fome negra e açoites" - e até aqui, nada de novo.

Um dia ela mandou as duas pastar a vaca - a Formiguinha não explica que razão terá levado a mulher a mandar a filha trabalhar. E como seria de supor, a filha levou uma cestinha com doces e boas comidas, enquanto à enteada, ofereceu uma côdea (bolorenta!) de broa.
A meio da tarde, enquanto as duas lanchava uma velhinha passou e pediu comidinha. A liberal e linda como o sol partilhou a sua broa e a outra... nada, não deu nada à velhota, deixando-a indignada e com vontade de de dar uma ensinadela à "esganada" da sovina.
A esta hora, já todos adivinharam que a velha é uma fada e que logo ali resolveu fazer justiça e plim
- "Eu vos fado" - disse a velha - "para que as vossas caras se troquem, ou seja, para que a menina feia se torne bonita e a bonita, feia" - e plim, assim foi.
Claro que as meninas não deram por nada e nem a mulher, que sem saber, passou a destratar a sua própria filha e a mimar a enteada.
A Formiguinha nada adianta sobre possíveis reclamações ou mal-entendidos. O marido, claro está, continua ausente nesta história.

Até que... Até que um dia, o filho do Rei passou e viu à janela a menina bonita e logo se enamorou - a nossa Formiguinha é uma romântica, o que fazer?
Ele pediu à menina que aparecesse de novo, mas à noite. A mulher (espera!) deu-se conta e aprisionou a menina, dando ordens à sua filha (na verdade a enteada em versão feia - anda estão aí? Conseguem acompanhar?), que ficasse ela à janela - afinal, há noite todos os gatos são pardos e o Príncipe nem daria pela fealdade da piquena. Pelo sim, pelo não, ela pôs um véu.
Quando Príncipe voltou, a catraia disse:
-"Não sei como te enamoraste de mim, meu senhor, visto que sou a rapariguinha mais feia das redondezas"
O moço confiante no que viu e no seu bom gosto, pediu-lhe que tirasse o véu e plim por obra da fada a menina voltou a ser bonita e, já se sabe, Príncipe ainda mais apaixonado é igual a pedido de casamento imediato.

Calma, que a história não acaba aqui. A Forimiguinha aprecia uma boa intriga.
Esta fada estava sempre atenta e transformava a menina bonita em feia sempre que a madrasta estava com ela. Foi assim que chegou o dia de casamento e a mulher sem se dar conta do ocorrido. Inclusive aconselhou a noiva a só tirar o véu depois de casada.
Óbvio que a fada estava no casamento e no momento de tirar o véu a menina era linda de novo e a madrasta logo teve um "chilique", correndo para casa, encontrou a sua verdadeira filha "restituída de fealdade" e "segundo consta, as duas rebentaram de inveja..."


Ou seja: ser inteligente, genorosa, trabalhadora, preguiçosa, etc. Tudo isto são aspectos secundários de uma pessoa. Ou somos bonitos ou feios. E se somos bonitos somos coitadinhos, madrastas que nos lixam a vida, temos fadas que zelam por nós e um príncipe (sim um príncipe, não um empresário ou um médico: um príncipe): olha para nós, apaixona-se e casamo-nos. Life is good, Formiguinha.